Sabemos que os traumatismos sofridos durante uma cirurgia englobam aspectos celulares, bioquímicos e tissulares. As lesões da pele, do sistema circulatório sanguíneo e linfático, dos músculos necessitam cuidados especiais não somente para serem evitadas infecções como também para que o reparo cicatricial seja realizado com rapidez e perfeição. O processo de cicatrização, ou seja, o reparo das lesões ocorre através da proliferação do tecido conjuntivo fibroso que, posteriormente é substituído por cicatriz fibrosa. Durante o processo de cicatrização observamos fases como:
a) Fase exsudativa quando instalam-se os edemas e os hematomas característicos da fase inicial do pós cirúrgico. Os tecidos lesados liberam os mecanismos trombocíticos (coagulação) e também os mediadores químicos da inflamação aguda surgindo o exsudato fibrinoso que na pele caracteriza-se pela formação de crostas cuja função é realizar hemostasia e proteger os tecidos cutâneos contra contaminações externas. As células de defesa imunológica, os leucócitos, atravessam os capilares e migram até as lesões promovendo a fagocitose de microrganismos patogênicos prevenindo e combatendo dessa forma as possíveis infecções locais.
b) Fase proliferativa em que ocorre a síntese do tecido de granulação com produção de colágeno pelos fibroblastos, instalando-se a angiogênese que é a formação de novos capilares locais. Durante a angiogênese as células endoteliais secretam proteases que degradam a matriz extracelular migrando posteriormente para os espaços perivasculares onde proliferam e se rearranjam para constituir os novos vasos sanguíneos e linfáticos. Como neste período o tecido epitelial de revestimento ainda é muito delgado, observa-se uma coloração rosada pela transparência do epitélio recém formado.
c) Fase reparadora quando se forma o tecido cicatricial rico em colágeno que preencherá o tecido lesado.
d) Reepitelização onde há a restauração do epitélio nas bordas do ferimento observando-se intensas mitoses das células epiteliais o que caracteriza o término do processo de síntese da cicatrização.
RECURSOS ELETROESTÉTICOS
Nos primeiros dias de pós cirúrgico são recomendáveis inúmeros cuidados principalmente para que sejam evitados episódios desagradáveis como infecções e traumatismos que podem agravar e comprometer a convalescença do paciente. Todos os cuidados de assepsia devem ser tomados além da implantação de técnicas que visam promover a desinflamação local como a drenagem linfática manual e a aplicação de ativos de efeito bactericida, fungicida, antinflamatória e drenante. Quanto aos recursos eletroestéticos são indicados procedimentos como:
a) Microcorrentes e Ionização: que promovem alterações histofisiológicas acelerando o processo cicatricial. Por sua microamperagem galvânica produzem efeito subsensorial aumentando a concentração de ATP, ativando o transporte de aminoácidos e as trocas iônicas pela membrana celular, acentuando a captação de O2 nos tecidos, acelerando a biossíntese proteica, principalmente de colágeno dérmico e epidérmico com intensidades de 50 a 300 µ. A de corrente contínua entre o 5º e o 7º dia de pós cirúrgico. As microcorrentes e a ionização de baixa intensidade podem ser aplicadas com soro fisiológico ou com iontos aquosos ou em gel contendo ativos adequados ao pós-cirúrgico.
b) Microvibrações Ultrassônicas Pulsadas: este tipo de microvibração é é promovida pelo equipamento de Peeling Ultrassônico que tem a propriedade de gerar energia cinética, ou seja, proporcionar micromassageamento por ondas ultrassônicas ativando a produção de colágeno e elastina pelos fibroblastos acelerando o metabolismo celular, estimulando a microcirculação veno-linfática, ativando as funções celulares da epiderme e derme. Pode ser introduzido após o 7º dia de P.O. no modo pulsado com intensidade em torno de 0,5 w/cm² durante 2 a 3 minutos com ativos drenantes, cicatrizantes e antinflamatórios.
c) Vacuoterapia: a utilização da pressão negativa é indicada após o 21º dia de P.O. sobre as cicatrizes onde o objetivo é o de se obter uma boa qualidade de tecido de reparo. Sabe-se que o estímulo promovido pela vacuoterapia com o uso de ventosas faciais apropriadas estimula a formação de colágeno de modo uniforme prevenindo-se o aparecimento de pontos fibróticos e garantindo-se uma cicatriz de melhor aparência estética. Além disso , a drenagem veno-linfática proporcionada pela pressão negativa favorece a regeneração da atividade circulatória, reduzindo os edemas, trazendo maior elasticidade aos tecidos circunvizinhos e acelerando a recuperação dos traumatismos sofridos durante a cirurgia.
d) Laserterapia: o Soft Laser de luz vermelha e comprimento de onda de 660 a 680 nm atua como recurso antinflamatório, analgésico e antiedema, ativando o metabolismo celular através de sua ação sobre as mitocôndrias que passam a sintetizar maior quantidade de ATP e consequentemente acelerando a formação de tecido cicatricial.
e) Estimulação Muscular: pode ser empregada após 90 dias de P.O. auxiliando na tonificação da musculatura, favorecendo também a atividade circulatória veno-linfática e auxiliando na manutenção da cirurgia. O pós-cirúrgico deve sempre ter acompanhamento médico e estético, observando-se todas as contra-indicações e precauções quanto ao uso dos equipamentos para que a convalescença do paciente tenha sucesso e que os objetivos da cirurgia sejam alcançados com êxito. |