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Prof. Claudia Eveline
Química Especialista em Biotecnologia Cosme-cêutica e Diretora do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento Bel Col
profclaudia@belcol.com.br
Tel.: (11) 3023-5020 |

Introdução:
Quando dizemos que o universo cosmecêutico evolui num ritmo tão acelerado, que muitas vezes sequer conseguimos acompanhar tal evolução, pode até parecer clichê, mas é a expressão da mais absoluta verdade.
Tem sido quase como no mundo da informática, às vezes, nem bem nos acostumamos com determinada tecnologia e já surgiu outra mais moderna e eficiente.
Pois é! Agora é a vez dos ácidos triterpênicos!
Estrutura Química:
Estes ácidos pertencem a uma categoria chamada “terpenos”, que são com-postos vegetais, diferenciados um do outro por sua quantidade de unidades de carbono (C):
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terpenos com 05 un. de C = são hemiterpenos
• terpenos com 10 un. de C = são monoterpenos
• terpenos com 15 un. de C = são sesquiterpenos
• terpenos com 20 un. de C = são diterpenos
• terpenos com 30 un. de C = são TRITERPENOS
• terpenos com 40 un. de C = são tetraterpenos
• terpenos com mais de 40 un. de C = são politerpenos
Os ácidos triterpênicos são sem dúvida, os mais importantes terpenos; visto que suas propriedades medicinais incluem alta atividade bactericida, fungicida, anti-viral, analgésica e até anti-tumoral, com destaque especial para: O Ácido Boswellico, O Ácido Ursólico e O Ácido Betulínico.
• O Ácido Boswellico: É obtido do caule de uma planta milenar, típica da Índia, chamada “Boswellia Serrata”. Esta é a mesma planta de onde se obtém o incenso.
Seu uso medicinal consta de longas datas e sua melhor aplicabilidade nos dias atuais tem sido como princípio ativo de medicamentos para tratar doenças osteo-articulares, tais como: reumatismo artrítico, osteoartrite, miosite, fibrosite, dores nas costas, gota e espondilite.
Mas também tem sido muito bem empregado no tratamento de problemas hepáticos, da úlcera, da aterosclerose e de alterações do sistema nervoso central, pois segundo os estudos sua ação sedativa é comparável à força da morfina.
• O Ácido Ursólico: É obtido da casca e sementes de maçãs e pêras e especialmente da uva ursi de onde deriva seu nome.
O ácido ursólico também já é amplamente empregado na medicina. Por ser eficaz na eliminação de infecções mitóticas, tem mostrado-se de grande utilidade no tratamento da leucemia e também como anti-histamínico (bloqueador dos sintomas alérgicos)
Topicamente, seu uso tem sido apontado como uma excelente alternativa ao uso do ácido retinóico , pois sua atividade é similar e em alguns casos até superior à do retinóico, porém, sem os efeitos secundários negativos apresentados por este.
• O Ácido Betulínico: É obtido da folhas de bétula, um arbusto característico de países de clima temperado.
A exemplo dos dois anteriores, o ácido betulínico tem sido empregado com muita significância na medicina, e pasmem! como anti-cancerígeno( cura do melanoma e do neuroblastoma).
Sua capacidade anti-tumoral promove citotoxicidade nas células malignas, inibindo seu crescimento e provocando mesmo a auto-destruição, só que com uma vantagem muito importante: ataca somente as células “doentes” e não as células saudáveis circundantes.
Os estudos têm apontado que neste sentido, o ácido betulínico é bem mais específico que certos medicamentos usados em quimioterapia, como a campthotecina, a elipticina e a vinblastina.
Mas seus benefícios não param por aí e até como complemento dos coquetéis para o tratamento da aids tem sido utilizado , tamanha sua propriedade anti-viral.
Na Cosmetologia:
No cenário cosmetológico, os ácidos triterpênicos têm sido empregados especialmente para o tratamento das acnes, sejam elas de manifestação juvenil ou de manifestação retencional.
