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    ZENILDA FRANCO

    Docente Universidade Estácio de Sá - RJ,
    Pós graduada em Pedagogia Empresarial
    e Gestão Estratégica

    Fone: 21 2567.97719656.3353
    e-mail: zenildafranco@ig.com.br

    Marketing

    Esconder, para que?!

     

    Gostaria de dividir com você que por acaso esteja lendo este artigo, algumas reflexões sobre minhas experiências com o universo das pessoas com necessidades especiais, e seu impacto em minha vida.

    Por opção minha (principalmente religiosa) sempre andei “as voltas” com pessoas que dizem ter problemas. Em minha família existe uma pessoa já idosa, que teve paralisia infantil, e como seqüelas possui deficiência auditiva e de fala, além de dificuldades de raciocínio, principalmente o abstrato.

    Pois bem, esta pessoa ajudou a criar os seus cinco irmãos pois sabe lavar e cozinhar (Ah!!! e tricotar também.... rindo de quem não sabe e olhe que ela aprendeu apenas observando uma pessoa em um consultório médico!). Entre os de sua família suas “limitações” foram sempre respeitadas.

    Ela hoje está com 66 anos e ajuda a cuidar da mãe, com “86 janeiros”. Esta foi uma das experiências mais próximas, digamos assim. Depois desta tive mais algumas experiências (tenham paciência...) também muito importantes.

    Aí vão elas:
    • Crianças com Câncer (o preconceito já começa com relação ao nome que muitos têm medo de pronunciar, como se falar sobre o assunto, fosse contagioso) no INCA. E, querem saber? Foi Ó –TI -MO brincar e contar histórias para que esquecessem a dolorosa QT (quimioterapia) entre outras coisas, foi muito, muito bom!
    • Soropositivos terminais, na Casa Maria de Magdala em Niterói, em contato com pessoas consideradas em final de vida, que “deram a volta por cima”, podendo até voltar para casa, ou não, como vi acontecer, com alguém que a família não foi buscar e ele desistiu de viver...
    • Hansenianos no Hospital colônia de Curupaiti em Jacarepaguá. Posso afirmar que fiz grandes AMIGOS, como Horácio, um poeta de mão cheia, Romualdo ex-compositor de sambas e flamenguista doente, Erotides que apesar de ser alguém rústico era possuidor de grande sabedoria, Leonel que mesmo com as mãos dfeituosas era um excelente carpinteiro, Valentina e Beatriz, de uma dignidade a toda prova... Eles e outros mais recebiam as visitas com um enorme sorriso.
    E, como as visitas eram importantes! Poucos familiares costumam visitar estas colônias situação da qual eles se queixavam. Muitos deles já “mudaram de dimensão”.
    • Portadores de Necessidade Especiais selecionados pela Light aos quais capacitei na área de Gestão, com as mais diversas características: cadeirantes, muletantes, visão subnormal, entre outras deficiências físicas. Posso assegurar que esta foi uma das turmas nas quais eu mais me diverti! Como trabalho de conclusão criaram um informativo sobre o universo das necessidades especiais, o Eficiente que espero continue a existir.

    Recentemente, um amigo que vive na Suíça ao saber de minha experiência com a turma que fez o Eficiente comentou comigo que no exterior, pessoas com necessidades especiais são escondidas.Ele mesmo aqui no Brasil, ao ver alguém assim ficava encarando espantado, já que onde vive estas pessoas não são vistas. E aqui?

    Eu acho que existem duas formas de esconder uma necessidade especial: a que o preconceito dos outros causa, pelas piadas, risos, olhares espantados pelo “diferente” em completa negação; outra pela auto-estima baixa de quem é portador de alguma necessidade especial e que não se acha “especial” no melhor sentido da palavra. Por que estou escrevendo estas coisas?

    Inspirada na campanha governamental "Iguais na Diferença", quis dar minha contribuição. Nossos paradigmas e preconceitos nos fazem agir de maneira inadequada em relação a essas pessoas que também contribuem com suas potencialidades para a sociedade. Não sou melhor do que ninguém. As experiências que tive e que tenho tido, são de extrema importância para mim, pois me ajudam a ser uma pessoa melhor, me indicam limites e o que é altamente positivo: possibilidades e talentos, como qualquer outra pessoa com ou sem necessidade especial.

    O medo do diferente, do que foge aos padrões promove as reações absurdas ditadas pelo preconceito. Por isso eu pergunto: esconder, para que?!

    A cada dia, mais e mais portadores de necessidades especiais estão mostrando seu valor, sua capacidade, e sua beleza. E é isso mesmo!

    Nada de “complexo de tatu”. Não são santos; são seres humanos, com qualidades e defeitos; são cidadãos que trabalham, pagam impostos, pagam contas, convivem socialmente, têm time favorito, namoram, têm filhos, etc, etc, etc... Pobre de quem ainda não percebeu isso, em pleno século XXI!

    Para todos, com e sem necessidade especial, uso como recado final a letra da música cantada pelo saudoso Gonzaguinha:“Viver e não ter a vergonha de ser feliz...”

    Com ou sem necessidade especial, que a felicidade chegue à todos, como o resultado de um relacionamento interpessoal saudável e construtivo!

    Força e Sucesso!

    Zenilda Franco – Pós graduada em Pedagogia Empresarial e Gestão Estratégica

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