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    Célia Ortiz
    Vice-Presidente do SINDEST-SP e Aluna de Pós-Graduação em Estética na Universidade Gama Filho
    Site: www.posugf.com.br

    estética
    Profissional Esteticista: Tratando a ACNE - 1ª PARTE

    Conceitos

    A acne é uma afecção da pele, na maioria dos casos de predisposição genética, cujas manifestações dependem da presença dos hormônios sexuais. A acne afeta principalmente a população na fase da adolescência. As grandes transformações, devido ao início das atividades hormonais comuns nessa etapa da vida, atuam em seu comportamento e estimulam o desenvolvimento da acne, agravando o quadro a ponto de afetar psicologicamente, indeferindo significativamente em sua qualidade de vida, as lesões acneicas causam angústia e frustração, levando a baixa auto-estima e ao isolamento social.

    O desconhecimento da patologia, muita vezes, leva a demora na procura de recursos para os tratamentos que poderá ser feito utilizando-se produtos tópicos (sobre a pele) e sistêmicos (medicamentos de ingestão oral, cujo objetivo é atuar no fenômeno inflamatório severo, local). A doença não atinge apenas adolescente, podendo persistir na idade adulta e, até mesmo, surgir nesta fase, quadro mais freqüente em mulheres.

    Mecanismo Fisiológico

    O mecanismo do surgimento da acne acontece no folículo pilossebáceo. É nos folículos pilosos do tipo “sebáceo” que se desenvolve a acne. Acredita-se que a causa da acne é multifatorial e se desenvolve por obstrução do folículo piloso, hipersecreção sebácea e presença de microorganismos. O acúmulo de queratina na camada córnea, que é uma proteína responsável pela proteção do epitélio, formada a partir da maturação de células chamadas queratinócitos, obstrui o orifício folicular, isso ocorre devido à dificuldade da queratina descamar, dificultando a saída do sebo produzido pelas glândulas sebáceas.

    O aumento contínuo dessa queratina leva à formação dos comedões abertos (“cravos”) ou “ponto negro” devido à melanina acumulada. O acúmulo dessa queratina é chamado de hiperqueratinização. Associada à oclusão do canal folicular, a hipersecreção sebácea é um fator fundamental da formação da acne, as glândulas sebáceas estão diretamente sob influência dos hormônios. Na puberdade, a ação principalmente dos andrógenos, produzidos pelos ovários, testículos e adrenais, influenciam uma maior produção de sebo que é composto de colesterol, cera, ésteres, esteróides, esqualeno e triglicérides que aprisionados pela hiperqueratinização da camada córnea, ocasionam a formação dos comedões fechados. O fluxo de sebo, abundante, dilata o canal pilossebáceo e forma um tampão fechado ou “ponto branco”.

    Ele é constituído por células córneas, coladas no sebo onde pululam bactérias. A presença dos microorganismos é determinante para a formação da acne. Essas bactérias, apesar de fazerem parte da flora bacteriana normal, proliferam-se com facilidade em presença de material oleoso, triglicerídeos, hidrolisando e liberando ácidos graxos livres comedogênicos e irritantes. Essa irritação leva à inflamação e ao extravasamento para derme causando eritema (vermelhidão), edema (inchaço) e pus (“espinha”).

    A bactéria Propionibacterium acnes ou P. acnes é a mais comum, mas podemos encontrar em menor número o P. parvum. Este quadro de acne é a forma mais freqüente que representa a Acne Vulgar ou Acne Juvenil ou ainda classificada como Acne primária. A acne acomete mais freqüentemente a face, dorso e peito, porém, em alguns casos, pode atingir os membros superiores e região glútea.

    Principais Fatores que contribuem para a Formação da Acne

    Os principais fatores podem ser infecciosos, em função de alterações da flora microbiana da pele com a colonização do Propiniobacterium acnes; genéticos; hormonais, como a secreção de androgênios; imunológicos, devido ao surgimento de mediadores inflamatórios ao redor da derme e no folículo; excessiva fricção da pele, exposição a óleos e gordura; cosméticos comedogênicos e algumas doenças (ovários policísticos, síndrome de Cushing e outras), bem como algumas medicações.

