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    Lateralidade e dominância cerebral: histórico

    Ao longo da história das neurociências muitos dos conhecimentos acerca dos fundamentos biológicos dos comportamentos humanos têm surgido estreitamente ligados ao conceito de lateralização hemisférica ou dominância cerebral, isto é, às diferenças de funções entre os dois hemisférios do cérebro.
    Na verdade, a organização do cérebro em dois hemisférios, direito e esquerdo, parece ter como corolário que cada uma destas suas partes tem a seu cargo os acontecimentos motores e sensoriais que ocorrem na metade oposta (contralateral) do corpo e do espaço. Esta regra geral, se bem que um tanto esquemática e redutora (hoje reconhece-se que a complexidade do cérebro, um super-sistema aberto e que integra em si muitos outros sistemas diferenciados e complexos não se compadece com estes "reducionismos" simplistas) levou à ideia de que cada indivíduo, dotado de um grande potencial cerebral, utiliza o seu cérebro de uma forma particular. Assim, enquanto alguns se apoiariam mais nas capacidades do seu hemisfério esquerdo, parecendo dar prioridade à análise, ao raciocínio e à lógica, outros, pelo contrário, mais apoiados no seu hemisfério direito, dariam prioridade à síntese, à intuição, à visão global e à imaginação.
    Esta noção de "dominância cerebral" apresenta um interesse teórico considerável e coloca uma multiplicidade de questões quanto aos seus caracteres, à sua origem, ao seu significado e, embora tenha uma "história já antiga", funcionalmente associada com a "história da afasia", só recentemente foram enunciados e abordados com clareza os seus fundamentos neurobiológicos, sob o impulso do neurologista americano Norman Geschwind que, aliando os seus conhecimentos enciclopédicos a um espírito de síntese e intuitivo fora do comum, soube abrir um amplo campo de reflexões e de investigação e fazer, com razão, do conceito de dominância cerebral um ramo de parte inteira das Neurociências que em muito ultrapassa o terreno da Biologia.

    Linha do tempo da história da dominância cerebral ou Lateralização hemisférica

    1796
    Franz Gall
    Sugeriu que o cérebro não era uma massa uniforme e que várias faculdades mentais podiam ser localizadas em diferentes partes deste órgão
    1834/1835
    Marc Dax
    Relatou a associação da afasia e da paralisia dos membros direitos em três dezenas de doentes, embora não tenha definido qualquer teoria nem se tenha enquadrado em qualquer movimento científico.
    1861
    Paul Broca
    Reuniu oito casos de sujeitos que apresentavam uma lesão na porção posterior da circunvolução frontal do Hemisfério Esquerdo (HE), mostrando que esta lesão se associava com a afasia. Propôs que o HE era dominante na linguagem e considerou a relação entre o uso da mão direita e a linguagem, propondo que tanto a fala como o uso da mão direita eram atribuíveis à superioridade congénita do HE nas pessoas dextras. De acordo com esta "hipótese", os indivíduos não dextros (canhotos) teriam uma dominância do Hemisfério Direito (HD), quer na "manualidade" quer na fala (linguagem).
    1864
    John Hughlings Jackson
    Sugere o conceito de dominância cerebral, com o enfoque mais importante na relação entre os dois hemisférios cerebrais, apontando para a liderança do HE na função cerebral. Sugere ainda a importânciafundamental do HD nas funções visuo-espaciais.
    1870
    Liepman
    Demonstrou que o HE controlava os movimentos definidos, assim como a linguagem, mas que as áreas específicas implicadas eram distintas. Produziu evidência clínica de que algumas dispraxias severas podem estar associadas a lesões do HE.
    1876
    Wernicke
    Relaciona várias alterações na produção da fala e na compreensão da linguagem com lesões no HE
    1940
    William VanWagenen
    Realizou a primeira intervenção cirúrgica de seccionamento do corpo caloso (Split-Brain)
    1959
    Penfield e Roberts
    Ao intervir cirurgicamente no tratamento de Epilepsias graves, descobrem que a estimulação de determinadas áreas do cérebro ou a sua remoção cirúrgica afectam determinadas funções lateralizadas à esquerda ou à direita.
    1960
    Sperry
    Inicia uma série de trabalhos de investigação em animais com "cérebro-dividido", alargando depois a metodologia utilizada ao estudo de humanos, constatando a diferenciação e lateralização hemisférica de várias funções como a linguagem, as capacidades visuo-perceptivas e as emoções
    1965
    Geschwind
    Inicia o estudo das assimetrias cerebrais numa perspectiva anatómica e morfológica, correlacionando-as com as assimetrias funcionais já conhecidas em estudos anteriores
    1981
    Sperry
    Prémio Nobel pelo estudo das funções dos hemisférios cerebrais

