O que são Varizes?
Varizes dos membros inferiores são veias doentes da superfície dos membros inferiores, que se tornam progressivamente dilatadas, alongadas e tortuosas.
Existe uma tendência hereditária para as pessoas apresentarem varizes, provavelmente o pai ou a mãe têm varizes, ou então, um dos avós ou mesmo um tio. Além da tendência hereditária, alguns fatores podem desencadear o aparecimento ou a piora do quadro de varizes. Um dos principais é a gravidez.
Outro muito importante é o uso de anticoncepcionais. Ficar muito tempo na posição em pé ou sentada também provoca varizes. Portanto, pessoas que ficam em pé paradas, ou sentadas durante muito tempo, usam anticoncepcional ou tem várias gestações e que apresentam a tendência hereditária, têm uma forte possibilidade de desenvolver o problema.
A questão hereditária favorecendo as varizes atinge homens e mulheres igualmente, mas existe uma proporção muito maior de mulheres com varizes do que homens, por causa do efeito do hormônio feminino em agravar o problema.
Varizes: um problema conhecido desde a antiguidade.
As varizes de membros inferiores são estudadas e tratadas desde a antiguidade, existem referências a tratamentos que remontam a mais de 2000 anos. No santuário do Doutor Amynos, perto da acrópole de Atenas foi descoberta em uma escavação, uma escultura, provavelmente realizada por um grego em agradecimento, que representava uma perna com grossas e nítidas varizes esculpidas.
Esta preocupação da medicina com as varizes desde os primórdios da história da civilização ocorreu porque as varizes são visíveis. Então para os observadores praticantes da medicina antiga, que não tinham sofisticados aparelhos para examinar o corpo humano por dentro, a relação de
causa e efeito dos sintomas com a presença das veias que são facilmente visíveis nos membros logo se fez.
Essa mesma característica de ser uma doença visível causa a preocupação das mulheres do século XXI com as antiestéticas marcas de varizes.
As varizes e as mudanças de costume da década de 60
A mudança de costumes das últimas décadas, principalmente o uso da mini-saia nos anos 60, levou a um grande desenvolvimento do cuidado com as varizes dos membros inferiores, particularmente no Brasil.
O nosso país é pioneiro e inovador em todo o mundo nas técnicas de tratamento de varizes de membro inferior.
O desenvolvimento da escleroterapia ("aplicação") e de novos equipamentos de crioescleroterapia para as telangiectasias ("vasinhos"), o uso da agulha de crochê, o uso de microincisões para as cirurgias de varizes e microvarizes, e mesmo a escolha das técnicas a serem utilizadas em cada caso foi desenvolvido aqui, por médicos que tinham como característica o senso de observação e a criatividade privilegiada que permitiu com poucos recursos descobrir avanços hoje adotados no mundo inteiro.
Podemos dizer, e claro, com certo orgulho, que na área de Flebologia (estudo das veias) o lugar que tem a melhor tecnologia no mundo é, e reconhecidamente o Brasil.
Lembramos as características criativas do Cirurgião Vascular e Angiologista brasileiros, mas é claro que um outro fator deve ser lembrado. A preocupação da mulher brasileira com o corpo.
Não só por causa do clima que pede roupas leves, mas também por causa da procura da beleza da mulher brasileira que é também única no mundo.
Os tipos de Varizes
Existem dois tipos de varizes: as chamadas primárias, que aparecem influenciadas pela tendência hereditária e as chamadas secundárias que aparecem por doenças adquiridas no decorrer da vida e são de tratamento mais difícil.
As varizes primárias são as responsáveis pelas antiestéticas linhas vermelhas e azuis de diversos tamanhos na perna da mulher e também pelas varizes de maior calibre e são as mais freqüentes.
As varizes secundárias são chamadas erroneamente de "varizes internas". "Varizes internas" não existem. Mas, existem sim problemas sérios de doenças nas veias internas, que são as varizes secundárias, e estas varizes é que são muitas vezes popularmente chamadas de “varizes internas”.
