Resumo: Um dos adjetivos populares da língua portuguesa que qualifica a beleza feminina é FORMOSA.

Formosa é a mulher cujas formas são esteticamente harmônicas.
Entretanto, mesmo as mulheres privilegiadas pela natureza, ao transpor a puberdade, são acometidas por um verdadeiro “flagelo”: a celulite.
Celulite é uma palavra de origem latina que quer dizer inflamação das células. Definição incorreta, mas que se popularizou, tal a freqüência do distúrbio.
Lipodistrofia Ginoide - LDG é a expressão científica, que significa uma alteração no metabolismo da gordura em locais característicos do contorno corporal feminino.
A LDG é considerada uma distrofia dermo-hipodérmica de natureza complexa, associada à saturação hídrica e causada por mecanismos hormonais, fisiológicos e bioquímicos.
Ela apresenta um aspecto característico como acolchoamento da pele, que se deve à configuração espacial dos lóbulos de gordura na mulher.
Neste tecido patológico, as células adiposas estão aumentadas em número e volume. Há um espessamento e proliferação das fibras de colágeno interadipositárias e interlobulares, que provocam o ingurgitamento dos tecidos.
A circulação de líquidos é reduzida e os fibroblastos são encarcerados. As fibras elásticas tornam-se frágeis e se rompem. Elas formam uma rede em forma de forca que comprime vasos e nervos. Havendo uma alteração no tecido conjuntivo, haverá uma conseqüente formação de nódulos.
A LDG apresenta aos seus pesquisadores problemas patogênicos complexos e dúvidas quanto à sua etiologia.Podemos enumerar três desses fatores ou causas, que veremos a seguir. Fator Predisponente – Herança Genética Seguramente a sua susceptibilidade genética é um fator importante quanto à permissividade ou não do desenvolvimento desta lesão.
Podemos observar três fatores que englobam este aspecto:
•Predisposição hereditária, tanto para as diferentes formas de obesidade quanto para a lipodistrofia localizada.Não se pode atribuir a responsabilidade exclusivamente a um único gene.
- Aquilo primariamente herdado seria a estrutura corporal, isto é, a heterogeneidade morfológica e topográfica do tecido gorduroso e, junto com ela, a peculiaridade funcional do mesmo.
• A predisposição genética, além de ser multifatorial, é modificável parcial ou totalmente pela influência ambiental, portanto controlável na sua intensidade, podendo-se interferir no sentido de atenuar ou acentuar os traços herdados.
Fator Desencadeante
• Hiperestrogenismo: A participação do hormônio feminino na etiopatogenia da LDG é, sem dúvida, um dos principais fatores envolvidos, considerado como o gatilho do processo e o protagonista de maior responsabilidade na evolução, agravamento e perpetuação da lipodistrofia.
Fatos convergem para elucidar sua participação na patogenia da LDG, tais como:
• Patologia própria do sexo feminino; surgimento após a puberdade;
• A incontestável influência da replicação das células adiposas pelos estrógenos na fase de diferenciação dos caracteres sexuais secundários;
• Pelo tecido adiposo ser o principal local da conversão da androstenediona para estrona e as mulheres obesas apresentarem tal conversão aumentada;
• Pelos estrógenos serem aqueles que imprimem um comportamento peculiar nas células do tecido
mesenquimatoso, tecido conjuntivo, intercelulares e vasculares;
• Pela relação direta ou indireta dos hormônios femininos durante os episódios da vida genital (menstruação, gravidez, aborto, puerpério, lactação, pré-menopausa e estrogenoterapia), com evolução progressiva da LDG e pela inter-relação dos estrógenos com outros hormônios que também fazem parte do elenco fatorial e sua influência nos processos metabólicos envolvidos na gênese da classificação da LDG.
Fatores Coadjuvantes – Endógenos e Exógenos. Estes seriam todos aqueles fatores que, de forma direta ou indireta e por um determinado mecanismo ou outro, participam no processo tanto para provocá-lo quanto para agravá-lo.