    CLASSIFICAÇÃO DA ACNE

    A acne é classificada como acne não-inflamatória (sem sinais inflamatórios) quando apresenta somente comedões; e acne inflamatória. A acne conforme o número, intensidade e características das lesões podem ser classificadas em formas clínicas ou graus:
    Acne Grau I – Acne Comedogênica
    Pele oleosa, comedões abertos e/ou fechados, chamada de acne comedogênica não inflamatória.
    Acne Grau II – Acne Pápulo-Pustulosa
    Pele oleosa, comedões abertos e fechados, pápulas e pústulas. Os graus I e II em geral não deixam cicatrizes e são tratados por esteticistas. Chamada de acne pápulopustulosa, inflamatória.
    Acne Grau III – Acne Nódulo-Cística
    Pele oleosa, comedões abertos e fechados, pápulas e pústulas, nódulos e cistos. Chamada de nódulos cística, inflamatória. Normalmente exige acompanhamento médico.
    Acne Grau IV – Acne Conglobata
    Pele oleosa, comedões abertos e fechados, pápulas e pústulas, nódulos, cistos e abscessos, inflamatória. Conglobata, pois engloba todos os outros graus. O tratamento deve ser indicado pelo médico dermatologista.
    ACNE VARIANTE - ETIOLOGIA
    Uma característica muito significativa de alguns tipos de acne é a ausência de comedões e a etiopatogênia diversa, diferindo muito da acne vulgar, devido a essa característica, são consideradas como variações ou ainda como Acne secundária, apresentando lesões em forma de acne, lesões acneiformes, com a presença de pápulas e pústulas ou mesmo de comedões, mas que, não tem a etiologia da acne vulgar.
    Acne Neonatal
    É a acne que acomete o recém-nascido nas primeiras semanas de vida com presença de pápulas e pústulas. A etiopatogênia ainda desconhecida, mas acredita-se na hipótese de ser por influência dos hormônios maternos ou fármacos ingeridos pela mãe durante a gravidez, deve ser tratado pelo pediatra ou dermatologista.
    Acne Infantil
    Trata-se de lesões acneiformes que persistem após o período neonatal, após o terceiro mês até 4 anos, as causas podem ser por disfunções endocrinológicas ou hipotalâmicas, deve ser tratado pelo pediatra, dermatologista ou endocrinologista.
    Acne Medicamentosa
    Erupções acneiformes do tipo pápulas e pústulas pelo uso de hormônios, corticóides de uso tópico e oral, anticoncepcionais, iodo, cloro, bromo, ácido isonicotínico, difenilhidantoína, fenobarbital, trimetadiona, carbono de lítio, vitaminas B12, B6, B1, e D2 e anabolizantes. Tratamento médico e estético com uso de ativos antiflamatórios, calmantes e secativos como as argilas, principalmente a branca, com o objetivo de amenizar o quadro, após a retirada do agente causador, deve-se proceder a tratamentos com algumas sessões de limpeza de pele.
    Acne Tardia
    Hiperandrogenismo, anormalidades ovarianas ou das supra-renais; presença de nódulos e cistos; tratamento médico e estético.
    Ovários Policísticos
    Doença caracterizada pela anovulação crônica e intermitente. As lesões acneicas , do tipo comedões, pápulas e pústulas decorrentes da síndrome dos ovários policísticos se localizam em grande quantidade nas regiões sub-mentoniana e sub-auricular.
    Acne Venerata
    É causada pela exposição (ou mesmo manipulação) prolongada a uma série de produtos químicos acnegênicos, principalmente observados em ambientes industriais. Destacam-se: lubrificantes oleosos, piche, óleo mineral industrial, óleo de petróleo e substâncias encontradas em tintas, vernizes, lacas, vários óleos, pomadas e alguns produtos de beleza, chamados cosméticos comedogênicos, com muito óleo que obstruem o óstio folicular.
    Acne Cosmética
    É uma forma de acne venerata, geralmente no sexo feminino pelo uso freqüente de substâncias comedogênicas.
    Acne Mecânica ou de Contato
    Provocada pela ação de traumas físicos repetidos na pele, geralmente causados pelo uso de chapéus, bonés, capacetes, colares, moldes ortopédicos, fitas cirúrgicas e outros. O diagnóstico é feito pelo padrão de distribuição incomum das lesões da acne.
    Acne Tropical ou Estival
    Observada nos meses do verão, pelo efeito do calor, também em quadros de excessiva sudorese. Não apresentam comedões, só pápulas e pústulas; tratamento médico e estético.
    Acne por Estresse
    Os hormônios adrenocorticotrófico, adrenalina e cortisol segregados durante os quadros de estresse intensificam a produção das glândulas sebáceas, nesse caso é muito comum se proceder à limpeza de pele e, apenas uma semana após, o cliente relata que ocorreu o aparecimento de diversos comedões e pústulas; muito comum antes de provas, principalmente vestibular; tratamento médico e estético.
    Acne Escoriada
    Os portadores desse tipo de lesão são geralmente tensos e possuem uma compulsão em espremer comedões, pápulas e pústulas, produzindo escoriações, manchas e cicatrizes, geralmente ocorre em mulheres e é quase sempre indicada orientação psicológica, algumas vezes, as lesões acneicas são inexistentes, mas qualquer mínima alteração na superfície cutânea serve para que se escorie; tratamento médico e estético.
    Acne Fulminans
    Pode também ser classificada como Acne Grau IV. Forma extremamente rara em nosso meio, na qual, associado às formas de acne nódulo-cística ou conglobata, surge subitamente, predominantemente no sexo masculino, com manifestações sistêmicas, tais como, febre, leucocitose (aumento do número de células de defesa no sangue), poliartralgia (dor em várias articulações). O tratamento de ser feito somente por médico dermatologista.
    Rosácea
    A rosácea, embora seja considerada uma lesão prima da acne (antigamente conhecida como acne rosácea), não é causada pelos mesmos fatores. As lesões iniciais estão relacionadas à pacientes com reatividade vascular aumentada na face, de pele clara e que coram facilmente. Essas lesões apresentam rubor fixo e teleangectasias no nariz e na face. Em seguida, podem ocorrer pápulas e nódulos inflamatórios, mas que não desencadeiam o entupimento folicular visto na acne.
    O aumento das glândulas sebáceas pode ser dramático, mas não é causado por hiperandrogenismo. Geralmente, ocorre entre os 30 e 60 anos, sendo mais comum em mulheres (cerca de três vezes mais do que em homens), em pessoas de ascendência céltica e nos italianos do sudeste; não obstante, a incidência mais grave ocorre nos homens e é rara em pessoas pardas e negras.

    Continua....

     
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