ESSES MOÇOS, POBRES MOÇOS,
AH! SE SOUBESSEM...
por DRA. MÔNICA NICOLA
- PSICANALISTA
Anos 40 – Os homens se encontram para conversar. Onde? Na barbearia.
O barbeiro era o centro da vida política e social, sua localização era sempre no meio de lugares comuns a passagem de todos, onde se podia ver e ouvir tudo.
Os homens sentavam-se nas antigas e confortáveis cadeiras de encosto de couro macio e se deixavam tratar:
Creme, barba, toalha quente e para abrir os poros, cabelo aparado, gel fixado...saíam de lá perfumados e de cara limpa, Ah! E claro, muito bem informados.
Anos 50 - As unhas foram incluídas, pintadas de incolor, moda francesa.
As mulheres da época iam às modistas e aos centros de beleza, mas na maioria das vezes as cabeleireiras vinham em casa, na verdade o termo era as penteadeiras. Daí a origem do nome do móvel com espelhos que algumas tem em casa até hoje.
Com o passar dos anos... as preocupações masculinas, o crescimento econômico, os bares , cafés e restaurantes tomaram o lugar das barbearias. O surto machista também deu um pouco de freio neste zelo pela vaidade.
O lugar da estética passou para as mulheres com cabeleireiros ou Maison de estética e beleza, institutos.
Os cosméticos industrializados chegaram nas prateleiras e as mulheres descobriram a maravilha dos cremes, da pele sedosa e das cores nos cabelos e nas unhas.
Nessa nova descoberta sobrou pouco espaço para o tradicional barbeiro masculino.
Anos 90 / virada do século – Um novo pensamento invade as passarelas e faz com que os homens se tornem ícones de beleza, o cinema, o teatro a tv nos apresenta homens com cortes de cabelos ousados e beleza tratada.
O culto ao corpo transforma os homens em verdadeiros narcisos e perdem totalmente a vergonha de irem atrás da beleza perfeita.
As academias trouxeram de volta a imagem do deus Apolo com músculos delineados.
As lojas se especializaram em moda masculina para todas as idades e jogou fora o padrão cinza, marinho e reto de ser.
Cores nas roupas e nos cabelos tingidos. Gel, brilho. Os metrosexuais atacam no inicio do novo século.
O prazer de ser belo é compatível com o espelho sem frustrações. A estética atinge agora homens e mulheres em todas as faixas etárias.
Os homens conquistaram a coragem de não acharem bobagem serem bonitos. A vaidade, um dos 7 pecados capitais, também pertence a eles.
Hoje eles buscam as roupas que lhe satisfazem, combinam peças e se entregam as clinicas de estética e muitas vezes ao bisturi.
Fazem alterações para atingirem ao que desejam. Cuidam-se, massageiam-se, compram cremes.
A industria da estética abre mercado novo investindo no masculino e porque não?
Homens e mulheres se atraem e se desejam.
Mas para desejar ao outro se faz necessário que eu deseje a mim mesmo; que eu me ame sem exageros, mas me ame, e me respeite; saiba meus limites e tenha segurança em demonstrar aquilo que sou e posso oferecer. Isto não se trata apenas do aspecto psíquico, mas do físico.
Devo confessar que na maioria das vezes é o aspecto físico que conta para uma boa psique. Quer saber como?
Quando gostamos de nós como somos e sabemos estabelecer nosso limite de possibilidades em nosso corpo, nos aceitamos, tratamos de tentar melhorar o que não nos faz sentir bem e estamos facilitando nossa própria aceitação e estabelecendo uma harmonia entre nosso corpo e nossa mente.
Os homens cheirosos, cuidados, que buscam no corpo também um lugar de prazer e de harmonia, nos oferecem algo mais nas relações.
Aqueles que menosprezam esta parte no fundo são bons invejosos.
Dou parabéns a estes homens capazes de usufruir e cuidar do próprio corpo com prazer e vaidade. Este pecado que se não for doentio ou exarcebado, é o melhor dos pecados e nos faz tão bem.
Artigo escrito com exclusividade para a Editora/Revista Vida Estética
e-mail Dra. Monica: m.nicola@terra.com.br |