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    Flávio Gikovate
    Médico, Psicoterapeuta, Conferencista
    Tel.: (11) 3887-0657 - Fax: (11) 3885-8646

    Site: www.flaviogikovate.com.br
    E-mail:instituto@flaviogikovate.com.br

    comportamento

    Adolescência, erotismo e drogas

    Ao fazer uso de drogas, o jovem pode estar buscando vários tipos de gratificação: desafiar os pais, exibir-se para a turma e mostrar-se diferente, adulto.

     

    Temos duas tendências antagônicas: uma, na direção da integração e do aconchego que ela provoca. Outra, na direção da individualidade e do prazer de se sentir especial.

    A tendência para a integração corresponde aos nossos desejos amorosos, a nossa vontade de atenuar a sensação de desamparo, com o calor que a intimidade com determinadas pessoas nos provoca. Este lado é o que predomina durante os anos da infância.

    A criança gosta muito mais de se sentir igual e bem aceita do que se sentir especial e destacada. Ela não gosta de ser a mais pobre de sua classe, mas também não gosta de ser a mais rica! Não quer ser a mais baixa nem a mais alta.

    Para ela, o fundamental é sem bem acolhida, amada. Ser diferente da média poderá impedir que ela atinja esse objetivo. Com a chegada da puberdade, a situação se inverte. Um dos ingredientes mais importantes da nossa sexualidade adulta é a vaidade.

    A vaidade corresponde a um forte prazer erótico ligado ao destacar-se, ao chamar a atenção e atrair olhares de admiração e desejo. É evidente que alguém só chama a atenção se tiver algumas características diferentes das outras pessoas.

    Destacar-se é o oposto de integrar-se. O desejo de ser uma criatura especial e única passa a ser predominante durante os primeiros anos da adolescência. Isso, juntamente com os impulsos agressivos contra a família, explica a tendência para condutas extravagantes durante esses anos.

    Ser diferente da média incomoda aos pais e também faz com que o jovem se sinta especial e rico em erotismo – próprio da vaidade. Na realidade, o desejo de se destacar não faz com que desapareça a outra tendência – a de integração.

    O que acontece é que passamos a conviver com as duas. E isso deve ser o motivo principal pelo qual somos tão freqüentemente tencionados por dois pontos de vista – ou duas vontades – antagônicos.

    Queremos o aconchego do amor e o erotismo do destaque. Na adolescência, os jovens lutam para se tornar independentes – coisa que fará bem à vaidade –, mas não podem negar que estão despreparados para isso.

    Encontram uma solução interessante: tornam-se independentes de suas famílias e se envolvem mais intensamente com o grupo de jovens com o qual convivem.

    Radicalizam suas posições em relação à família e se integram ao grupo, passando a se comportar segundo suas regras. Tornam-se “diferentes”, mas iguais aos membros da turma! Os jovens se interessam por experimentar todo o tipo de droga, entre outras razões, porque elas são proibidas e censuradas por suas famílias.

    A necessidade de ir contra estes padrões é enorme. Mas são curiosos e querem saber tudo a respeito da vida dos adultos, condição a que estão chegando agora. Sentem também os agradáveis “calafrios” da vaidade quando já são olhados como adultos, como criaturas independentes.

    E este último ingrediente é extremamente importante para que experimentem as drogas e até mesmo se esforcem por gostar delas. Isso acontece não apenas com a maconha e a cocaína, proibidas, mas também com o cigarro e o álcool.

    Todo o ritual do uso grupal dessas drogas mostra a dependência que os jovens têm da turma. Além do fato, importantíssimo, de que um dos objetivos dessas atividades é exibir-se para o grupo como alguém capaz de condutas de adulto. O cigarro é um exemplo adequado para o que estou pretendendo demonstrar. A iniciação nem sempre é fácil, pois os brônquios rejeitam a fumaça inalada.

    É necessário esforço e determinação para vencer a tosse, a náusea e a tontura que o cigarro provoca nas pessoas não acostumadas a ele. Mas, se um rapaz for capaz de ultrapassar esses obstáculos, passará a se sentir como uma pessoa mais adulta.

    Achará que com ele acontece a mesma coisa que vê nas propagandas: as garotas notam sua presença de uma forma mais marcante! Ele é visto como um homem.

    E um homem muito especial, pois fuma a marca tal, própria dos mais nobres. O simples ato de colocar o maço de cigarros no bolso provoca uma sensação erótica. O indivíduo já se sente mais forte, mais bacana e com maiores chances de sucesso nas suas empreitadas, em geral, e nas investidas eróticas, em particular.

    As moças, por seu lado, também se sentem encantadas pelo ato de fumar. Para elas, trata-se de um símbolo de independência e de ousadia. Um símbolo de emancipação sexual!

    A mulher que fuma marca tal é livre e desperta desejos irresistíveis nos homens. Felizmente já estamos avançando em relação à questão do cigarro.

    Cada vez mais é cafona ser fumante, e isto tira o erotismo desse vício. Mas tomar determinados aperitivos ainda é muito charmoso. O mesmo acontece, de forma mais reservada, com a maconha e a cocaína.

    Com tamanho reforço do nosso lado erótico, é fácil compreender porque a tendência para o vício é tão forte.

     
    Segundo Flávio Gikovate, o adulto moderno tem duas opções, ambas muito melhores do que a relação possessiva do amor convencional - viver só, estabelecendo vínculos afetivos e eróticos mais superficiais; ou desenvolver relacionamentos baseados no que o autor chama de '+amor', sentimento que respeita a individualidade e, ao mesmo tempo, cria laços que podem durar a vida toda. Nesta obra, Gikovate mostra como seguir o segundo caminho - mais difícil, sem dúvida, mas bem mais recompensador.
     
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