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    ZENILDA FRANCO

    Docente Universidade Estácio de Sá - RJ,
    Pós graduada em Pedagogia Empresarial
    e Gestão Estratégica

    Fone: 21 2567.97719656.3353
    e-mail: zenildafranco@ig.com.br

    Marketing

    OLHA SÓ QUE FOFO!

    Existe uma forma de trabalho muito conhecida por todos os brasileiros: o chamado comércio informal, aspecto da economia que surge quando e onde houver oportunidade e necessidade.

    Basta, por exemplo, o céu ficar nublado que aparecem os vendedores de guarda - chuva. Assim que um engarrafamento se concretiza surgem os que oferecem biscoitos. No verão, é ouvido constantemente nas ruas do Rio de Janeiro o refrão: “Água! Olha a água!”

    Dentro do transporte coletivo (ônibus) são oferecidos bombons, balas, amendoim, lixa de unha, pentes, canetas, tesouras, revistas com receitas culinárias, até escovas de dente, sendo que neste caso é comum o seguinte “monólogo”, dito de uma vez só, mudando apenas o produto:

    - “Boa tarde senhoras e senhores desculpe interromper o silêncio da viajem dos senhores, mas já interrompendo eu trago aqui na promoção né senhores, a escova de dente XXX com limpador de língua e de bochechas porque é muito importante cuidar da saúde dos dentes, né senhores, seja para resolver desde um pequeno problema como um sangramento até uma cárie.

    Nas drogarias os senhores poderão encontrar custando cinco real, mas aqui na minha mão, uma é três duas é cinco. Tem várias cores os senhores poderão escolher a vontade: amarelo, azul, vermelho... É mercadoria de qualidade. Uma é três duas é cinco!... Aquele que puder colaborar eu agradeço quem não puder eu agradeço da mesma forma!”.

    Legislação à parte, (o objetivo deste texto não é discutir a necessidade e/ou implicação das Normas vigentes) este comércio também se estende à Rede Ferroviária onde se passou o seguinte:

    Domingo à tarde, trem lotado, intensa oferta de produtos. Além daqueles já citados dentro dos ônibus, havia enfeites para o Natal, brinquedos, refrigerantes, sorvetes, tudo apregoado em altos brados e com uma linguagem por vezes truncada:

    • “ Gelado! É o gelado! Sorvete geladinhooooo!
    • Amendoim com casquinha de biscoito um é cinco, três é dez!
    • Olha o enfeite de Natal pra sua casa!
    • Cortador de unha! Unha grande, unha pequena, unha mole, unha dura!
    • Bala de banana, bala de iorgute, bala de erva cidrera pra acalmar os nervo!
    • Olha o brinquedo! Brinca ele, brinca ela!”

    E no meio dessa Torre de Babel, ouviu-se uma voz infantil que se destacou das demais pelo tom interpretativo do pregão:

    - “Olha só que fofo! Olha só que bonitinho! É tênis e chaveirinho!” Todos que ouviam procuravam o dono da voz, admirados da diferença de entonação. Não era um grito, era um convite ao diálogo. E o dono da voz...

    Pequeno, com aproximadamente dez anos, camiseta sem mangas, short, chinelo de dedo, cabelo “moicano”, uma bolsa surrada a tiracolo, e em cada dedo da mão esquerda um chaveiro no formato de um tênis de cano alto com aproximadamente cinco centímetros, em cores fortes e brilhantes: azul, verde, rosa... O preço convidativo – R$1,00.

    A oferta prosseguiu durante toda a viajem. Ao final, fiquei sabendo de alguns dados e confirmei algumas suposições: o menino realmente tinha dez anos e havia obtido sucesso pela quantidade de dinheiro nas mãos do pai.

    Este frizou que o pequeno vendedor o ajudava apenas durante as férias escolares e que gostava de fazer essa divulgação (esta foi a palavra empregada). Fiquei pensando, tentando entender o motivo do sucesso. Empreendedorismo?

    O “mini divulgador” demonstrou aspectos interessantes:

    • Visão – onde queria ir, como chegar lá;
    • Conhecimento dos Clientes e do Mercado;
    • Sucesso decorrente da habilidade de conseguir realizar o trabalho.

    O produto é atual e a forma de venda apresentou aspectos recomendados por especialistas da área de Marketing, como:

    • Saber o que o Cliente deseja e oferecer;
    • Inovação;
    • Desenvolvimento e fortalecimento de relacionamento;
    • Saber como o Cliente utiliza o produto.

    A que conclusão se pode chegar?

    Este é um caso que envolve tudo isso e mais ainda. Dentro da literatura com foco em Gestão é comum a análise de casos para melhor compreensão da teoria.

    Este caso poderia ser incluído, por mostrar como a teoria na pratica pode ser extremamente simples, como é possível aprender em um ambiente diferente daquele considerado empresarial (um vagão de trem), mas que também apresenta enorme pressão e competitividade, e como, mesmo envolvendo pessoas que não possuem curso superior, que desconhecem teorias de Marketing, análises e etc, é possível encontrar o resultado tão buscado, discutido e cultivado dentro de nossas Organizações: o sucesso.

    Força e Sucesso!

    Zenilda Franco – Pós graduada em Pedagogia Empresarial e Gestão Estratégica

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