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O
cabeleireiro se coloca ao lado, ou atrás, da pessoa sentada em
frente ao espelho, a cumprimenta-a e começa a conversar, buscando
saber o que ela deseja. Imediatamente surge um grande complicador: a maioria
das pessoas não sabe a diferença entre como deseja seu cabelo
e o que quer expressar. Se lhe perguntar o que quer, diz logo que quer
encurtar, ou não, alisar, mudar a cor, ou que quer ficar parecida
com uma pessoa famosa ou adotar a mais nova tendência que viu numa
revista. Muitas vezes o profissional percebe que o que a pessoa pretende
não é adequado, mas como lhe dizer isso?. E o que fazer
ela cliente quer algo "diferente", ou, pior, não sabe
o que quer?
Essa é a experiência de muitas pessoas quando vão
a um salão de beleza "fazer o cabelo".
Podem
sair decepcionadas e não muito diferentes do que quando entraram.
Não se acham muito parecidas com as famosas em que se modelaram
e, mesmo que estejam dentro da última moda, muitas vezes percebem
que não ficou bom para elas. Isso é frustrante tanto para
o cliente, quanto para o profissional.
A
experiência de ter sua imagem criada por um visagista é totalmente
diferente e, quando o trabalho é bem realizado, o cliente nunca
mais vai querer outra coisa. No artigo anterior falei dos benefícios
que o visagismo traz ao profissional. Neste vou falar sobre como o visagismo
afeta o cliente. Na realidade o satisfaz além de suas expectativas.
Até
receber o convite do Centro de Tecnologia da Beleza do Senac-SP para desenvolver
um trabalho de visagismo, que resultou na publicação do
meu livro Visagismo: harmonia e estética (Ed. Senac-SP) há
dois anos, pouco freqüentava salões. Desconhecia a realidade
cotidiana dos cabeleireiros, maquiladores e esteticistas. Quando lancei
o livro, comecei a conhecer salões de beleza e profissionais da
área e logo percebi que o profissional que desejasse aplicar o
visagismo, da maneira como o apresentava no meu livro, precisaria mudar
seu atendimento.
A
primeira modificação e a mais importante é descobrir
quem é a pessoa, antes de pensar em possíveis soluções
para seu cabelo. Na primeira vez em que se atende uma pessoa, o visagismo
exige um diagnóstico das características físicas
e da personalidade dela. O profissional precisa poder observar a pessoa
caminhar até a cadeira. Assim poderá analisar seu andar,
seus gestos, seu porte, sua atitude e a maneira de sentar. Se ela já
estiver sentada, o profissional se priva de todas essas informações
importantes. Quando o profissional adquire experiência, ele consegue
analisar uma pessoa em menos de um minuto e, no retorno, já a conhece,
então não precisa repetir essa etapa do processo.
É
preciso, também, conversar com a pessoa; conhecer suas necessidades,
seu estilo de vida e seus desejos. Isso significa também que tem
de estar predisposto a ouvi-la e, depois, a explicar o que pretende fazer
e como isso a afetará, tanto física, quanto emocionalmente.
Essa etapa do processo é importante para certificar-se de que atenderá
suas expectativas.
Pode
acontecer que, ao explicar que efeito o cabelo terá, a pessoa perceba
que não deseja isso.
No
retorno, esta parte do processo é mais rápida, porque a
pessoa geralmente já sabe o que deseja expressar e dará
um feedback espontâneo sobre como a sua imagem a afetou. É
nesse momento que o profissional descobre se realmente atendeu às
expectativas do seu cliente. E assim ele cresce, se enriquece e aprende.
Para
o cliente, o tempo dedicado a ele é de um valor inestimável.
Sente-se especial, valorizado e apreciado. Para muitas pessoas, talvez
a maioria, é uma experiência rara. Cria um bem-estar, que
querem repetir. Na realidade, podemos dizer que exercer o visagismo verdadeiramente
é um ato de amor fraterno.
Mas
não é só isso que diferencia a experiência.
Através do visagismo, a pessoa passa por um processo de auto conhecimento.
Conhece o formato de seu rosto, a cor de sua pele e as proporções
de suas feições. A maioria não conhece suas características
físicas, nem seus pontes fortes e seus pontos fracos. Muitas pessoas
acham que seu rosto é redondo - o que as desagrada - quando, na
realidade, não é. Essa simples descoberta pode lhe dar uma
grande alegria ou, até, resolver um trauma. Fica sabendo da lateralidade
do seu rosto e a diferença entre o lado máscara e o lado
da alma. Surpreender-se-á ao descobrir que seu rosto revela sua
personalidade e que o cabelo pode acentuar tanto as suas forças,
quanto as suas fraquezas.
