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    Regina Di Marco
    Jornalista e Palestrante
    Tel.: (11) 6950-4820
    E-mail: rdimarco@uol.com.br
    Site: www.reginadimarco.com.br

    História da Moda Infantil

    Nos séculos passados, o primeiro ano de vida das crianças era uma verdadeira tortura. Da cabeça aos pés elas eram totalmente envoltas em faixas que mantinham o corpo aquecido e davam sustentação à coluna. De um a cinco anos de idade, usavam túnicas simples, de cor única (preta, vermelha ou marrom), com fendas laterais para facilitar o movimento das pernas, sem distinção entre menino e menina. Da simples túnica quase monástica, passou-se a um modelo mais produzido, totalmente abotoado.

    No final de 1500, foi criada a saia unissex longa, corpete e avental branco bordado para as meninas e meninos, moda que perdurou até meados de 1750. Mas o verdadeiro símbolo da roupa infantil foram as tiras de tecido ou couro que desciam dos ombros que ajudavam as crianças a andar e davam um toque decorativo à peça. O costume de vestir os pequenos com vestidos ou saiotes, sem qualquer distinção de sexo, manteve-se até os primeiros anos de 1800.

    Adultos em miniatura

    Após os cinco anos, a criança abandonava a vestimenta infantil e seguia os modelos dos adultos, reproduzindo em miniatura a moda masculina e feminina que, no decorrer dos séculos, acompanhou as mudanças políticas e os hábitos da época.

    Na verdade esse rito de passagem da roupa infantil para adulta era mais evidente para os meninos, que deixavam as saias para usar calças, ao contrário das meninas que passavam a se vestir como suas mães, envoltas em saiotes, corpetes e rendas.

    Quando se fala da história da moda infantil, fala-se da infância privilegiada, da alta burguesia, porque as demais classes sociais se vestiam de forma bem simples com túnicas, roupas largas e gastas, amarradas na cintura com uma corda.

    A revolução da vestimenta infantil chegou, por volta de 1762, com Jean Jacques Rousseau que combatia a moda que não dava liberdade às crianças, teoria que tinha apoio de educadores, médicos e filósofos. Este movimento, lentamente, influenciou a adoção de tecidos leves e cores mais claras, eliminando as armações das saias.

    Com o passar do tempo três tipos de roupas foram designadas como símbolos da moda infantil:

    Marinheiro - paletó azul com uma grande gola branca e quadrada enfeitado de ancoras ou galões militares, estilo usado por ambos os sexos com a diferença das saias com pregas para meninas, tema inspirado na roupa de cruzeiro do príncipe Edward.

    Pequeno Lord - calças até o joelho, casaca, gola e pulsos de renda

    Roupa “Eton” - calças compridas e paletó curto na cintura, moda inspirada no aristocrático colégio Eton, da Inglaterra.

    Mas foi só a partir do século XX que a temática das roupas mais confortáveis, leves e práticas para as crianças foi definitivamente levada a sério.

     


    1782 – as crianças Graham, de Willian Hogarth

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