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O que explica reações tão contrastantes e diferentes diante de um mesmo fato, imagem ou acontecimento?
Tudo depende da forma de ver e compreender, de como recebemos as mensagens e impressões do mundo e, mais do que isso, depende de como fomos educados para ver, registrar, analisar e decodificar as mensagens recebidas. Sim, porque isso também requer educação. |
Chamados de espelho da alma, os olhos trabalham nos dois sentidos: de dentro para fora e de fora para dentro. Transmitem aquilo que nossos lábios não podem, não querem, ou não têm coragem de transmitir e também recebem imagens que nos acalmam ou agridem, nos paralisam ou nos convocam à ação. Um simples olhar pode ser tão cruel quanto palavras só pensadas mas não ditas e gestos não concretizados; nosso olhar pode ser gélido, acusador, cínico... ou então, compassivo, acolhedor, amoroso...
O como essa leitura se processa e outras mensagens são enviadas depende da educação do olhar. Como todo nosso ser, os olhos são educados para ver o bem e o belo, ou o feio e o errado. Nossos olhos buscam aquilo que estão acostumados e treinados a ver.
Educar o olhar implica uma alteração da nossa percepção de mundo, de nosso padrão de pensamento e de respostas porque o mundo se mostra da mesma maneira a todos nós. É a forma de ler essa mensagem que pode ser mais ou menos tolerante, compassiva ou negativa. E isso também pode ser modificado. Tal mudança, no entanto, só ocorre com uma alteração no ponto onde se origina nosso olhar: o coração. E isto pressupõe esforço, disposição adquirida e treinada para ver o bem em lugar do mal, a essência atrás das aparências, o todo em lugar do individual e a futura flor em lugar do botão.
Somente quando essa disposição for transformada em realidade prática, a princípio esporádica e depois permanente, é que começaremos a ver com os olhos da alma...
Somente então é que dos olhos transbordarão sentimentos como compaixão, tolerância, gratidão, generosidade, alegria interior, amor.
Como todo processo educativo, este é um trabalho longo, árduo e progressivo. Tem início e ambiente privilegiado na família, continua na escola, no trabalho, no convívio social, religioso e por toda a vida.
Depende, no início, daquilo que nos é mostrado, do incentivo que recebemos, e depois de nós mesmos, do que cultivamos, do que acalentamos em nossa vida. Mais que respostas disparadas por um impulso exterior, vindo de fora para dentro, o que se expressa através de nossos olhos vem de dentro para fora.
Será que esse olhar independe da paisagem e do entorno? Será que a paisagem circundante, seja ela natural ou artificial, também influencia nosso olhar, nos atinge? Isto já é tema para outro artigo.
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