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    ZENILDA FRANCO

    Docente Universidade Estácio de Sá - RJ,
    Pós graduada em Pedagogia Empresarial
    e Gestão Estratégica

    Fone: 21 2567.97719656.3353
    e-mail: zenildafranco@ig.com.br

    Marketing

    SE NÃO FOSSE A CULTURA EMPRESARIAL

    Uma história em três atos.

    “O nosso problema com as mudanças não é a nossa incapacidade, mas a nossa resistência. Al Scneider.”

    Existe uma região no Estado do Rio de Janeiro conhecida como Baixada Fluminense, região essa de alto índice populacional, e de inúmeras empresas. Entre as de prestação de serviços médicos está a de que se trata este artigo. Por motivos óbvios, os nomes de todos os envolvidos no caso e o da própria empresa são fictícios.

    Ato I - O Cenário

    Há aproximadamente setenta anos foi fundada na região, em um ponto privilegiado pela proximidade com uma área comercial bastante frequentada e de fácil localização, uma Empresa com foco na prestação de serviços médicos IMS; seu fundador, médico, era um “self made man”, um “workaholic”.

    Assim sendo, a empresa funcionava das sete às dezenove horas, de segunda a segunda, e aos sábados, das sete até as treze horas. Com pouquíssimos funcionários (dois) seu fundador fazia de tudo de consultas médicas a exames radiológicos, e sempre que possível, consultas domiciliares; quem o conheceu, dizia ser ele uma pessoa extremanente reservada e séria.

    Após seu falecimento, a empresa passou a ser de responsabilidade dos herdeiros. O mais velho Jorge ficou à frente da empresa, embora ele e seu irmão, Maurício, não possuíssem o menor conhecimento administrativo.

    Feito um contrato da sociedade entre os irmãos, a empresa prosseguiu em funcionamento com novos funcionários, médicos e técnicos. Jorge procurou formação como técnico na área de saúde e além de gerenciar a empresa trabalhava, de maneira semelhante à do fundador, já Maurício de temperamento expansivo, nunca atuou intensamente na gerência ou em outra atividade, embora tivesse tentado.

    Afastou-se alegando inadaptação ao ritmo e/ou exigências da Empresa e do irmão que passou a representar a mesma, mantendo o nome fantasia. Quando era preciso resolver questões em que era necessária a presença e/ou atuação dos dois , Mauricio comparecia e cumpria sua parte.

    Com o passar do tempo novas Empresas também se instalaram na área, prestando o mesmo serviço e competindo no preço.

    A situação complicou-se com a diminiuição do “market share”; Jorge resolve buscar ajuda profissional em uma firma de Consultoria que lhe fora recomendada, para tentar recuperar seu nicho de mercado ou evitar a falência sendo preciso a concodância de Maurício.

    Ato II – A Consultoria e seus Percalços

    A firma contratada XYZ era formada por um casal, Paulo e Antônia. Contrato firmado foram realizadas reuniões de alinhamento estratégico, no qual a IMS foi analisada apresentando se soluções ... ou quase isso.

    Paulo não causou boa impressão a Maurício, que o achava prepotente, arrogante, chato. Quando Antônia ratificou o trabalho de Paulo, afirmando ser ele possuidor de grandes conhecimentos - que iriam de aulas de Adminsitração de Empresas em Universidades conhecidas a Esoterismo, passando por Psicologia e comidas naturais - Maurício acrescentou mais um adjetivo à lista anterior: “Tásea” o popular “tá-se-achando”.

    Ele não gostava da imagem de Paulo: da voz, da postura... de nada, simpatizava com Antônia, tendo inclusive transmitido a ela suas impressões, opiniões e reclamações. Mas... e Jorge?

    Pessoa extremamente séria e reservada, nada dizia embora houvesse até apreciado a presença mais constante de Maurício (presença requisitada por Paulo) tinha algumas atitudes que eram claramente contra o que a consultoria fazia, ou o que os consultores recomendavam.

    Serviços foram ampliados, funcionários selecionados, mas o relacionamento entre os irmãos e os consultores, foi piorando cada vez mais.

    Maurício afastou-se da empresa após uma briga com Paulo. Depois, foi a vez de Jorge o que segundo Antônia ratificava a opinião de Paulo sobre ele: alguém com vários e sérios problemas psicológicos, que não estava disposto a mudar, e sendo assim, Paulo havia desistido de ajudá-lo.

    Ato III – O Grande Final

    Hoje em dia, a ligação entre a firma XYZ e a Empresa IMS é mínima. Antônia dá apoio administrativo financeiro e Paulo suporte na captação de clientes. A firma prosseguiu com uma pequena melhoria, recuperando parte do “market share” alguns serviços e modificações na empresa foram mantidas.

    Maurício e Paulo quando se encontram, na empresa ou na rua, não se falam. Antônia continua a se queixar de Jorge: sabotagem do trabalho que ela faz, a desistência de Paulo em relação a Jorge, o que para ela é um absurdo já que Paulo possui muitos conhecimentos e afirma ser capaz de resolver os problemas de uma Empresa em dois anos. E Jorge?

    Continua fechado, calado, e sério sendo muito difícil saber o que ele pensa. Toda esta historia ( consultoria x empresa) durou cinco anos...

    Segundo o conhecido autor da área administrativa Idalberto Chiavenato, em sua obra Gerenciando Pessoas: “ cultura organizacional significa o modo de vida, o sistema de crenças e valores sociais; a forma aceita de interação e de relacionamento que caracterizam cada organização. A cultura organizacional condiciona e determina as normas de comportamento das pessoas dentro de cada empresa. É a maneira de ser de cada empresa e de seus participantes.”

    Na empresa desta história real vários fatores ligados à cultura empresarial - foco deste artigo- influenciaram no desenvolvimento do trabalho da firma XYZ: o sistema de crenças e valores mantido desde a fundação da empresa IMS, a forma de relacionamento do tipo “manda quem pode obedeçe quem tem juízo” onde não se admite abdicar do poder, o confronto com outra personalidade forte que questionava este mesmo poder, barreiras no processo de comunicação, estilo de liderança, são alguns deles...

    Se não existisse (por pura abstração) a cultura organizacional, se todos pensassem do mesmo jeito, talvez não ocorressem problemas. As empresas seriam verdadeiros paraísos, a produtividade seria elevada e constante, o clima organizacional seria tão bom...

    Ou será que não?

    Força e Sucesso!

    Zenilda Franco – Pós graduada em Pedagogia Empresarial e Gestão Estratégica

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