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    Anita Di Marco

    Arquiteta, professora de yoga (aulas individuais, em grupo e oficinas)  e tradutora. 
    E-mail: anitadimarco@yahoo.com.br

    A Propósito do Natal

    Natal é celebração de luz, renascimento e amor. Qualquer que seja a religião, o homem celebra essa data e a humanidade se une, ou deveria se unir mais, não em torno do consumismo e da mesa muito mais que farta, mas em torno do aniversariante, do real significado da data.

    Na verdade, a celebração do eterno renascer desta criança deveria trazer mais luz, consciência, tolerância e compreensão a todos os homens. O mundo, porém, continua cheio de preconceito, egoísmo, intolerância e desamor.

    O brilhante e lúcido Frei Betto tem uma expressão bastante forte, tristemente verdadeira - o Natal, diz ele, é um nó no peito:

    “Para nós, adultos, Natal é um nó no peito. É uma época em que muitos reclamam de desconforto; esse desconforto é o desafio de NASCER DE NOVO e se desvestir da inveja, da maledicência, do orgulho, dos ressentimentos, da vaidade, dos preconceitos tolos e tirar a trave do próprio olho, antes de apontar e ver os ciscos do outro. Lutamos pelo time da VIDA ou pelo time da MORTE? Agimos, de fato, no íntimo de cada um de nós, defendendo a irredutível sacralidade de cada ser humano, imagem e semelhança de Deus?”.

    Infelizmente, grande parte da humanidade ainda não luta no time da vida; ainda imperam o egoísmo, a inveja, a hipocrisia; o homem ainda aponta o dedo para os outros e esquece de fazer uma auto-análise, uma autocrítica real, consciente e verdadeira.

    O Natal representa o encontro consigo mesmo, com nosso Cristo interior, com essa partícula divina presente em cada ser humano, cuja sacralidade desrespeitamos todo o tempo com nossas atitudes. No entanto, a cada novo dia o Natal, como renascimento, deveria ser celebrado no reencontro consigo mesmo, em um trabalho cotidiano.

    Como em todo trabalho sobre si mesmo, o esforço deve ser individual, contínuo, silencioso, solitário. Não é preciso palco, não é preciso multidão, nem aparato especial: o encontro consigo mesmo se faz na individualidade de cada um, no fundo de nosso ser, no silêncio interior. Mas como já abordado em artigo anterior, o mundo foge do silêncio, foge do estar consigo mesmo, talvez por medo de encontrar a imensidão de nosso interior.

    Que cada um, a cada dia, e em especial no dia de Natal, celebre com sua família, seus amigos e com os menos favorecidos a alegria deste renascer, sem esquecer de celebrar no silêncio de sua individualidade a alegria pelo dom da Vida e do entendimento.

    Luz e paz a todos.

    Anita Di Marco


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