Utiliza
a corrente galvânica (contínua), como uma das formas de
eletroterapia de maior utilização dentro da eletromedicina.
A corrente galvânica é uma corrente direta, ou seja, constante.
Possui movimento unidirecional de elétrons, criando dois pólos
distintos. No pólo positivo (+) ocorre reação ácida,
liberação de oxigênio, queimadura
ácida, coagulação, vasoconstrição
e sedação. Já no pólo negativo (-), há
reação alcalina, liberação de hidrogênio,
queimadura alcalina, liquefação, vasodilatação
e excitação.
Dentre as formas de aplicação clínica da corrente
galvânica estão a eletroforese e a iontoforese, que serão
melhor detalhadas no texto a seguir.
A-
Eletroforese: é a propriedade que a corrente galvânica
tem de separar as diversas cargas elétricas dentro do organismo
sem a utilização de produtos.
A
partir da separação por dois pólos, o positivo
e o negativo, tem-se os seguintes efeitos:
-
produção de calor;
- estimulação celular;
- vasoconstrição no pólo positivo e vasodilatação
no pólo negativo;
- ação anti-inflamatório.
B- Iontoforese: é a forma de utilização da eletroforese.
Em um dos pólos utiliza-se um produto com as seguintes características:
possuem polaridade definida e são solúveis em água.
Ou seja, quando se faz a alteração na aparente desordem
dos componentes da pele com a corrente galvânica, permite-se a
introdução de um princípio ativo através
da pele íntegra.
Princípios Básicos da Aplicação
Iontoforética
Transferência
de Íons
Muitos compostos são formados de unidades estruturais carregadas
positiva e negativamente chamados íons. Quando esses compostos
são colocados em uma solução apropriada, dissociam-se
dentro deles componentes polares (eletricamente carregados) que assumem
uma carga positiva ou negativa dependendo do átomo perder ou
ganhar um elétron.
Quando
um estado carregado, cada íons pode ser influenciado por um campo
elétrico criado dentro da solução. Os íons
positivamente carregados (cátions) serão atraídos
para o pólo negativo (cátodo) e repelidos do pólo
positivo. Os íons carregados negativamente (ânions) serão
atraídos para o ânodo e repelidos do cátodo. A repulsão
eletrostática de cargas iguais é a força motriz
para iontoforese.
Quando as drogas ionizam em solução, a porção
de drogas da molécula assumirá uma carga negativa ou positiva,
enquanto algum grupo do lado iônico assumirá a carga oposta.
A identificação da polaridade da droga determina a polaridade
do eletrodo usado para conduzir o íons na direção
dos tecidos. As drogas positivas são colocadas sob o eletrodo
positivo (ânodo) e as negativas são colocadas sob o eletrodo
negativo (cátodo). O eletrodo que contém ou sobrepõe
a droga é tipicamente referido como o eletrodo “ativo”
ou “de distribuição”, com o eletrodo oposto
muitas vezes chamado de eletrodo “de retorno” ou “dispersivo”.
Os efeitos mais comumente produzidos na utilização da
corrente galvânica são:
1-
Produção de calor – em função do fato
de que a corrente deve vencer a resistência específica
do meio (ex.: a pele).
2- Dissociação iônica – é
a eletroforese que nos possibilita a separação das substâncias
orgânicas que tenham polaridade definida.
3-
Iontoforese – é através da iontoforese que utilizamos
uma possível passagem através da íntegra de medicamentos
e/ou produtos ionizáveis (que somente serão assim considerados
em razão de seu fabricante informar quanto à sua possibilidade
em água e a sua polaridade).

Ilustraremos abaixo como se comportará uma solução
após a passagem da corrente galvânica. Note a ordem que
assumem os íons, com relação aos pólos positivo
e negativo.

Em
razão desta separação iônica, teremos como
montar um campo elétrico em nossa cliente, facilitando com isso
a penetração de produtos ionizáveis.
Quando ligamos o equipamento e a chave inversa está ligada na
posição normal, isto significa que no borne de saída
vermelho para o apoio positivo e no borne de saída preto para
o apoio negativo.
Ao mudarmos a chave para a posição inversa, o pólo
positivo sairá do borne preto e o negativo do borne vermelho.
