|
De vez em quando, todos nós levamos um daqueles baita tombos
na vida! Ainda que, num primeiro momento, sirva para nos fazer perder
o rumo, tem de servir também para nos acordar e nos tirar
do lugar cômodo em que nos colocamos.
A vontade é de ficar gritando para o juiz aplicar o cartão
vermelho em quem nos passou a danada da rasteira. Só que
a vida não é um jogo, e sim uma escola. Estamos aqui
para aprender e não para contabilizar pontos num placar que
não vale nada.
É exatamente neste momento, em que estamos no chão,
arrasados, machucados, humilhados e perdidos, que temos a chance
de perceber para que viemos, para que amamos.
Apostamos
no amor para nos lamentar diante de seus desafios ou para aprender
a lidar de forma menos destruidora com essa avalanche de sensações
e sentimentos capazes de nos remeter a um abismo tenebroso?
Não existe um único jeito de reagir diante da dor
e do medo. Mas só há uma saída: reagir! Cada
pessoa tem o seu tempo para digerir os sentimentos aflorados numa
situação difícil, ainda que muitos, infelizmente,
nunca terminem esta digestão.
Se você compreende que nada nesta vida, nem um enorme sofrimento,
pode nos consumir indefinidamente, compreende também que
é preciso levantar e sacudir a poeira. Claro que cair dói.
E claro também que levantar não significa que a dor
já passou. Mas significa, com toda certeza, que você
está disposto a superá-la!
Sofrer, doer e chorar são reações absolutamente
aceitáveis, compreensíveis e até muito dignas,
pois evidenciam a saúde emocional de uma pessoa. Por mais
crescidos, evoluídos e conscientes que sejamos, sentir faz
parte, sofrer faz parte! Diante de uma decepção, será
sempre inevitável que nos sintamos tristes e magoados.
Porém (e muito porém, mesmo!), há uma enorme
diferença entre se sentir triste por algum tempo e se deixar
sucumbir, tornando-se sócio remido do clube das vítimas,
das pobre-coitadas.
Porque se todo mundo sofre, a diferença está basicamente
no que você pensa e faz enquanto sofre. A pessoa amadurecida
sofre aprendendo e a pessoa imatura sofre se perdendo.
A gente aprende quando observa o que aconteceu, não para
assinalar os defeitos do outro e condená-lo; não para
apontar os tropeções dele e se colocar no lugar de
certo; não para se lamentar por ter sido tão bom e
jurar que nunca mais vai acreditar no amor. Não!
A gente aprende percebendo que também cometeu enganos, que
também participou dos equívocos e que pode sair mais
inteira e mais crescida depois de qualquer problema. Fácil?
Rápido? Simples?!? De forma alguma!
Talvez levemos meses ou anos até descobrir como podemos ser
melhores, como podemos viver o amor de modo que uma relação
não seja uma muleta e sim um presente precioso. Que não
seja um remédio para nosso desespero, afinal amar não
é depositar sobre o outro todas as nossas frustrações
e medos.
A gente cresce enquanto vive e erra enquanto aprende! Que isso fique
bem claro, para que você entenda por que – de fato –
não adianta ficar preso em acusações e lamentações.
A vida anda! Os dias passam. O mundo não pára enquanto
você fica prostrado num passado doloroso. Lá, definitivamente
não há nada que valha a pena.
Sei que uma das maiores decepções que podem nos acontecer
numa relação de amor é uma traição,
seja de qualquer ordem, mas especialmente a emocional-sexual. Entretanto,
ainda assim, quando a gente está decidida de fato, é
possível superar. Claro que o outro também tem de
querer. Mas independentemente do que o outro quer, há que
se viver uma superação pessoal!
Foi traído? Pois muito bem: este não é, infelizmente,
um ‘privilégio’ somente seu! Já sofreu
o bastante? Já se culpou, culpou o outro, chorou, xingou
e jurou a si mesmo que nunca mais seria tão tolo?!? Ok! Agora
levanta, lava esse rosto, alivie esse coração e saia
para a vida!
Perceba que de nada adianta ficar aí se remoendo, definhando,
murchando e deixando que todo o seu brilho se apague por causa da
escolha do outro. Viva a sua vida! Faça as suas escolhas.
Seja você, sem que isso signifique uma vingança, porque
toda vingança é, no final das contas, uma agressão
praticada contra si mesmo.
Dói sim, porque você é gente! Mas não
se aniquile! Permita-se levantar depois do tombo. Permita-se ser
feliz novamente, apesar de todas as lágrimas derramadas.
Saiba-se melhor depois de uma dor que te dilacera, mas que também
te faz renascer ainda melhor do que tem sido!
|