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    Anita Di Marco

    Arquiteta, professora de yoga (aulas individuais, em grupo e oficinas)  e tradutora. 
    E-mail: anitadimarco@yahoo.com.br


     

     

    Em artigo anterior, falou-se de um olhar educado, treinado para ver o bom, o belo, a essência. No entanto, falou-se também dos dois sentidos do olhar: de fora para dentro e de dentro para fora. Quando o assunto é o olhar, há ainda uma outra forma de instrução que pressupõe a educação do fazer, do agir e do mostrar: como criar à sua volta um entorno adequado ao desenvolvimento da sensibilidade do olhar?

    Como minimizar o desconforto trazido por uma cidade abafada, fria, sem verde, barulhenta, árida?

    Alguns dirão com arte, beleza e estética. É verdade, mas principalmente com pequenos atos no cotidiano, fazendo a nossa parte.

    Entorno, paisagem, ambiente imediato. Em se tratando de espaço físico, tudo nos influencia, penetra em nossos corações, nos contamina, nos agride, nos protege, ou nos move; pode elevar nossos espíritos quanto nos deprimir, educar ou deseducar. Daí a importância e a responsabilidade de pais, filhos, educadores, professores, urbanistas, arquitetos, pintores, artistas, cineastas, enfim cidadãos que compartilham de um único espaço: da imensa casa representada pela nossa cidade, do ambiente macro que nos circunda.

    Assim como escolhemos palavras e imagens adequadas para melhor falar com as crianças, devemos assumir também nossa responsabilidade pelos ambientes e cenários que oferecemos a elas, ao ser humano em geral, como contraponto à grande quantidade de lixo visual, auditivo e sonoro com que nos confronta o cotidiano.

    Da casa para a rua e para a praça; destas para o bairro, a cidade, o país, para o planeta.

    Engano daquele que pensa que sua ação não influencia o todo; influencia sim, como uma gota no mar. Experimentem tirar todas as gotas do mar para ver o que sobra...

    Tudo é uma questão de escala e de consciência. A atitude é a mesma: se cada um cuida bem de sua casa, seu jardim ou quintal, por que não cuidar bem da praça, da rua, do bairro, da cidade? Se não se joga lixo, ou um ‘simples' papel de bala no meio da sala, por que jogar lixo pela janela do carro, do ônibus? Por que jogar ‘ disfarçadamente 'no meio da rua, na calçada ou naquele cantinho escondido? ‘Parece que ninguém está vendo'. Mas NÓS estamos vendo, nós sabemos, ou seja, mentimos para nós mesmos. Melhor guardar o papel na bolsa, procurar uma lata de lixo, ou esperar até chegar em casa.

    Com esses pequenos cuidados, atenções e atos conscientes, a praça, o parque, o bairro e a cidade ficam muito mais limpos, agradáveis, saudáveis para todos e também nos acolhem e agradecem.

    A conscientização dessas atitudes passa pela apropriação de espaços comuns, que também são nossos; pela maturidade e prática da cidadania; pelo assumir responsabilidades, inteirar-se, participar, enfim ser cidadão, fazer a sua parte.

    Isto é assumir a responsabilidade pela própria vida, a partir de nosso olhar, sem esperar tanto dos outros, sejam estes outros a própria sociedade ou o Estado.

    Todos nós fazemos parte deste conglomerado humano e urbano; todos somos responsáveis e, como num grande jogo de dominó, quando todas as peças começam a se encaixar, tudo começa a melhorar. Só depende de cada um. Maturidade, atitude e consciência.

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