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Dia
após dia a busca ensandecida por uma beleza estereotipada faz vítimas.
O fato é que todas as mulheres hoje parecem querer cabelos lisos,
escorridos. Para isto, o método da vez é a polêmica
escova progressiva que há mais de ano está na mídia
pelos resultados que promove aumentando a beleza dos cabelos, mas também
pelas complicações decorrentes de algumas misturas químicas
onde se encontra o irritante e cancerígeno formol.
Lembro-me ainda hoje de minhas aulas de anatomia, quando, nas dissecações
dos gelados corpos dos cadáveres, éramos obrigados a ficar
imersos num ambiente que exalava formol. Até os dias de hoje não
me lembro de ninguém com quem tenha conversado, e que trabalha
na área da saúde, que tenha tido algum tipo de problema
sério com o formol nas aulas daquela matéria. Quem sabe
algumas referências a uma pequena dermatite nas mãos, naqueles
que ousavam a dissecar sem luvas (o que não é adequado),
quem sabe uma piora de quadro de rinite ou conjuntivite. Até mesmo
um quadro de enxaqueca, mas nada muito sério.
Sobre o fato de ser cancerígeno, é reconhecida esta característica
do formol, e por isto, devemos evitar exposições recorrentes,
prolongadas ou desnecessárias a este agente.
Sobre as mortes e problemas de saúde imediatamente após
as escovas progressivas, gostaria de mais informações. De
uma investigação mais minuciosa e rigorosa. Uma vez que
a ANVISA determinou que a dosagem máxima deste ingrediente é
de 0,2%, não creio que esta dosagem venha a trazer complicações
mais severas.
Ao mesmo tempo, sabemos que laboratórios clandestinos (que oferecem
suas fórmulas, sem informações sobre ingredientes
e dosagens dos mesmos), costumam ser fonte de produtos para muitos que
se dizem profissionais da área de cabelos. Reforço o que
disse na frase anterior: para muitos que se dizem profissionais da área
de cabelos. Tenho convicção que um profissional de verdade,
ético e ciente da responsabilidade de praticar métodos que
estão proibidos segundo determinações de órgãos
regulamentadores sérios como a ANVISA, nunca utilizaria produtos
sem registro, fora das normas, e exporia seus clientes a riscos.
Se o formol foi ou não o causador das mortes sobre as quais a mídia
está divulgando? Repito o que disse sobre acreditar que investigações
mais detalhadas deverão ser realizadas. Porém, na dúvida,
o que toda a pessoa que preza por sua saúde deveria fazer, cabeleireiro
ou não, é evitar o método. Não há motivos
para expor a vida de ninguém a risco por conta de ficar com cabelos
mais bonitos, mais lisos ou mais fáceis de pentear.
Um
Abraço,
Dr. Ademir Júnior
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