     

    Dominância hemisférica Genética
    A influência genética pode ser uma explicação para a dominância hemisférica. Um exemplo ilustrativo no fato que, na população mundial, as estatísticas apontam que mais de 90%, em média, são de pessoas destras, ficando apenas 10% para os canhotos e ambidestros.
    Do ponto de vista genético, pode-se dizer que os canhotos são portadores de GENE RECESSIVO. Isto significa que, em cada acasalamento, devemos encontrar este GENE no macho e na fêmea para que haja a probabilidade de termos um canhoto. Encontra-se, talvez, aqui a explicação por que existem menos canhotos do que destros, sem descartar evidentemente as influências sócio-culturais que podem alterar a lateralização dos indivíduos.

    Lateralidade e dominância hemisférica.

    Na base da fissura longitudinal do córtex, encontra-se um espesso feixe de fibras nervosas, chamado corpo caloso, o qual fornece um elo de comunicação entre os hemisférios. O hemisfério esquerdo controla a metade direita do corpo e vice-versa, em razão de um cruzamento de fibras nervosas no bulbo.
    Estudos mostram que no caso de haver uma danificação deste corpo caloso os dois lados dos hemisférios funcionarão como cérebros independentes. Se isso acontecer, uma pessoa normal, a quem se solicite que identifique de olhos fechados uma caixa de fósforos colocada em uma mão, utilizará o hemisfério direito para reconhecer a caixa, e o esquerdo para descreve-la em voz alta. Alguém cujo corpo caloso esteja danificado, Istoé, inoperante, reconheceria a caixa, mas não poderia dizer como ela lhe parece.
    Ainda que os hemisférios direito e esquerdo pareçam ser uma imagem em espelho um do outro, existe uma importante distinção funcional entre eles: a dominância cerebral. O termo dominância cerebral refere-se ao fato de que um dos hemisférios cerebrais é o "dominante" em certas funções. A diferença é predominantemente percebida na linguagem e habilidades manuais. Por exemplo: quando duas pessoas estão dialogando, comunicam-se principalmente através do uso do lado esquerdo do cérebro, porque, o hemisfério esquerdo é responsável pela fala, pela capacidade de aprendizado de idiomas e pelas funções lógicas. No lado direito, diz-se que está o cérebro artístico, da memória visual e do julgamento estético, isto é, a capacidade de aprendizado de idiomas e pelas funções lógicas. Ainda que exista uma variabilidade de indivíduo para indivíduo, a linguagem e o raciocínio matemático são essencialmente representados no hemisfério esquerdo, enquanto as habilidades não verbais: habilidades manuais, percepções visuais, sonoras e do meio ambiente, tendem a ser representadas no hemisfério direito.
    Pode-se deduzir, portanto, que o hemisfério direito contribui menos para a organização funcional, isto é, está menos ligado aos processos de verbalização e às implicações nas relações do corpo e do espaço.
    A área de Broca e área de Wernicke são umas das áreas responsáveis pelas funções especializadas do Córtex Cerebral. Em cada dezenove (19) de vinte (20) pessoas, a área de Wernicke fica localizada na parte posterior da circunvolução temporal superior do hemisfério cerebral esquerdo. A área correspondente do hemisfério oposto tem outras funções (menos importantes). Daí dizer-se que o lado do cérebro onde fica a área de Wernicke é dominante sobre o outro lado.
    A partir do exposto observou a influência do hemisfério esquerdo sobre o direito do corpo, mais com base nas pesquisas até agora realizadas, acredita-se existir uma dominância cruzada, isto é, o lado esquerdo do cérebro comanda o lado direito do corpo, e vice-versa.
    Portanto, pode-se dizer que um destro bem lateralizado apresenta a dominância hemisférica esquerda, valendo o oposto para os canhotos. Porem foram feitos estudos e determinado que não é nada simples a relação entre o fenômeno da dominância cerebral e a preferência manual. Concluiu-se que a dominância cerebral direita é rara, mesmo no canhotismo manual.
    Acredita-se que mais ou menos 98% das pessoas, incluindo pelo menos a metade dos canhotos, tem a dominância hemisférica esquerda, conseqüentemente pode-se concluir que são poucos os canhotos com dominância cerebral direita, e que grande arte dos canhotos apresentam também a dominância cerebral esquerda.

