O tecido gorduroso fica embaixo da pele e sobre os músculos. As células que compõem este tecido são a reserva de gordura do organismo.
Quando se come mais do que se precisa, elas aumentam de tamanho como se fossem balões de borracha. É que o organismo procura guardar o máximo de comida que é possível no próprio corpo, imaginando que a comida possa faltar.
No processo de aumento de volume gorduroso ocorrem alterações da microcirculação e o aumento do tecido fibroso aparecendo à chamada Celulite. Na pele é então observada a ondulação característica e o aspecto de casca de laranja.
A celulite é uma alteração do tecido gorduroso na mulher. Podemos dizer que na mulher existem dois tipos de gordura: a normal e a gordura doente, alterada, que seria a Celulite.
Estágios da Celulite
A celulite se apresenta em quatro estágios de evolução. Enquanto mostramos o que acontece em cada estágio aproveitaremos para falar sobre os mecanismos de formação de celulite.
Condição Normal:
na condição normal o tecido gorduroso é ricamente irrigado, as células gordurosas são de tamanho e formas normais, Não existe edema, Os vasos são eficientes e tem formato normal.
Estágio 1:
Acontece um aumento de volume das células do tecido gorduroso na região afetada, ocasionado por acúmulo de gordura dentro da célula. Não existe alteração circulatória e dos tecidos de sustentação, apenas uma discreta dilatação das pequenas veias do tecido gorduroso.
Não há sinais visíveis na pele e nem dor. Na Termografia (um exame que demonstra o grau de celulite) pode aparecer o aspecto chamado “Moucheté” que representa aumento de temperatura provocada por edema e hiperpermeabilidade dos capilares sangüíneos.
Nesse estágio o principal procedimento é tratar com exercícios e reeducação alimentar. Não há necessidade de tratamento médico, embora a avaliação e orientação em clínica especializada sejam necessárias para diagnosticar este grau de celulite. A recuperação neste caso é total.
Estágio 2:
As células gordurosas ficam um pouco mais cheias de gordura, e as que ficam na parte mais profunda começam a sofrer o mesmo processo. Já aparece um certo grau de fibrose que, se piorar, começa a formar micronódulos na fase seguinte.
O aumento do volume das células provoca alteração circulatória por compressão das microveias e vasos linfáticos. O sangue e a linfa (líquido aquoso que banha as células) ficam represados. Ocorre então um maior “inchaço” das células gordurosas, e os detritos tóxicos que deveriam ser eliminados começam a ficar acumulados.
Na pele já é possível se observar irregularidades à palpação e ainda não existe dor. Na Termografia o aspecto “Moucheté” é mais característico aparecendo edema e estase sangüínea demonstrados por áreas de temperatura aumentada.
Neste estágio o tratamento já é necessário com o uso de Mesoterapia Eletrolipoforese, Ultra-som e Drenagem Linfática, além dos exercícios e reeducação alimentar.
Os resultados são muito bons e se houver adesão ao tratamento pode-se esperar a recuperação total.
Estágio 3:
As células continuam aumentando de volume por causa da contínua aquisição de gordura. Ocorre uma desordenação do tecido e aparecimento dos nódulos que apesar de mais profundos, são vistos como irregularidades na superfície da pele, mesmo sem palpação.
Começa a existir uma fibrose, que é o endurecimento do tecido de sustentação (onde estão as fibras) e a circulação fica ainda mais comprometida. Podem aparecer os vasinhos e microvarizes, e a pele tem o aspecto parecido com “casca de laranja”.
Ocorre a sensação de peso e cansaço nas pernas (deve-se lembrar que a celulite é basicamente um problema circulatório, e nesse estágio a circulação no tecido gorduroso já está com problemas).
Na Termografia aparece o aspecto de “Pele de Leopardo” que é a presença de inúmeras manchas termográficas, denotando a desorganização do tecido, com várias temperaturas e a presença de edema e estase venosa.
O tratamento é realizado da mesma forma que no Estágio 2, mas são necessárias muito mais sessões e a recuperação é boa, mas não total.
Ocorre uma sensível melhora, mas não se pode esperar eliminação total do problema.
Estágio 4:
O inchaço desordenado das células gordurosas é acentuado, o tecido de sustentação se torna mais endurecido (fibroesclerose) e a circulação de retorno está muito comprometida. Nesse estágio, a celulite é dura e a pele fica “lustrosa”, cheia de depressões, com aspecto acolchoado.
As pernas ficam pesadas, inchadas, doloridas e a sensação de cansaço está freqüentemente presente, mesmo sem esforço.
Na Termografia aparecem os aspectos anteriores já descritos e surgem os “Black Holes”, ou “Buracos Negros”, que são regiões de circulação diminuída, representando uma coalizão de vários micronódulos em macronódulos e a presença de significativa fibrose.
Nesse estágio o tratamento com Mesoterapia, Ultra-som, Eletrolipoforese e Drenagem Linfática é demorado, mesmo assim, pode-se esperar uma melhora parcial. Eventualmente pode ser necessário associar o tratamento cirúrgico, com subseção e lipoescultura, principalmente se houver gordura localizada bem estabelecida e depressões no tecido gorduroso.
Com essas informações fica claro que quanto mais cedo iniciar, melhor é o resultado do tratamento da celulite. A Termografia é importante para determinar o grau de celulite e planejar o tratamento, além de oferecer um prognóstico do resultado.
Em todos os casos existem tratamentos, mas nos graus mais leves a recuperação é total, enquanto nos graus mais avançados, apenas parciais. Mas mesmo nestes casos de graus mais avançados é importante tratar, porque poderá ocorrer uma piora ainda maior.
É importante que se saiba de antemão, para evitar frustrações futuras, que nos casos graves o resultado será eficiente, mas não total. Deve-se lembrar que cada pessoa é diferente, com diferentes apresentações da celulite. E uma correta avaliação deve ser o início de qualquer tratamento.
Profª Mafalda Ruiz Dominguez |