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    Profª Jeanete Moussa Alma
    ASETENS-SP
    Tel.: (11) 6834-7885
    E-mail: asetenssp@ig.com.br



    CICATRIZAÇÃO - Causas da necessidade -

    Grandes destruições teciduais, que ultrapassam os limites da regeneração,
    ou destruição de células perenes, a reposição tecidual é feita às custas da proliferação de células menos diferenciadas, como é o caso das pertencentes ao tecido conjuntivo.

    Definição de Cicatrização

    "Reposição de tecido destruído por conjuntivo neoformado não especializado".
    Observe que cicatrizar é diferente de REPARAR

    Nosso organismo é freqüentemente lesado por agentes agressores.
    A pele, sendo a região mais periférica e superficial, é a mais freqüentemente lesada.

    Traumatismos mais ou menos graves, desencadeados de diferentes maneiras, destroem zonas do corpo, que a partir desse momento necessitam reparação.

    Como envoltório de estruturas internamente situadas, apresenta uma resistência maior que os órgãos envolvidos.

    Se considerarmos um músculo, ou uma porção de intestino, ou outro órgão qualquer, a pele é mais forte, com exceção, é claro, dos ossos que têm uma grande resistência e podem ser considerados os mais vigorosos do corpo.

    A cicatrização é a forma mais comum de cura dos tecidos inflamados.

    Nela se tem uma reposição tecidual, porém a anatomia e a função do local comprometido não são restituídas, uma vez que se forma a cicatriz, tecido conjuntivo fibroso mais primitivo que substitui o parênquima destruído.

    Para que possa haver cicatrização completa, são necessárias  eliminação do agente agressor, irrigação, nutrição e oxigenação.

    Por esse motivo quanto maior for o aporte sanguíneo mais rapidamente esse tecido será cicatrizado e maior é sua chance de reparação
    Esses fatores é que determinam o equilíbrio de eventos que compõem a cicatrização, eventos esses divididos didaticamente em três fases:

    1. Fase de demolição: células do tipo macrófago migram para fazer a “faxina”

    2. Fase de crescimento do tecido de granulação: reconstituição de células especificas do tecido lesado (p. ex macrófago e células endoteliais)

    3. Fase de maturação ou fibroplasia: há uma diminuição de irrigação provocada pela formação de colágeno e as fibras que pressionam os vasos, com isso temos retração do tecido agredido. É aqui que há maior necessidade de oxigenação.

    Macrófagos em um granuloma. Essas células são as principais responsáveis pela fase de demolição que faz parte da cicatrização

    2. Fase de crescimento do tecido de granulação:

    proliferação de fibroblastos e de células endoteliais dos capilares vizinhos à zona agredida.

    Essas células formam pequenos brotos endoteliais que crescem e penetram na zona agredida, onde se canalizam, anastomosam-se a outros brotos, constituindo alças capilares.

    Este sistema vascular neoformado apresenta aumento de permeabilidade nas suas novas junções capilares, com grande saída de elementos sanguíneos, água, eletrólitos e proteínas.

    Fibroblastos acompanham o tecido endotelial, migrando para essa nova matriz tecidual e secretando fibras colágenas.

    Vemos aqui um processo cicatricial em baço após uma inflamação crônica: PVB - polpa vermelha e branca (parênquima esplênico); ZT - zona de transição, em que se observa ainda a presença de tecido de granulação; ZO - zona de fibrose organizada, correspondendo a última fase da cicatrização (HE, 40X).

    Clinicamente, observa-se , no local da lesão, grânulos avermelhados e brilhantes, os quais correspondem aos brotos vasculares, mergulhados em um material gelatinoso, translúcido e frouxo.

    Daí o nome "tecido de granulação. O tecido de granulação é, assim, constituído por brotos capilares em diferentes formas de organização, estroma essencialmente protéico, leucócitos e hemácias. Dele partem as repostas da terceira e última fase da cicatrização.

    3. Fase de maturação ou fibroplasia:

    ocorre proliferação de fibroblastos e deposição de colágeno, que comprime os capilares neoformados, diminuindo a vascularização (desvascularização).
    A pressão contínua do colágeno e sua retração conduzem à contração da cicatriz fibrosa.

    Na pele, por exemplo, a regeneração do epitélio principia por volta do segundo e terceiro dias e, no conjuntivo, observa-se proliferação fibroblástica preenchendo o defeito do tecido.

    Ao final, tem-se, com a colagenização, uma cicatriz acelular relativamente clara, que pode atenuar ou mesmo desaparecer clinicamente.

    Fibroplasia em baço com inflamação crônica. Veja a grande quantidade de fibras colágenas, dispostas em feixes tendendo a paralelos, e fibroblastos bem maduros, alongados, quase sem citoplasma e núcleo evidente. Não se observam também vasos sangüíneos. Este é um quadro histológico de fibroplasia já bem organizado (HE, 200X).

    Tecido de granulação em cicatrização de abscesso, uma inflamação supurativa. A seta aponta os pequenos grânulos observados nesse tecido.

    O tecido de granulação é formado principalmente nas inflamações exsudativas, tanto supurativas quanto fibrinosas, nas inflamações crônicas em geral, em processos de trombose, quando há reorganização do trombo, em neoplasias e em ferimentos com grande perda tecidual. Nas extrações dentárias, por exemplo, a perfeita reparação do alvéolo dental depende fundamentalmente da permanência do tecido de granulação dentro do alvéolo, originado a partir da hemorragia provocada pela extração.

    Múltiplos quelóides originados de hábito de mordedura das mãos (um tipo de hábito parafuncional).

    Veja que a cicatriz é volumosa e de superfície lisa

    Esse tipo de fenômeno cicatricial é comum em negros.

    As cicatrizes promovem contração do tecido adjacente pois as fibras colágenas, ao amadurecerem, diminuem de tamanho e perdem a elasticidade.

    Essa perda de elasticidade, por sua vez, faz com que a cicatriz seja pouco resistente ao estiramento.

    Podem ocorrer complicações como infecções durante o processo reparativo (retardando este por se iniciar novamente uma inflamação aguda no local), alterações pigmentares (pode haver, por exemplo, depósito de hemossiderina)
    e dor (principalmente quando está envolvida a cicatrização de fibras nervosas)

    O quelóide, cicatriz tumoriformes comuns nos indivíduos de raça negra, também consiste uma complicação da reparação, em que forma um tecido liso e brilhante, com superfície elevada, devido ao fenômeno de hialinização de fibras colágenas.

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