Profª Jeanete Moussa Alma
ASETENS-SP
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CICATRIZAÇÃO - Causas da necessidade -
Grandes destruições teciduais, que ultrapassam os limites
da regeneração,
ou destruição de células perenes, a reposição
tecidual é feita às custas da proliferação
de células menos diferenciadas, como é o caso das pertencentes
ao tecido conjuntivo.
Definição de Cicatrização
"Reposição de tecido destruído por conjuntivo
neoformado não especializado".
Observe que cicatrizar é diferente de REPARAR
Nosso organismo é freqüentemente lesado por agentes agressores.
A pele, sendo a região mais periférica e superficial,
é a mais freqüentemente lesada.
Traumatismos
mais ou menos graves, desencadeados de diferentes maneiras, destroem
zonas do corpo, que a partir desse momento necessitam reparação.
Como
envoltório de estruturas internamente situadas, apresenta uma
resistência maior que os órgãos envolvidos.
Se
considerarmos um músculo, ou uma porção de intestino,
ou outro órgão qualquer, a pele é mais forte, com
exceção, é claro, dos ossos que têm uma grande
resistência e podem ser considerados os mais vigorosos do corpo.
A
cicatrização é a forma mais comum de cura dos tecidos
inflamados.
Nela
se tem uma reposição tecidual, porém a anatomia
e a função do local comprometido não são
restituídas, uma vez que se forma a cicatriz, tecido conjuntivo
fibroso mais primitivo que substitui o parênquima destruído.
Para que possa haver cicatrização completa, são
necessárias eliminação do agente agressor,
irrigação, nutrição e oxigenação.
Por esse motivo quanto maior for o aporte sanguíneo mais rapidamente
esse tecido será cicatrizado e maior é sua chance de reparação
Esses fatores é que determinam o equilíbrio de eventos
que compõem a cicatrização, eventos esses divididos
didaticamente em três fases:
1. Fase de demolição: células
do tipo macrófago migram para fazer a “faxina”
2. Fase de crescimento do tecido de granulação:
reconstituição de células especificas do tecido
lesado (p. ex macrófago e células endoteliais)
3. Fase de maturação ou fibroplasia:
há uma diminuição de irrigação provocada
pela formação de colágeno e as fibras que pressionam
os vasos, com isso temos retração do tecido agredido.
É aqui que há maior necessidade de oxigenação.

Macrófagos em um granuloma. Essas células são as
principais responsáveis pela fase de demolição
que faz parte da cicatrização
2.
Fase de crescimento do tecido de granulação:
proliferação de fibroblastos e de células endoteliais
dos capilares vizinhos à zona agredida.
Essas
células formam pequenos brotos endoteliais que crescem e penetram
na zona agredida, onde se canalizam, anastomosam-se a outros brotos,
constituindo alças capilares.
Este
sistema vascular neoformado apresenta aumento de permeabilidade nas
suas novas junções capilares, com grande saída
de elementos sanguíneos, água, eletrólitos e proteínas.
Fibroblastos
acompanham o tecido endotelial, migrando para essa nova matriz tecidual
e secretando fibras colágenas.

Vemos aqui um processo cicatricial em baço após uma inflamação
crônica: PVB - polpa vermelha e branca (parênquima esplênico);
ZT - zona de transição, em que se observa ainda a presença
de tecido de granulação; ZO - zona de fibrose organizada,
correspondendo a última fase da cicatrização (HE,
40X).

Clinicamente, observa-se , no local da lesão, grânulos
avermelhados e brilhantes, os quais correspondem aos brotos vasculares,
mergulhados em um material gelatinoso, translúcido e frouxo.
Daí o nome "tecido de granulação. O tecido
de granulação é, assim, constituído por
brotos capilares em diferentes formas de organização,
estroma essencialmente protéico, leucócitos e hemácias.
Dele partem as repostas da terceira e última fase da cicatrização.
3. Fase de maturação ou fibroplasia:
ocorre proliferação de fibroblastos e deposição
de colágeno, que comprime os capilares neoformados, diminuindo
a vascularização (desvascularização).
A pressão contínua do colágeno e sua retração
conduzem à contração da cicatriz fibrosa.
Na
pele, por exemplo, a regeneração do epitélio principia
por volta do segundo e terceiro dias e, no conjuntivo, observa-se proliferação
fibroblástica preenchendo o defeito do tecido.
Ao
final, tem-se, com a colagenização, uma cicatriz acelular
relativamente clara, que pode atenuar ou mesmo desaparecer clinicamente.

Fibroplasia em baço com inflamação crônica.
Veja a grande quantidade de fibras colágenas, dispostas em feixes
tendendo a paralelos, e fibroblastos bem maduros, alongados, quase sem
citoplasma e núcleo evidente. Não se observam também
vasos sangüíneos. Este é um quadro histológico
de fibroplasia já bem organizado (HE, 200X).

Tecido de granulação em cicatrização de
abscesso, uma inflamação supurativa. A seta aponta os
pequenos grânulos observados nesse tecido.
O
tecido de granulação é formado principalmente nas
inflamações exsudativas, tanto supurativas quanto fibrinosas,
nas inflamações crônicas em geral, em processos
de trombose, quando há reorganização do trombo,
em neoplasias e em ferimentos com grande perda tecidual. Nas extrações
dentárias, por exemplo, a perfeita reparação do
alvéolo dental depende fundamentalmente da permanência
do tecido de granulação dentro do alvéolo, originado
a partir da hemorragia provocada pela extração.

Múltiplos quelóides originados de hábito de mordedura
das mãos (um tipo de hábito parafuncional).
Veja que a cicatriz é volumosa e de superfície lisa
Esse tipo de fenômeno cicatricial é comum em negros.
As
cicatrizes promovem contração do tecido adjacente pois
as fibras colágenas, ao amadurecerem, diminuem de tamanho e perdem
a elasticidade.
Essa
perda de elasticidade, por sua vez, faz com que a cicatriz seja pouco
resistente ao estiramento.
Podem
ocorrer complicações como infecções durante
o processo reparativo (retardando este por se iniciar novamente uma
inflamação aguda no local), alterações pigmentares
(pode haver, por exemplo, depósito de hemossiderina)
e dor (principalmente quando está envolvida a cicatrização
de fibras nervosas)
O quelóide, cicatriz tumoriformes comuns nos indivíduos
de raça negra, também consiste uma complicação
da reparação, em que forma um tecido liso e brilhante,
com superfície elevada, devido ao fenômeno de hialinização
de fibras colágenas.
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