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    Flávio Gikovate
    Médico, Psicoterapeuta, Conferencista
    Tel.: (11) 3887-0657 - Fax: (11) 3885-8646

    Site: www.flaviogikovate.com.br
    E-mail:instituto@flaviogikovate.com.br

    comportamento

    Reflexões sobre o feminino

    Ainda assim, por vários anos as mulheres, agora preocupadas com o orgasmo, se sentiram incompetentes por não atingi-lo com a facilidade esperada pelos homens – e depois por elas mesmas. Mais recentemente, um relatório pouco relevante do ponto de vista científico – o da Sra. Hite – conseguiu alterar o panorama, uma vez que teve sucesso em dar dignidade ao orgasmo atingido através da estimulação do clitóris, que sempre foi o foco dos estímulos tácteis das mulheres que se masturbam.

    O número das que se queixam sobre a frigidez diminuiu sensivelmente, posto que os homens aceitaram o orgasmo clitoridiano como suficiente para a sua vaidade, apesar de eles sempre preferirem o que se atinge na penetração vaginal. Insisto na urgência de alterarmos tais procedimentos e que o orgasmo volte a ser problema feminino e não um requisito da vaidade masculina.

    O orgasmo é propriedade da mulher e não objeto de deleite do homem.
    É sempre bom lembrar que elas dispõem de meios para fingir e atuar de acordo com o que não estão sentindo; assim, homens inteligentes não deveriam se atrever a pensar que sempre serão capazes de distinguir entre o que é um verdadeiro e um falso orgasmo; o melhor mesmo é deixarem de se preocupar tanto com o assunto.

    Muitas das dificuldades sexuais femininas estiveram relacionadas com os desdobramentos da confusão descrita acima. Muitas mulheres se achavam frígidas porque não tinham orgasmo na penetração vaginal e passaram a se desinteressar do sexo por se reconhecerem pouco competentes para o tema.

    Outras fingiam com seus parceiros e se masturbavam estimulando o clitóris; outras, ainda, usaram a dificuldade que sentiam para rejeitar e humilhar com mais firmeza seus parceiros grosseiros. Preferiram, assim, se dedicar mais aos prazeres exibicionistas capazes de lhes despertar tão intensamente a excitação erótica típica da vaidade, além do prazer de sentirem os homens em suas mãos.

    Perceberam que isso lhes agradava mais do que as trocas de carícias, de modo que se transformaram em criaturas muito atraentes mas que não estão disponíveis à aproximação masculina; são as que mais dramaticamente instrumentalizaram o poder sensual, de modo a obter vantagens de todo o tipo em virtude de conseguirem ativar o sonho de muitos homens de que, um dia, irão poder se aproximar delas.

    Ninguém está ganhando essa guerra.
    Caem mortos combatentes de ambos os lados. Os homens, agredidos por provocações eróticas femininas, se tornam grosseiros e violentos, o que atiça ainda mais as mulheres contra eles – e que é, sem dúvida, uma importante causa de bloqueio erótico feminino, o qual aumenta ainda mais a tendência exibicionista.

    Ninguém se entende, ninguém vai atrás dos seus próprios ideais. Todos estão mais voltados para o sexo oposto do que para si mesmo. Não será em um contexto desse tipo que poderemos nos deparar com o que é verdadeiramente o feminino. É preciso desativar a guerra entre os sexos para que os homens e as mulheres possam olhar para dentro de suas almas e perguntar:

    "Quem sou eu"? "O que quero para mim"? "Quais são os meus verdadeiros anseios e minhas efetivas necessidades"? "Como posso me posicionar para me aproximar do ideal de felicidade que eu mesmo criei para mim"? Essas e tantas outras questões só poderão começar a ser respondidas de modo consistente e de uma forma individual, respeitadora das peculidaridades de cada criatura, quando formos capazes de desatar os nós e de desfazer as confusões e tumultos que hoje unem – se é que se pode usar essa palavra – os homens e as mulheres.

    O caminho é longo e os obstáculos não devem ser subestimados, como tantas vezes costumamos fazer quando criamos proposições simplistas e demagógicas.

    Mas já não é sem um bom atraso que estamos iniciando esse percurso; e ele começa pela tentativa de conhecer melhor o emaranhado que tanto tem nos prejudicado.

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