Classificam-se de endógenos aqueles de origem biológica, e de exógenos os ambientais ou agregados: hábitos alimentares inadequados, gravidez, alterações ginecológicas intra-pélvicas, síndrome pré-menstrual, obstipação intestinal, vestuário, cintas, etc.
Estágios da Lipodistrofia Ginóide
Cabe destacar que o processo lipodistrófico instala-se de forma gradual e progressiva, intercalando períodos de estagnação e de reatividade.
Não ocorre de maneira uniforme e sincronizada em todas as regiões do corpo.
Vale dizer que, numa determinada área, podemos encontrar simultaneamente as quatro fases diferentes da evolução do processo lipodistrófico.
1º Estágio Latente: Grau I - Poucos sinais, dificilmente perceptíveis, tais como: geleificação em determinadas zonas e ausência de dor espontânea ou provocada. Neste estágio deve-se manter a cliente em observação e sob cuidados constantes.
Histologia - Edema intersticial interadipositário, formado pela saída do exsudado, devido à alteração da permeabilidade dos capilares.
2º Estágio Incipiente: Grau II - Maior geleificação pela saída de maior exsudado, raramente há dor. O diagnóstico é feito quase exclusivamente pela palpação, que mostra irregularidade do tecido celular subcutâneo sem aderência aos planos profundos. Neste estágio deve-se iniciar o tratamento. A resposta total ao mesmo previne a próxima etapa evolutiva.
Histologia - Há uma resposta tissular à tempestade microcirculatória que dependerá da capacidade de reação do sistema retículo endotelial adipositário, o qual relaciona através de uma hiperplasia e hipertrofia das fibras que rodeiam as células adiposas e capilares, formando densas redes ao redor de cada adipósito.
3º Estágio Crítico: Grau III - Presença de dor à apalpação profunda, ainda não existem nódulos apreciados. A forma mais comumente encontrada é aquela denominada de “placas lipodistróficas”, com pele acolchoada e em casca de laranja.
Nas coxas e pernas encontramos as ramificações microvasculares que representam o déficit hemodinâmico das papilas dérmicas, que predispõem a equimoses freqüentes.
Histologia - As fibras reticulares tornam-se pré colágenas, iniciando-se uma alteração estrutural, produzindo-se o que se conhece como micro nódulo.
4º Estágio Fibro-Lipo Distrófico: Grau IV - Há dor provocada ou, às vezes, espontânea, é possível palpar os macro-nódulos, aumento do linfoedema. É também denominado de “estágio irreversível”, por não responder totalmente ao tratamento medicamentoso geral e local, e muito menos às expectativas da cliente. Porém, após a terapêutica adequada e combinada com as técnicas modernas da lipoaspiração e provavelmente com o complemento da cirurgia plástica, na
dependência das regiões atingidas, consegue-se melhores resultados.
Histologia - As fibras colágenas neo-formadas, uma vez maduras, espessam-se e se tornam semelhantes a buracos (picrofucsionófilas).
Tipos de Lipodistrofia Ginóide...... continua
BIBLIOGRAFIA
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LIPODISTROFIA GINÓIDE (Celulite); editora Santos, 1ª Edição, 1992
4. APOSTILA DE FISIOTERAPIA DO CURSO DE APERFEIÇOAMENTO PROFISSIONAL E
COSMETOLOGIA ESTÉTICA.
5. CURSO DE QUALIFICAÇ ÃO PROFISSIONAL DE ESTETICISTA FACIAL - SENAC
6. CENTRO DE ESTÉTICA DR.N.G.PAYOT (LINHA ANTICELULITE)
7. TRATAMENTO DE CELULITE COM HYALOZIMA (Apsen)
8. CELLITE E TERMOGRAFIA A CONTATTO (International Products & Services srl).
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