Existe, sim, explicação científica por trás da vontade incontrolável de comer um chocolate após um dia “daqueles”.
Uma pesquisa descobriu o mecanismo no organismo que em situação de estresse torna os alimentos gordurosos ainda mais irresistíveis e, de quebra, faz com que a vontade de encher o prato (e repetir algumas vezes) fique muito maior.
A pesquisa sugere que a bronca da chefe, uma situação estressante com uma cliente, o fora do namorado ou o trânsito interminável podem, portanto, deixar doces, biscoitos gordurosos ou o fast food ainda mais apetitosos.
O trabalho foi feito por estudiosos do Instituto Weizmann, de Israel, e publicado na revista científica Proceedings of the Nacionational Academy of Sciences (Pnas).
A análise feita em laboratório mostrou que a tensão ativa uma área cerebral que produz a proteína UCN3. O perigo oferecido à boa forma física é duplo: ela age no fígado, pâncreas, coração e cérebro e desperta a vontade de comer. Ao mesmo tempo, a proteína também diminui a sensação de saciedade.
O resultado é mais fome e menos sensação de “barriga cheia”. A importância de vencer o estresse e o mau humor está nos prejuízos acarretados com eles.
Segundo os especialistas, em geral, os obesos que chegam aos consultórios também carregam um histórico de rotinas muito tensas. Tratar a obesidade exige, ao mesmo tempo, tratar a vida pessoal.
O que já é comprovado é que em situações estressantes há aumento de produção de hormônios, como cortisona, adrenalina e impacto em neurotransmissores, que servem de gatilho para obesidade, hipertensão, diabetes e colesterol, principalmente para os que já tiverem influência genética.
Existe uma explicação pré-histórica para a relação entre estresse e ganho de peso. O estresse é a percepção de ameaça. Desde os tempos pré-históricos, a resposta do organismo do homem em situações ameaçadoras é armazenar energia para sobreviver.
É instintivo, portanto, preservar gordura para enfrentar o estresse. Mesmo que hoje a situação tensa nada tenha a ver com a falta de comida. Para os especialistas, o importante é considerar que o estresse é fator de risco para a saúde tão importante quanto o cigarro e o álcool.
Infelizmente, as pessoas ainda não têm noção do quanto a vida estressante é prejudicial, alertam os especialistas.