Pense pequeno. Esse é o título de um artigo da psicanalista Anna Verônica Mautner , publicado em suplemento do jornal Folha de São Paulo, edição de 23 de março de 2006.
Este curioso título nos leva a uma série de suposições. ‘ Pense Pequeno' ? O que isto quer dizer? Auto-estima controlada? Humildade? Ambição reduzida? Direcionada?
Nada disso. De forma concisa, direta e simples ela nos chama à responsabilidade para as pequenas coisas que devemos fazer no mundo que nos rodeia.
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Responsabilidade é o que conta. Maturidade. Consciência. Compreensão... de que somos parte integrante do universo, do mundo, do país, da cidade, da rua, de nossa casa. Tudo que fazemos influencia o todo. Cada ato nosso afeta o entorno. É o que ocorre, mesmo sem nossa percepção consciente. |
E desta forma, vamos formando tudo que nos envolve. No fundo, criamos a realidade que nos rodeia.
Assim, é fundamental a conscientização desse envolvimento direto com o todo: de que nossas ações, pensamentos e discursos têm eco, reverberam primeiramente em nós e depois, fora de nós. E essa tomada de consciência exige maturidade para assumir a responsabilidade do que fazemos.
Bem antes de grandes idéias abstratas (ou então ao mesmo tempo), devemos trabalhar no pequeno, no imediato, no aspecto mais elementar: o mundo material que nos rodeia e onde vivemos.
Quer ver um exemplo?
Somos peritos em reclamar. Parece que sempre que entabulamos uma conversa com alguém, surge uma reclamação: do tempo, do governo, dos buracos da rua, das enchentes, do preço das coisas, dos colegas, do patrão, dos empregados, etc., etc., etc.
No entanto, por que em vez de reclamar que a rua está suja, não colaborar com a cidade guardando na bolsa o papel de bala, o maço de cigarro, a folha de papel, em vez de atirá-los pela janela do carro ou do ônibus? Já cheguei a presenciar latas de refrigerante sendo atiradas pela janela de um ônibus urbano!!!! Inacreditável. E depois reclamamos que a cidade está suja e que os bueiros estão cheios de lixo. Por que será? Tudo pode começar com o simples ato de “não jogar papel na rua”;
Não é porque você acha que todo mundo faz, que se deve fazer;
Não é porque é normal , que está certo;
Não é porque sempre foi assim , que esta é a melhor atitude.
Não. Tudo depende de maturidade e da responsabilidade de cada um. Só quando somos maduros, quando crescemos é que aceitamos a responsabilidade de nossas ações. Tudo em nossa vida funciona como um jogo de dominó. Se uma peça cai, a tendência é que as outras também caiam. Mas por que não iniciar o movimento contrário?
Agindo, impressionamos o ambiente ao nosso redor e causamos modificações, sutis, a princípio, é verdade; mais fortes, depois. E assim tudo vai se consolidando e se modificando. Aos poucos, porém partindo de cada um, num trabalho persistente, cotidiano, constante, consciente e sem tempo de duração. Voltar |