Tipo
Corrente
Contínua (CC)
Amplitude 1-4 mA
Duração 20-40 min.
Dosagem de corrente total 40-80 mA.min
Tipo
de Corrente
A corrente contínua cria um campo eletrostático unidirecional
constante entre os eletrodos para permitir transmissão ininterrupta
da substância. Um aspecto da corrente contínua particularmente
importante durante a iontoforese, é a tendência dos efeitos
eletrofisiológicos e clínicos específicos ocorrerem
sob cada eletrodo.
Mesmo na ausência de qualquer substância, ocorre uma reação
alcalina no cátodo devido à formação de
hidróxido de sódio, enquanto ocorre uma reação
ácida no ânodo devido à formação de
ácido clorídrico.
Amplitude
de Corrente
Muitos estudos clínicos usando iontoforese relataram usar amplitudes
de corrente que variam de 1 a 5 mA.
Duração
da aplicação da Corrente
A extensão de tempo (duração) que a corrente é
aplicada durante a iontoforese varia muito de estudo para estudo. Durações
tão curtas quanto cinco minutos ou tão longas quanto várias
horas foram registradas.
Geralmente,
a extensão de tempo em que a corrente é aplicada é
inversamente proporcional a magnitude da corrente.
Correntes
de amplitudes maiores (aproximando ou excedendo 4 mA) são tipicamente
aplicadas para períodos de tempo mais curtos, enquanto que correntes
menores são aplicadas para durações mais longas.
Conceito
de Dosagem de Corrente durante a Iontoforese
A amplitude de corrente (mA) é multiplicada pela duração
(minutos) para fornecer a dosagem de corrente em unidades de mA/min.
Exemplo: amplitude de 2mA para uma duração de 20 minutos
irá produzir uma dosagem de 40 mA/min.
Em qualquer dosagem de corrente dada pode ser atingida por um número
infinito de combinações de amplitude-duração.
Por exemplo, uma dosagem de 40 mA/min. Pode ser atingida aplicando-se
1mA durante 40 minutos, 2 mA durante 20 minutos, ou 4 mA durante 10
minutos. Isso ilustra como o conceito de dosagem de corrente pode ser
muito útil na padronização da quantidade de corrente
elétrica usada como um veículo de substância durante
a iontoforese. Os pacientes que não são capazes de tolerar
amplitudes de correntes mais altas ainda podem receber uma dosagem de
corrente designada através de uma extensão da duração
do tratamento, ou seja, baixa a intensidade e aumenta-se o tempo de
aplicação.
Resulta-se que a intensidade é um feitor que depende da indicação
do paciente, sendo portanto subjetivo seu limite.
Forma de onda da Iontoforese

Ajustes de Intensidade 0 a 100 no painel , com carga de 10K 5W, sendo
que:
10 = 0,5 mA
25 = 1,5 mA
50 = 3 mA
75 = 3,5 mA
90 = 4 mA
100 = 5 mA
Tensão de 0 a 55V com carga de 10K
Prática Clínica da Iontoforese
Duração
da Sessão
O tempo que pode durar uma sessão de tratamento depende principalmente
da agressividade da substância, da quantidade, da intensidade
elegida e das precauções que se devem tomar nas primeiras
aplicações do tratamento.
O
tempo programado depende fundamentalmente da quantidade de substância
que deseja introduzir no corpo do paciente, ainda que dependerá
da intensidade aplicada e da superfície do eletrodo.
Porém existe um fator importante bastante difícil de controlar,
consiste no número de valência do radical que se deseja
introduzir e o peso da massa molecular. A relação entre
o tempo e a intensidade é inversa, de modo que a proporção
que aumenta a intensidade acima da média se deve reduzir o tempo.
Freqüência
das sessões
A potência da substância administrada é que determina
o intervalo entre as sessões, junto com a tolerância do
paciente, que pode variar de 2 a 3 vezes por semana.
Duração do Tratamento Completo
Uma vez atingidos os resultados propostos, o tratamento deve ser suspenso,
também em casos de intolerância ou queimadura.
Nos casos agudos o tempo de tratamento é curto, ao passo que
em tratamentos crônicos o tempo tende a ser maior.
