Infelizmente não consigo compartilhar de ponto de vista assim otimista. Em primeiro lugar, suspeito que a perfeição corpórea dos homens seja capaz de despertar efetivamente o desejo sexual das mulheres.
Sei de várias que estão encantadas com seus “personal trainers” ou professores de tênis; mas, como regra, têm histórias com estes “apolos” em paralelo com seus casamentos, estabelecidos segundo os padrões tradicionais em que seus maridos são um tanto gordinhos mas protetores e também provedores.
Mesmo se o homem bem cuidado for capaz de despertar o interesse feminino de um forma nova, ainda assim suspeito que se trata do estabelecimento de um novo valor social, o da aparência física.
Assim, este novo valor passa a ter a mesma importância dos outros – as virtudes de caráter, a posição social, educação etc. Não consigo ver nenhum indício de desarmamento no que está acontecendo na atualidade.
Entre homens e mulheres está acontecendo a mesma guerra de uma forma cada vez mais acirrada:
a preocupação crescente com a aparência física corresponde, ao meu ver, ao ato de afiar as lâminas das espadas e dos punhais.
Não estamos diante de uma condição onde o que se busca é o prazer compartilhado e sim uma disputa pelo poder. As mulheres sempre usaram sua beleza e sensualidade como arma para neutralizar o poder social e econômico dos homens e estão fazendo isso de forma cada vez mais intensa.
E agem desta maneira mesmo aquelas que têm se dedicado cada vez mais ao trabalho e à busca da sua independência econômica. Assim, passam a ter o poder econômico e não abdicam do poder sensual.
Os homens, que nunca abdicaram do poder econômico como instrumento de dominação e opressão das mulheres, estão tentando fazer o mesmo caminho, qual seja, se apropriarem também do poder sensual, com o qual pretendem esquilibrar a guerra que eles sentem estar cada vez mais perdida.
Ficam tristes aquelas pessoas que, como eu, sonham mesmo é com o fim da guerra.
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