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    Flávio Gikovate
    Médico, Psicoterapeuta, Conferencista
    Tel.: (11) 3887-0657 - Fax: (11) 3885-8646

    Site: www.flaviogikovate.com.br
    E-mail:instituto@flaviogikovate.com.br

    comportamento

    A propósito do luto (IV)

     

    Farei mais algumas considerações a respeito da tristeza derivada da perda por morte.

    Elas dizem respeito tanto à morte de pai e mãe como de filhos. Antes de mais nada, é preciso dizer que se trata de situações bastante diferentes, uma sendo esperada e outra, a da perda de um filho, dramática e de superação muito difícil.

    A idéia da morte dos nossos pais, quando já somos adultos e eles estão mais velhos, é algo que, de certa forma, nos perturba até mesmo antes de estarmos diante saber que são portadores de uma doença grave).

    A ansiedade provocada pela hipótese de que poderemos ser acordados no meio da noite com alguma notícia ruim nos faz sobressaltados quando o telefone toca depois do horário usual; isso pode nos acompanhar por anos a fio.

    Quando a morte ocorre experimentamos uma forte dor, a sensação de não termos mais raízes, de estarmos perdidos e soltos no mundo. Isso afora a saudade e a falta que aquela criatura pode fazer em nosso cotidiano (e que depende da natureza do vínculo que persistiu ao longo da vida adulta).

    Sofremos muito e o luto se caracteriza pela incapacidade que temos de nos divertir. Por um tempo (oficialmente um ano, ou seja, o tempo de todas as datas comemorativas serem passadas sem sua presença) só conseguimos nos ocupar das tarefas cotidianas e daquilo que chamamos de trabalho.

    Meu ponto de vista é o seguinte: devemos tentar sofrer o mínimo de tempo possível. Ou seja, não acho que quem sofre por mais tempo e vive um luto fechado dá maiores demonstrações de amor por quem se foi.

    Acho que pessoas mais maduras emocionalmente (as que lidam bem com frustrações e contrariedades) e as que desenvolveram uma docilidade diante da nossa condição de incerteza e de desamparo acabam funcionando como o “João Bobo”, aquele boneco que cai com facilidade, mas imediatamente depois se põe de pé.

    Ou seja, não consigo pensar que seja legal, digno, profundo e consistente o sofrimento pelo sofrimento. Ele deve ser tratado como inexorável, como algo a ser vivenciado de forma construtiva (aprender o que der para aprender daquela dor) e pelo menor tempo que conseguirmos.

    Superar o luto é o objetivo daquele que está sofrendo; não deveria se deixar embalar e muito menos se sentir engrandecido pelo sofrimento.

    Sei que tudo isso é muito mais difícil quando se trata da perda de um filho, talvez a maior dor que se possa ter que passar nesta vida (especialmente quando o filho já é adulto e a gente não tão velho para ter uma relação de mais indiferença em relação à morte).

    A docilidade diante do destino que nos derrubou terá que ser maior ainda, a dor e o luto mais penosos; porém, penso que não adianta nada blasfemar e que o que temos que fazer é mesmo tentar seguir em frente e lançar mão de todas as nossas forças para tentar levantar o quanto antes.

    Se não conseguirmos fazê-lo sozinhos, devemos lançar mão tanto de grupos de auto-ajuda, como de medicamentos e psicoterapias.

     
    Segundo Flávio Gikovate, o adulto moderno tem duas opções, ambas muito melhores do que a relação possessiva do amor convencional - viver só, estabelecendo vínculos afetivos e eróticos mais superficiais; ou desenvolver relacionamentos baseados no que o autor chama de '+amor', sentimento que respeita a individualidade e, ao mesmo tempo, cria laços que podem durar a vida toda. Nesta obra, Gikovate mostra como seguir o segundo caminho - mais difícil, sem dúvida, mas bem mais recompensador.
     
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