Ela
se conscientizará sobre o que sua imagem atual está dizendo
de si mesma e como ela está sendo vista. Descobrirá que
sua imagem tem uma influência poderosa sobre suas relações,
tanto íntimas quanto profissionais, e que muitos problemas poderão
ser resolvidos com mudanças de corte, de coloração
ou de penteado. E o mais importante, descobrirá que sua imagem
afeta decisivamente seu comportamento e sua auto-estima, podendo criar
entusiasmo ou depressão. (ver ilustração)
Essa
conscientização leva a uma reflexão constante sobre
o que realmente deseja expressar e a percepção de que ela
poderá ser bela, se o melhor de sua personalidade for revelado,
suas características físicas positivas valorizadas e a sua
imagem for criada de acordo com os princípios de harmonia e estética.
Perceberá que poderá ter uma imagem personalizada, autenticamente
sua, e não mais procurará emprestar a imagem de outra pessoa.
No máximo, poderá desejar expressar, da sua maneira aquilo
que alguém que admira expressa, mas pensará na qualidade
da expressão e não no modo em que essa qualidade é
expressada. Essa reflexão em si é uma experiência
muita rica e também rara, que a maioria não espera ter num
salão de beleza, local geralmente associado à vaidade e
à futilidade.
Tudo
isso faz com que se passe a ter uma nova atitude em relação
à ida ao salão. Ao invés de sentir-se gastando dinheiro,
em algo supérfluo, a pessoa passará a considerar o cuidado
com sua imagem como um investimento numa prioridade. Perceberá
que um bom profissional visagista, com domínio de técnicas,
poderá lhe proporcionar grandes benefícios. Benefícios
no âmbito profissional e na esfera pessoal e elevação
de sua auto estima.
Essa
nova atitude também implica em maior fidelização,
pois a criação da imagem pessoal é um processo contínuo.
Ao longo do tempo, o profissional conhecerá melhor sua cliente.
A
situação de uma pessoa, suas necessidades e seus desejos
podem mudar de um dia para outro, mas seu ser, sua essência, permanece
sempre o mesmo. A tendência é querer ter a sua imagem feita
por quem a conhece bem e que acompanhou as transformações
pelo que passou. Enfim, desenvolverá uma relação
de cumplicidade com seu visagista.
Uma
cumplicidade que cria bem-estar, prazer e beleza, e que faz com que cada
cliente se sinta único, valorizado e apreciado, de bem com a vida.
Como O Cérebro Processa a Imagem: Toda imagem contém símbolos
- formatos geométricos e cores, principalmente - chamados de arquétipos,
que têm o mesmo significado para todas as pessoas, independentemente
de raça, cultura ou educação.
Esses
símbolos são captados instantaneamente pelas amígdalas
do sistema límbico do cérebro, que provoca emoções
fortes, que invadem o cérebro todo e que afetam a percepção
racional. Por isso, a imagem pessoal de uma pessoa é percebida
e compreendida emocionalmente, e influencia os relacionamentos com os
outros e o próprio comportamento.
Philip
Hallawell foi educado na Inglaterra e nos Estados Unidos. É artista
plástico, escritor, arte educador, apresentador de televisão
e criador de multimídia.
Participou de mais de 50 exposições individuais e coletivas
e foi artista exclusivo da Galeria André, de 1976 a 1979. O crítico
de arte inglês Bevis Hillier o considerou um dos 5 maiores desenhistas
vivos.
É autor de três livros, À Mão Livre - A Linguagem
do Desenho (Melhoramentos, 1994, 13ª edição), À
Mão Livre - Técnicas de Desenho (Melhoramentos 1996, 6ª
edição) e Visagismo: harmonia e estética (Ed. Senac
- SP, 2003, 2ª edição).
Lecionou no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo de 1983
a 1989 e, atualmente, dirige um workshop de artes em São Paulo.
Em 2001, por causa de seu profundo conhecimento da linguagem visual, do
processo criativo e da figura humana, foi convidado pelo Centro de Tecnologia
de Beleza do Senac-SP para elaborar a apostila sobre harmonia e estética
de um curso de visagismo. Deste trabalho resultou o livro Visagismo.
Apresentou a Oficina de Desenho do programa Revistinha, na TV Cultura,
de 1989 a 1991 e, em maio 1994, criou e apresentou a série da TV
Cultura À Mão Livre - A Linguagem do Desenho. No primeiro
semestre de 1997 apresentou o Fazendo Arte no programa Pra Você
da TV Gazeta.
Em 1998 lançou o CD-ROM À Mão Livre - Workshop de
Desenho com Philip Hallawell. Também apresentou o livro O Grande
Livro da Aquarela (Ed. Melhoramentos, 1997), de Hazel Harrison.
Reside com sua esposa Sonia em São Paulo, onde mantém seu
ateliê.
Informações
de cursos, palestras e workshops:
Tel.: (11) 3112-2304
Cel.: (11) 9619-0201
email: philson@terra.com.br
Curso
Completo de Visagismo
29
e 30 de abril e 01 e 02 de maio
10hs às 19hs diariamente.
Local: Mercure Central Towers
Rua Maestro Cardim 407, São Paulo.
Inscrições: (11) 3112-2304
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