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    Flávio Gikovate
    Médico, Psicoterapeuta, Conferencista
    Tel.: (11) 3887-0657 - Fax: (11) 3885-8646

    Site: www.flaviogikovate.com.br
    E-mail:instituto@flaviogikovate.com.br

    comportamento

    A capacidade de ser anticonvencional

     

    Entendida a liberdade como agradável estado de espírito derivado de uma coerência a maior possível entre idéias e atitudes, deveríamos tentar entender agora por que tal postura diante da vida é tão rara.

    E a primeira coisa que gostaria de assinalar é a seguinte: num período como o que estamos vivendo, o primeiro obstáculo à liberdade é a existência de uma enorme confusão no mundo das idéias; parece ser muito incomum que alguém tenha idéias definidas e claras, de modo que nessas condições sua conduta deveria refletir suas contradições internas; ou então o indivíduo se mantém em uma dada direção – apesar da contradição interna – até que clareiem melhor suas idéias.

    Este aspecto é, a meu ver, secundário para a questão da liberdade; o básico é o temor do desafeto e das represálias em geral, ao qual está sujeito o indivíduo que não se comporta conforme os padrões usuais e tidos como aceitáveis.

    Estruturas sociais repressivas – e creio que são tanto mais repressivas quanto mais sofisticados os agrupamentos sociais – agem sobre cada indivíduo tal que o não comportar-se conforme as expectativas aparece sob a forma de não dispor dos meios materiais de sobrevivência em virtude de não encontrar trabalho.

    Comportamentos não convencionais determinam também a possibilidade de o indivíduo não ser amado, sendo esta uma das sanções quase que insuportáveis para os homens.

    Assim, para sermos amados por nossos pais, colegas e parentes, teremos de agir de modo que não ofenda suas maneiras de ser e de pensar – sim, porque cada um toma a si como um modelo de perfeição a ser proposto especialmente para os filhos, apesar de que a própria pessoa pode se sentir brutalmente infeliz e insatisfeita.

    As represálias sociais são de tipo análogo: o indivíduo que não se comporta conforme o usual é rejeitado e desprezado; não poderá continuar a se sentir parte integrante daquela coletividade, além de ser punido em suas pretensões de ordem material.

    De outra forma, pode se dizer que a liberdade se confunde com a capacidade de uma pessoa de prescindir do amor das outras. O medo da liberdade, presente em todos nós, não é infundado, pois em sociedades como a nossa cada um funciona como repressor dos outros, de tal forma que a liberdade confunde-se com desafetos e solidão.

    Uma pessoa será, portanto, tanto mais livre quanto menos interessada e preocupada estiver com a opinião e, portanto, o afeto – das outras. Terá que estar suficientemente forte para suportar as represálias de todo tipo, mas principalmente a sensação de desamparo na medida que uma pessoa se perde de suas convicções – o que significa afastar-se da agradável sensação de liberdade – por temor das represálias, tenta recuperar algum tipo de prazer exibicionista através da busca de destaque social dentro das regras do jogo existente.

    E, ao perseguir tal objetivo – do qual já não está plenamente convencida –, tenderá a se afastar cada vez mais de suas idéias e pensamentos iniciais, de tal maneira que a sensação íntima é cada vez mais desagradável e insatisfatória; e isto será verdadeiro mesmo para aquelas criaturas que sucederem plenamente nesta busca de destaque social.

    Serão admiradas e invejadas pela grande maioria dos seus contemporâneos, porém se sentirão profundamente infelizes e frustradas; e mais profundamente solitárias, apesar de terem feito tais concessões para evitar essa dolorosa sensação.

     
    Segundo Flávio Gikovate, o adulto moderno tem duas opções, ambas muito melhores do que a relação possessiva do amor convencional - viver só, estabelecendo vínculos afetivos e eróticos mais superficiais; ou desenvolver relacionamentos baseados no que o autor chama de '+amor', sentimento que respeita a individualidade e, ao mesmo tempo, cria laços que podem durar a vida toda. Nesta obra, Gikovate mostra como seguir o segundo caminho - mais difícil, sem dúvida, mas bem mais recompensador.
     
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