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É engraçado como as pessoas reclamam da rotina... se cansam, se mostram descontentes. Parece que a grande maioria queria estar onde não está, queria ser o que não é, queria ter o que não tem.
Santo Deus! Durma-se com um barulho desses... E daí haja estresse, ansiedade,
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depressão, mal estar. Ninguém parece gostar de estar consigo mesmo, ninguém parece estar feliz onde está, ninguém parece valorizar a vida e agradecer.
Talvez, mais que mudar tudo, nós tenhamos que enxergar as mesmas coisas sob uma nova ótica, sob um novo ponto de vista.
O olhar estrangeiro, por exemplo, vê coisas, fatos, espaços, formas, volumes, detalhes que nós, os da terra , não percebemos mais, porque nos acostumamos, porque deixamos a rotina nivelar tudo e todos, deixamos a rotina uniformizar fatos, pessoas, vidas, sons, tons e cores...
No entanto, tudo pode ser entendido como rotina. Há uma ordem presente no universo, no mundo e na vida. Tudo se repete: a natureza tem seus ciclos, o sol nasce e se põe; os pássaros acordam cantando e se recolhem cedo, as flores se abrem, murcham e morrem; os animais têm seus ciclos de reprodução, anualmente; há épocas de cheias e de seca, de colher e de plantar; o ser humano nasce, cresce e morre... Tudo na natureza segue um ritmo natural, contínuo...
Pergunto então, por que este enfado permanente com a rotina?
Desculpem-me se me torno repetitiva, mas acredito que é porque não há encantamento no olhar de quem vê, não há compaixão no olhar de quem recebe, não existe um olhar educado.
Antoine de Saint Exupéry, em seu mais famoso livro, dizia que o amor é invisível aos olhos, que só se vê bem com o coração... Quando vemos com o coração, passamos a ver com olhos compassivos, a perceber algo novo a cada dia, a olhar de forma diferente, enfim, a ver com outros olhos, com olhos de ver...
Proponho, então, um exercício simples: da próxima vez que olharmos qualquer coisa, qualquer pessoa, qualquer atitude, procuremos fazer um exercício para parar, modificar o olhar, buscar aquele olhar educado, isento, como se estivéssemos vendo pela primeira vez, como se estivéssemos vendo a nós mesmos.
Cada um é um universo distinto, cada oportunidade é diferente da outra, cada dia é novo e carrega em si uma perspectiva nova e uma dimensão, ainda não percebidas. Certa vez, alguém já disse que o rio não passa duas vezes pelo mesmo lugar. Verdade cristalina. Podemos transpor estas palavras para nossa vida e perceber que, na vida, nada se repete do mesmo jeito, cada dia é uma dádiva, um presente, uma oportunidade para agirmos em nós mesmos, em nosso aprimoramento. É questão de nos engajarmos neste projeto da busca de nós mesmos.
Um brinde à santa rotina e às oportunidades que ela nos dá.
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