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    Rodrigo Lomba
    Jornalista
    e-mail:rodrigolomba@vidaestetica.com.br
    Tel.: (21) 3816.4402

    Comportamento

    Vaidade sim, porque não?

    ESSES MOÇOS, POBRES MOÇOS,

    AH! SE SOUBESSEM...

    por DRA. MÔNICA NICOLA - PSICANALISTA

    Anos 40 – Os homens se encontram para conversar. Onde? Na barbearia. O barbeiro era o centro da vida política e social, sua localização era sempre no meio de lugares comuns a passagem de todos, onde se podia ver e ouvir tudo. Os homens sentavam-se nas antigas e confortáveis cadeiras de encosto de couro macio e se deixavam tratar:

    Creme, barba, toalha quente e para abrir os poros, cabelo aparado, gel fixado...saíam de lá perfumados e de cara limpa, Ah! E claro, muito bem informados.

    Anos 50 - As unhas foram incluídas, pintadas de incolor, moda francesa. As mulheres da época iam às modistas e aos centros de beleza, mas na maioria das vezes as cabeleireiras vinham em casa, na verdade o termo era as penteadeiras. Daí a origem do nome do móvel com espelhos que algumas tem em casa até hoje.

    Com o passar dos anos... as preocupações masculinas, o crescimento econômico, os bares , cafés e restaurantes tomaram o lugar das barbearias. O surto machista também deu um pouco de freio neste zelo pela vaidade. O lugar da estética passou para as mulheres com cabeleireiros ou Maison de estética e beleza, institutos.

    Os cosméticos industrializados chegaram nas prateleiras e as mulheres descobriram a maravilha dos cremes, da pele sedosa e das cores nos cabelos e nas unhas. Nessa nova descoberta sobrou pouco espaço para o tradicional barbeiro masculino.

    Anos 90 / virada do século – Um novo pensamento invade as passarelas e faz com que os homens se tornem ícones de beleza, o cinema, o teatro a tv nos apresenta homens com cortes de cabelos ousados e beleza tratada.

    O culto ao corpo transforma os homens em verdadeiros narcisos e perdem totalmente a vergonha de irem atrás da beleza perfeita. As academias trouxeram de volta a imagem do deus Apolo com músculos delineados.

    As lojas se especializaram em moda masculina para todas as idades e jogou fora o padrão cinza, marinho e reto de ser. Cores nas roupas e nos cabelos tingidos. Gel, brilho. Os metrosexuais atacam no inicio do novo século.

    O prazer de ser belo é compatível com o espelho sem frustrações. A estética atinge agora homens e mulheres em todas as faixas etárias. Os homens conquistaram a coragem de não acharem bobagem serem bonitos. A vaidade, um dos 7 pecados capitais, também pertence a eles.

    Hoje eles buscam as roupas que lhe satisfazem, combinam peças e se entregam as clinicas de estética e muitas vezes ao bisturi. Fazem alterações para atingirem ao que desejam. Cuidam-se, massageiam-se, compram cremes. A industria da estética abre mercado novo investindo no masculino e porque não? Homens e mulheres se atraem e se desejam.

    Mas para desejar ao outro se faz necessário que eu deseje a mim mesmo; que eu me ame sem exageros, mas me ame, e me respeite; saiba meus limites e tenha segurança em demonstrar aquilo que sou e posso oferecer. Isto não se trata apenas do aspecto psíquico, mas do físico.

    Devo confessar que na maioria das vezes é o aspecto físico que conta para uma boa psique. Quer saber como? Quando gostamos de nós como somos e sabemos estabelecer nosso limite de possibilidades em nosso corpo, nos aceitamos, tratamos de tentar melhorar o que não nos faz sentir bem e estamos facilitando nossa própria aceitação e estabelecendo uma harmonia entre nosso corpo e nossa mente.

    Os homens cheirosos, cuidados, que buscam no corpo também um lugar de prazer e de harmonia, nos oferecem algo mais nas relações. Aqueles que menosprezam esta parte no fundo são bons invejosos.

    Dou parabéns a estes homens capazes de usufruir e cuidar do próprio corpo com prazer e vaidade. Este pecado que se não for doentio ou exarcebado, é o melhor dos pecados e nos faz tão bem.

    Artigo escrito com exclusividade para a Editora/Revista Vida Estética e-mail Dra. Monica: m.nicola@terra.com.br

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