Nesta semana o site da BBC publicou uma nota sobre a solicitação da Sociedade Britânica de Tricologia para que fosse proibido, na Grã-Bretanha, a utilização do alongamento capilar ou mega hair.
A alegação é a de que o uso destes métodos pode causar alopecia de tração. Alopecia de tração é uma manifestação clínica do grupo das alopecias cicatriciais, ou seja, alopecias que evoluem com lesão dos folículos pilosos que passam a ser substituidos por uma fibrose (cicatriz).
O folículo que evolui assim não produz mais cabelo e a área acometida não recupera mais os fios cujas raízes foram danificada. Acho válido que as pessoas saibam que a alopecia de tração pode ocorrer com o uso do mega hair ou de alongamentos que são colados ou entrelaçados nos cabelos dos pacientes.
Entendo que toda informação que ajuda na prevenção das doenças é sempre bem vinda. Ainda mais porque vejo um grande número de pacientes que usam alongamentos e que realmente desenvolvem, após um longo tempo de uso destes métodos, uma alopecia de tração.
Também percebo que as pessoas que evoluem com este tipo de problema são, em sua maioria, aquelas que deixam de fazer manutenções recorrentes do seu alongamento, que não costumam seguir as orientações dos cabeleireiros, ou que não sabem a hora de deixar de usar para minimizar o risco de problemas.
Não vou fazer propaganda do método pois sei que precisa de cuidados contínuos e regulares para não trazer inconvenientes, mas vou colocar um ponto de vista que pouca gente para para pensar: Algumas pessoas colocam alongamentos ou mega hair porque tem pouco cabelo ou porque foram vítimas de outras formas de alopecias. Muitas delas recuperam a auto estima, a auto confiança e conseguem ficar livres de quadros de ansiedade ou depressão por terem pouco cabelo.
Será que para estas pessoas o alongamento foi prejudicial?
Será que não está fazendo mais bem do que mal, principalmente porque estamos diante de um quadro que transcende a questão estética, mas que envolve problemas psicossociais?
Vejo pacientes com pouquíssimo cabelo e que vem me pedir ajuda para melhorarem a quantidade e a qualidade dos fios que ainda lhes sobram.
Deprimidas, muitas delas deixam participar de eventos sociais, de lazer, evitam relacionamentos afetivos, se isolam, não se sentem confiantes o suficiente em entrevistas de emprego (apesar de muitas vezes serem competentes para o emprego em questão), entre tantas outras situações que só quem sofre com o problema sabe o que significa.
Ainda que prescrevendo um tratamento clínico para tratar da alopecia de base destes pacientes, muitas vezes não proibo que façam uso de próteses (perucas), alongamentos ou mega hair.
Isto porque vejo que muitos tratamentos surtem mais efeito se a pessoa tratada está de bem consigo mesma. Se consegue sair na rua sem acreditar que será vítima da piedade de algumas pessoas que comentarão sobre suas alopecias.
Mais que isto, com a certeza de saberem que não serão vítimas de piadas maldosas de gente com educação limitada e que tem por hábito tripudiar em cima de quem sofre com problemas de saúde ou estéticos.
Algum dos leitores já parou para pensar no alongamento ou mega hair sob este ponto de vista? Será que a discussão sobre a proibição não muda de figura quando estamos diante de situações como estas citadas acima?
Acredito que tudo o que envolve saúde e prevenção de doenças passa pelo crivo do bom senso. Repito, sou contra o uso descuidado do alongamento ou do mega hair. Sei que muita gente abusa e tenho certeza que estes podem pagar caro por este abuso podendo vir a sofrer com a alopecia cicatricial de tração.
Mas não sou contra o mega hair e nem acho que deva ser proibido. Para finalizar existem outras causas de alopecia de tração: elásticos, arcos (tiaras), presilhas, piranhas, tranças, dread locks.
Sobre os elásticos, presilhas e piranhas, posso garantir que são muito mais utilizados do que o mega hair. Boa parte deles vendidos em supermercados, farmácias, lojinhas, camelôs.
Milhões de pessoas se submentendo a estes artifícios para manter seus cabelos presos e tracionados, sob o risco de desenvolverem alopecia de tração. Logo, como estes objetos são possíveis causadores deste tipo de alopecia deverão ser também submetidos à discussão sobre sua proibição?
Exagero! Puro exagero!
Álcool causa muito mais problema para a saúde e não é proibido. Cigarro causa muito mais problema para a saúde e não é proibido. Sal em excesso, açúcar em excesso causam muito mais mal para a saúde e não são proibidos. Apesar disto, médicos, profissionais de saúde e a mídia divulgam corriqueiramente sobre o risco do uso/consumo destas substâncias.
Caberá ao livre arbítrio de cada um usar ou abusar delas.Minha opinião/sugestão: Não acho que devemos dar seguimento às discussões sobre proibição ou não proibição do mega hair ou alongamento.
Há outras soluções para que os clientes deste tipo de serviço possam ser avisados de eventuais problemas com o método. Acredito que quem está querendo se submeter a um procedimento de alongamento capilar ou mega hair deveria receber no salão onde irá colocá-lo um termo de consentimento para ser assinado pelo cliente com todas as informações relacionadas aos problemas que acompanham o método e sobre o não seguimento de cuidados básicos quanto ao seu uso.
Caberá ao cliente, ao ler o termo de consentimento, decidir por sí só se deve ou não utilizar e arcar com os riscos de não cuidar de seus cabelos e couro cabeludo para prevenir a alopecia de tração.
E assim, finalizo esta discussão, reforçando que a Sociedade Britânica de Tricologia sugeriu a proibição, mas o método não foi proibido (pelo menos até o momento em que escrevo este texto).
Então, não tem nada proibido.
E, no meu ponto de vista, não acho que autoridade nenhuma dará bola para esta polêmica aqui em nosso país.
Por último, só para que quem vier a ler este texto tenha acesso ao material publicado pela BBC, segue o link abaixo: BBC e Sugestão de Proibição do uso do alongamento/mega hair Postado por Dr Ademir Júnior - CRM SP: 92.69 -- Dr Ademir Júnior Av Lavandisca, 741 - Conj 25 e 26 - Moema - SP/SP Tel: 55-11-3864-3967 / 55-11-5051-2568
Um Abraço,
Dr. Ademir Júnior
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