Retencional? Sei que pouco se fala sobre este tipo de acne, mas é de suma importância uma atenção especial para ela, pois é um tipo cada vez mais comum, que se manifesta em pessoas adultas; devido às flutuações hormonais, piorando portanto, no período pré-menstrual e em situações de stress.
Os ácidos triterpênicos atuam tanto nos sintomas do processo acneico, como em suas manifestações clínicas, lembrando que sintoma é aquilo que sentimos e manifestação clínica é aquilo que vemos. É claro que existem sintomas que também são manifestações clínicas, mas essa não é uma abordagem para agora.
O que queremos pontuar, é que eles reduzem significativamente os pruridos (a vulgarmente conhecida coceira); os eritemas que são vermelhidões normalmente acompanhadas de aquecimento e os edemas que são geralmente caracterizados por inchaço e sensação de peso.
Além disso, controlam e em muitos casos eliminam, a formação de comedões, pústulas e até micro-cistos; os sinais mais inconvenientes deste distúrbio cutâneo.
Os Ácidos Triterpênicos e seu Mecanismo de Atuação:
Para entendermos melhor o mecanismo de atuação dos ácidos triterpênicos no tratamento das acnes, descreveremos a seguir como eles agem no comportamento celular que ativa o processo acneico, para normalizar a pele acometida .Veja:
• Estimulam as células de langerhans, modulando o comportamento imunológico/defensivo da pele;
• Controlam a enzima 5-alfa-redutase, o que significa controle da hipersecreção sebácea e conseqüentemente redução das manifestações clínicas;
• Reduzem a hiperqueratinização folicular, desobstruindo assim o folículo pilo-sebáceo (poros);
• Normalizam a flora bacteriana, bloqueando a liberação de AGL (ácidos graxos livres), promovendo deste modo, ação dermopurificante;
• Reduzem a enzima “5-lipoxigenase”, que produz leucotrienas inflamatórias;
• Reduzem a enzima “humano leucócito elastase” ( HLE) , uma serino protease que inicia o danos aos tecidos e dispara o processo inflamatório;
• Aumentam a produção de catelicidinas, o antibiótico natural produzido pela própria pele;
• Reduzem o PKA, elemento envolvido na pró-inflamação pela síntese de citoquinas;
• Induzem a formação do tecido de granulação, responsável pelo processo cicatricial, evitando a formação de marcas residuais, as chamadas sequelas.
Nomenclatura Comercial:
Um bland de ácidos triterpênicos envolvendo o ácido boswellico, o ácido ursólico e o ácido betulínico , já é encontrado hoje sob a forma de produto acabado, com o nome comercial de Tri-Def.
Incorporado na forma cosmética de mousse, Tri-Def, é sem dúvida um dos princípios ativos da cosmetologia atual que trazem um novo alento e uma nova visão para o tratamento da acne.
Estudos:
As avaliações clínicas com Tri-Def, foram realizadas comparativamente com ativos já consagrados no tratamento da acne: o ácido salicílico e o ácido azelaico.
30 voluntárias com acnes de diferentes graus foram divididas em 2 grupos de 15. Um grupo utilizou Tri-Def por 45 dias e o outro uma formulação contendo salícilio e azelaico pelo mesmo período.
Foi percebido que o uso de Tri-Def reduziu 43% de pústulas, 18% de comedões e 25% de oleosidade , enquanto que o grupo controle obteve redução de 39% de pústulas, 11% de comedões e 22% de oleosidade.
Efeitos Adicionais:
E para fechar com chave de ouro, lhes conto que os ácidos triterpênicos mencionados neste artigo , que juntos formam o bland chamado Tri-Def, são ainda anti-oxidantes, ou seja, podemos tratar os danos da acne e ao mesmo tempo minimizar os sinais do envelhecimento.
É isso mesmo! os tratamentos de acne, inclusive os mais severos e o controle do envelhecimento cutâneo passam a contar a partir de agora, com um reforço de extrema relevância. Guardem este nome: Tri-Def.
Os profissionais da estética podem comemorar!
Fonte: Laboratórios Bel Química Espanhola Ltda
Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa - Portugal