Indicações
Um exame completo deve verificar se a iontoforese de uma medicação
específica tem o potencial para ajudar a aliviar a condição
do paciente sem produzir nenhum efeito desagradável.
- Analgesia em zonas localizadas; anti-inflamatório local; Vasodilatador;
Vasoconstritor; Relaxante muscular; Desencrustante do tecido; Neurotrófico
local; Cicatricial; Anti-séptico; Trombolítico.
De forma geral, a iontoforese sempre é indicada quando se deseja
introduzir um princípio ativo no organismo através da
corrente elétrica. Em estética é muito utilizada
no tratamento da celulite (HLDG) e da gordura localizada, pois se realiza
a introdução de princípios ativos lipolíticos
e veno-linfáticos.
Guirro (2002) relata que a iontoforese é utilizada há
mais de meio século, tendo sido mencionada na literatura desde
o século XVIII. A técnica é capaz de introduzir
substâncias ionizáveis a partir da pele e das mucosas para
o interior dos tecidos, pois aumenta a penetração de substâncias
polares através da pele sob um gradiente potencial constante.
Quando dois eletrodos metálicos conectados a uma fonte de corrente
contínua são interpostos a um segmento corpóreo,
em contato com uma solução eletrolítica, há
a possibilidade de se promover a transferência de íons
para os tecidos. É uma técnica de tratamento que permite
a introdução, a partir da pele e das mucosas, de íons
medicamentosos para o interior dos tecidos, utilizando-se, para tanto,
as propriedades polares da corrente galvânica (Zats, 1993).
De acordo com Soriano (2000), existem numerosos experimentos para demonstrar
a realidade da passagem dos íons para o interior do organismo,
todos estudos clínicos A.
Os experimentos demonstram a penetração dos íons
graças a corrente contínua e a ação da polaridade.
Demonstra-se ainda que a penetração não é
por contato, mas sim que um íon introduzido pelo mecanismo de
iontoforese tem os mesmos efeitos dos que são introduzidos por
qualquer outra via.
A migração iônica pela corrente galvânica
é influenciada por vários fatores, como a resistência
do tecido, tamanhos do eletrodo e as características eletrônica
da droga a ser ionizada. A droga a ser introduzida dever ser escolhida
em função de suas característica ionizáveis.
É necessário provar que:
•
Tal substância é passível de ionizar-se e movimentar-se
em campo elétrico.
• Seja capaz de atravessar a barreira dérmica e pode ser
detectada no organismo
• Que possui eficiência clínica. A quantidade de
íons absorvida é diretamente proporcional à intensidade
da corrente e ao tempo de aplicação.
A iontoforese é portanto, um procedimento de efeitos locais indiscutíveis,
mesmo que superficiais, sendo benefícios terapêuticos:
• Ausência de efeitos colaterais sistêmicos
• Ação localizada do medicamento
• Ação mais efetiva e prolongada do fármaco
no sítio de lesão.
Starkey (2001) relata que a introdução transdérmica
de medicação tem vantagens sobre a ingestão oral
ou injeção de medicação. Uma das vantagens
sobre a ingestão oral é que na iontoforese o medicamento
não passa pelo fígado, o que reduz a decomposição
metabólica da medicação, ou seja, a biotransformação
hepática.
Contra-indicações Eletroforese
Como
se sabe, a epiderme constitui uma barreira de resistência mecânica,
física e química, protegendo os demais organismos com
bactérias e agentes patogênicos.
A epiderme é resistente a altas temperaturas, a agressores mecânicos
e as radiações, sendo um fator de defesa muito importante.
Ele
permite suportar distintas agressões a limites prefixados fisiologicamente
a manter uma limitada resistência de uma corrente elétrica.
Se
a intensidade dessa corrente, em iontoforese, excede os limites de tolerância
com um bom tempo de aplicação, se produzem tipos de queimaduras,
como: - Queimadura elétrica; ou queimadura química.
A iontoforese é contra-indicada se no local do tratamento a pele
estiver danificada ou rachada. Uma diminuição na sensibilidade
da pele no local do tratamento também pode ser uma contra-indicação
para iontoforese, embora vários estudos tenham relatado o uso
cuidadoso da iontoforese para ajudar a resolver o tecido da cicatriz
e outras condições em que a sensibilidade possa estar
prejudicada.