    De acordo com a teoria química: Há estudos que revelam que os canhotos são duas vezes mais propensos que os destros a sofrer distúrbios do sistema imunológico, pela redução da capacidade do organismo de se defender de corpos estranhos.
    Já entre as causas biológicas: encontra-se algumas vezes, especialmente entre os canhotos, o hemisfério direito assumido o controle da linguagem, fenômeno que determinados neurologistas chamam de dominância anômala, considerado que esta função, na grande maioria das pessoas, é controlada pelo hemisfério esquerdo.
    Há pesquisas globais da investigação que levaram os pesquisadores a concluir que algum fator está contribuindo para aumentar a porcentagem de canhotos e o índice de dificuldades de aprendizado e distúrbios do sistema imunológico. Existe a hipótese de que a causa do canhotismo seja causada pela testosterona, o hormônio que produz as maiores diferenças entre os sexos, pois os homens liberam grande quantidade deste hormônio, enquanto que as mulheres quase nada. Isso pode explicar porque o índice de homens canhotos é quase o dobro de o de mulheres.
    Para alguns autores há distinção entre lateralidades, e são elas:
    LATERALIDADE DE PREVALÊNCIA: uma pessoa que apresenta um potencial para ater dominância do lado esquerdo do corpo.
    LATERALIDADE DE PREFERÊNCIA: é quando essa pessoa recebe pressões do meio, como a utilização da tesoura, e todos os outros aspectos que favorecem a utilização do lado direito.
    LATERALIDADE INATA: dominância de ordem biológica.
    LATERALIDADE SOCIALIZADA: é adquirida em função de aspectos sociais, escolares, familiares, etc...
    E ainda tem autores que classificam a lateralidade de acordo com a idade, elas podem ser: lateralidade gestual; lateralidade neurológica; e lateralidade funcional.

    AUTORES DA ANATOMIA E FISIOLOGIA PARA MASSOTERAPEUTAS

    Breve currículo:

    Joelson Fachini
    •  Formado e Diplomado em QUIROPRAXIA – Método MATHEUS DE SOUZA – pelo IBRAQUI (Instituto Brasileiro de Quiropraxia) em 2005 – São Paulo.
    •  Habilitado em TERAPIAS DAS PEDRAS NATURAIS, em 2004, pelo CENTRO HOLISTICO IDHERA – POA/RS, Registro: FEPLAM nº. 236.467.
    •  ESPONDILOTERAPEUTA, em 2000, pela Escola SOS CORPO - Cx. Sul/RS, Registro: FEPLAM nº. 196.613.
    •  Especializado em MASSAGEM TERAPÊUTICA, em 2000, pela Escola SOS CORPO - Caxias do Sul/RS, Registro: Escola SOS CORPO, sob nº. 94/93 009.
    •  MASSOTERAPEUTA, em 1996, pela Escola SOS CORPO - Caxias do Sul/RS.
    •  Registros: Fundação Educacional e Cultural Padre Landell de Moura – FEPLAM, sob o nº141.323 Departamento de Proteção a Saúde – DPS, sob o nº. 024/15ª Delegacia Regional de Saúde, Associação de Ensino Profissionalizante do Rio Grande do Sul – AEPERS, sob o nº0074/00.
    •  LINFOTERAPEUTA, especializado nos MÉTODOS FÖLDI, LEDUC, VODDER E PROPELI de Drenagem Linfática Manual.
    •  Palestrante desde 1999, em congressos e eventos sobre estética, massagem, eletroterapia e saúde.
    •  Contribui com matérias para o site www.belezain.com.br desde 2005.
    •  Mais no site www.fisiovitae.com.br
    •  Membro da equipe Técnica OKL – POA/RS.
    •  Fundador e Professor da Escola Fisio Vitae

    Simone Korn:
    •  Professora de Educação Física – CREF. 07358-G/SC Reg. MEC 1760/94 – LP- UDESC
    •  Pós-Graduada em Gerontologia - UFSC.
    •  Pós-Graduada em Atividade Física & Saúde – UFSC.
    •  Coordenadora do Projeto MEXA-SE NA SAÚDE PELA 3ª IDADE, desenvolvido pela prefeitura de Florianópolis - SC.
    •  Mestranda em Ergonomia – Engenharia de Produção – EPS/UFSC
    •  Membro de Bancas Examinadoras de Diversas Monografias/TCCs (UFSC – UDESC).
    •  Supervisora de estágio em Educação Física na Prefeitura Municipal de Florianópolis/SC.
    •  Ciências Contábeis – Centro Sócio Econômico – CSE/UFSC.
    •  Massoterapeuta.
    •  Especializada em Drenagem Linfática Manual Método Földi – Reg. FEPLAM Nº. 23512
    •  Especializada em Espondiloterapia
    •  Aromaterapeuta
    •  Fundadora e Professora da Escola Fisio Vitae

     

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