
Em busca da boa cicatrização. Ao decidir-se pela realização de uma cirurgia plástica para resolver qualquer problema físico que a incomode, a paciente leva em consideração uma série de aspectos, como o tipo de anestesia, o prazo de recuperação, os benefícios diretos, custos, etc. Mas uns dos que mais preocupam as mulheres são as cicatrizes, afinal, em alguns casos, uma cicatriz inestética pode ser tão desagradável quanto algumas gordurinhas a mais.
Vários fatores concorrem para uma cicatrização de boa ou de má qualidade e, entre eles, está a tendência natural da pessoa para desenvolver cicatrizes hipertróficas (que se restringem a área da incisão, mas são igualmente altas) ou queloidianas (aquelas que ultrapassam os limites da incisão), que nem sempre podem ser detectadas previamente pelo médico. Vamos esclarecer as dúvidas mais comuns a respeito da cicatrização após uma cirurgia plástica.Cabe ao cirurgião orientar e esclarecer a paciente sobre o tipo de cicatriz que poderá ter e, principalmente, acompanhar de perto todo o processo pós-operatório, advertem os médicos.
Questões mais frequentes:
1. Será que dá pra saber se tenho tendência a quelóides?
Quelóide (cicatriz irregular) é mais comum em pessoas com pele morena ou negra. Você também deve pesquisar se existem casos na sua família, já que a pré-disposição genética pode determinar tal processo de cicatrização anormal. Existem formas de prevenção que se aplicam após uma cirurgia, circunstância em que normalmente o problema se manifesta. Nesse sentido, em geral, os médicos sugerem, o uso dos raios Beta, aplicados sobre a cicatriz, ou de produtos com silicone (fitas de silicone) que aderem à cicatriz, logo depois a cirurgia, oferecendo resistência ao seu crescimento. Se o quelóide já apareceu, você pode recorrer a infiltrações com triancinolona, realizadas por médico, ou creme com imiquimod, que diminui a altura. Em último caso, o recurso é optar por uma cirurgia reparadora. Qualquer decisão deve ser discutida e orientada por um especialista.
2. Existe cirurgia sem cicatriz?
Não. Toda cirurgia plástica necessita de uma incisão e, portanto, vai deixar cicatriz. Ela pode ser maior ou menor, de boa ou má qualidade ou mesmo não aparente, mas estará lá, ainda que não apareça.
3. A cor da pele pode determinar se haverá boa ou má cicatrização?
Sabe-se que existe uma incidência maior de cicatrizes queloidianas e hipertróficas nas pessoas de pele negra e nos orientais, mas isso não significa que todo negro ou oriental terá uma cicatrização ruim. Há pacientes negros que têm ótima cicatrização e brancos que a têm péssima.
4. A incidência de cicatrizes queloidianas e hipertróficas é igual em qualquer área do corpo?
Há áreas que têm menor índice de tração e movimentação, o que favorece uma cicatrização melhor. Mas numa mesma linha, pode haver trechos com ótima cicatrização e trechos com hipertrofia intensa. Por exemplo: no abdômen, as cicatrizes horizontais são mais favoráveis para a boa cicatrização do que as verticais, que são linhas de força. A região do pré-externo (entre as mamas) também costuma apresentar cicatrização ruim.
5. O comportamento pós-cirúrgico pode levar à cicatrização hipertrófica1?
Sem dúvida. Tudo o que provoca a irritação local durante o período cicatricial pode levar à hipertrofia da cicatriz. Por exemplo, a exposição ao sol, às atividades físicas com sobrecarga e o uso de produtos cosméticos inadequados.
6. Qual a solução para a paciente que já teve uma cicatriz hipertrófica?
Quando a situação já está instalada e definida, a solução é a remoção da cicatriz – cortar, remover e suturar novamente – e iniciar a betaterapia (aplicação de raios beta) já no primeiro dia após a cirurgia. Devem ser feitas dez aplicações diárias, que são rápidas e indolores.
7. Fazendo a betaterapia não há com o que se preocupar?
A betaterapia garante uma chance de recidiva muito mais baixa. Mas, para que a cicatriz seja a melhor possível, o período pós-operatório deve ser seguido muito proximamente pelo médico, com visitas pelo menos a cada 15 dias. Às vezes, pode ocorrer um escurecimento da pele na cicatriz, que deve ser imediatamente tratada com o uso de cremes especiais. Se o médico perceber que determinada região está ficando mais grossa, deve utilizar outras substâncias que, na maioria das vezes, resolvem satisfatoriamente o problema.
8. A betaterapia pode ser empregada em todas as pacientes?
Este tratamento para cicatrizes queloidianas pode ser usado sim, pois é inócua, não causa danos. Por isso mesmo, muitos serviços têm adotado essa prática. Pode ser empregada a partir do primeiro dia após a cirurgia, assim que se que tenha a percepção de que a cicatrização não será ótima, tendendo a alargar-se. O único inconveniente é que, em alguns casos, pode ocorrer um escurecimento temporário da cicatriz de boa qualidade.
9. Depois de quanto tempo é possível saber que não haverá recidiva?
Após 30 dias da cirurgia, já é possível ter uma noção dos resultados da betaterapia, bem como saber se a cicatrização tende a ficar ótima ou existe possibilidade de hipertrofia.
10. Quanto tempo é preciso esperar para voltar à rotina normal?
Com a betaterapia respondendo normalmente, a pessoa pode retomar sua rotina completa, incluindo exercícios, depois de dois meses. |