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    Rosana Braga
    Jornalista, Escritora e Consultora em relacionamentos afetivos.
    E-mail: rosanabraga@rosanabraga.com.br
    Site: www.rosanabraga.com.br

    Poderia começar este artigo afirmando que todo mundo sente todos os sentimentos. Mas melhor dizer que todas as pessoas são capazes de sentir, ainda que nem todas se permitam entrar em contato consigo mesmas e, portanto, estas vivam dissociadas de seus sentimentos!

    Daí, já dá pra perceber que sentir não é, definitivamente, uma vivência linear. Muda em intensidade, freqüência, profundidade e consciência. Sobretudo, a atitude a partir de cada sentimento depende da maturidade e do equilíbrio emocional de cada um. Porque, no final das contas, não é o que você sente que determina quem você é, mas o que você faz por causa do que sente!

    Tem gente que leva um “fora” e se mata, literalmente. Mas tem gente que cresce, aprende a se valorizar mais e se torna mais forte para a próxima relação. A diferença não é que para a primeira pessoa foi muito difícil passar por isso e para segunda foi fácil. Para as duas certamente foi difícil. Aliás, pra todo mundo é doloroso sentir-se rejeitado. A diferença é que a primeira conseguiu enxergar apenas uma saída: a fuga de si mesma; e a segunda encontrou outras maneiras de lidar com sua dor.

    Tem gente que sente ciúme e arma uma baita confusão, dá vexame, ofende, agride e perde a razão. Mas tem gente que, apesar de também se magoar por causa deste sentimento, consegue elaborar a situação e compreende que é possível resolvê-la de maneira mais criativa, conversando, expondo seu ponto de vista e mostrando seus limites, por exemplo.

    Tem gente que é traído e entra em profunda depressão. Tem até quem mate o traidor. Tem quem destrói a si mesmo, entrega-se a alguma dependência, seja física ou psíquica, ou se fecha tão hermeticamente para a possibilidade de amar novamente que nunca mais consegue ser coerente com seus desejos. Mas tem gente que percebe que o outro não agiu dignamente e não conseguiu exercer a lealdade e descobre que cada um é responsável por suas próprias escolhas. As pessoas são diferentes!

    Tem gente que sente tristeza ou solidão e se lamenta tão escancaradamente que se torna pesada, cansativa, negativa, repelente. Fica patinando em sua própria dor e não pára pra avaliar qual a melhor atitude a fim de “se desatolar”. Mas tem gente que busca ajuda, procura ver o lado bom da vida e investe em seu amadurecimento de modo que se torna maior que a tristeza que lhe faz derrapar. E, enfim, consegue recuperar a alegria de viver!

    Mas, sabe... Tem ainda um outro tipo de gente. É aquela que sente tudo isso, entre outros sentimentos, e simplesmente “finge” que não sente. Ou porque realmente tem um ego exacerbado e decide exibir a máscara de “todo-poderoso”, negando suas emoções; ou porque nem se dá conta do que está sentindo. Simplesmente desconecta, não pensa no assunto. Está tão distante de sua essência que atropela a si mesmo (e aos demais) e vive como se fosse um iguana, cuja estrutura cerebral é tão primitiva que não tem condições de sentir qualquer tipo de afeto.

    Não são iguanas, é verdade. E por isso mesmo, mais cedo ou mais tarde, uma avalanche de sentimentos ressequidos virá à tona de alguma forma: ataque cardíaco, colesterol, artrose, diabetes, depressão, transtornos afetivos, enfarte, câncer, entre outros distúrbios ilimitados.

    Ou não! Existe (felizmente!) uma forma mais saudável de transcender nossas próprias limitações e quebrar as armaduras que tanto nos distanciam de quem realmente somos e daquilo que realmente desejamos viver. E esta saída não existe somente para os que renegam (consciente ou inconscientemente) o que sentem, mas para todos nós, porque ninguém tem todas as respostas. Estamos sempre em processo... sempre! Além disso, estamos vulneráveis a recaídas e enganos, o que nos coloca na posição de “eternos aprendizes”, como cantou lindamente o brilhante Gonzaguinha.

    Isso significa que todo mundo que está vivo, inevitavelmente, está exposto aos sentimentos difíceis: saudade, tristeza, desespero, sensação de abandono, ciúme, insegurança, ansiedade, solidão, etc. Assim como também está sujeito as maravilhosas surpresas da vida, à possibilidade de superar os momentos mais dolorosos e a experimentar ocasiões imperdíveis.

    Por isso, admitir que você pode estar enganado na forma com que vem agindo por causa do que sente (ou do que não tem se permitido sentir), é uma ótima demonstração de inteligência emocional, já que as relações que você vive devem servir justamente para isso: para apontar uma chance de se tornar mais integrado, coerente e humano.

    E o que seria o amor senão o exercício de nossa mais imperfeita e, ao mesmo tempo, tão fantástica humanidade, do modo mais explícito e verdadeiro possível?

     

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