Podemos também considerar as varizes, de uma maneira simplista, como leves ou graves. As “leves” são as que, embora sejam uma doença, não causam um problema de saúde imediato causando mais preocupações estéticas, e as “graves”, são as que causam sérios problemas, como sangramentos, úlceras ( feridas), eczema, infecções, vermelhidão, manchas, espessamento da pele, dor, flebite e mesmo a embolia de pulmão, felizmente raro em varizes primárias, mas que põe em risco até a vida do paciente.
Os Tipos de Varizes segundo a Clínica Naturale
Existe uma classificação científica das varizes, chamada de CEAP, que é utilizada no mundo inteiro para as pesquisas científicas.
Mas esta classificação é muito complexa, e não é utilizada na prática do atendimento de pacientes.
Em pesquisas científicas, lideradas por médicos da Clínica Naturale, foi
desenvolvida uma nova Classificação Clínica, conhecida como Classificação Estético Funcional, ou ”Classificação de Francischelli”, que divide os pacientes portadores de varizes em 4 Tipos ou Grupos.
Cada um dos grupos tem características comuns que permitem escolher os melhores tratamentos.
TIPO 1 – IVIPE:
As varizes que são mais um problema estético.
Chamamos de Tipo 1 ou IVIPE-Insuficiência Venosa de Importância Predominantemente Estética a presença de varizes pequenas que são as telangiectasias (vasinhos) e veias reticulares ( microvarizes).
As telangiectasias (vasinhos) são as pequenas veias da pele, da espessura de um fio de cabelo, avermelhadas ou um pouco maiores, azuladas, mas que estão na intimidade da pele.
Apresentam vários formatos, desde pequenos riscos, até grandes arborizações. Podem estar presentes em todos os locais dos membros, atingindo, a coxa, a perna, o glúteo e em alguns casos até a região das costas.
As veias reticulares ( microvarizes), são maiores, e se apresentam como trajetos longos, azulados, e estão sob a pele, mas a ela intimamente relacionadas. Estas veias estão freqüentemente ligadas as telangiectasias.
É muito freqüente a associação de telangiectasias da face lateral da coxa, com estas veias reticulares que se estendem para a região lateral do joelho e atinge até a perna.
Apesar de ser um problema de saúde, uma doença, estas pequenas veias não causam riscos imediatos, sendo um problema que atinge mais a auto-estima do paciente. Portanto, geralmente o paciente procura o médico pela questão estética, por isso chamamos este tipo de IVIPE: "varizes de importância predominantemente estética".
A IVIPE - são então as varizes pequenas, da pele como as telangiectasias (vasinhos) e sob a pele como as veias reticulares (microvarizes).
Embora não seja um problema de saúde no curto prazo, ainda é uma doença a longo prazo, porque alguns raros problemas podem acontecer, como sangramentos.
Tipo 2 - IVIFE:
As varizes que são tanto um problema de saúde (funcional) como um problema de aparência (estético).
Chamamos de Tipo 2 ou IVIFE - Insuficiência Venosa Funcional e Estética a presença de veias de médio e grande calibre. Já é uma doença que envolve alguns riscos e problemas para o paciente, e por isso deve ser tratada, entretanto, pode estar presente também a preocupação estética.
Neste caso os dois problemas devem ser considerados, a doença (funcional) e a estética. A IVIFE - Insuficiência Venosa Funcional e Estética, acontece quando o paciente que apresenta a doença varizes, que necessita tratamento para evitar complicações, também está preocupado com a aparência.
É importante reconhecer estas duas condições: a doença (funcional) e a aparência ( a estética), porque durante o tratamento o médico deve corrigir a doença, mas também utilizar técnicas estéticas para que atenda o desejo de melhor aparência das pernas do paciente.
De nada adiantaria um espetacular tratamento médico, mas que deixa as marcas de cicatrizes enormes, e também não é interessante, cuidar da estética e deixar de resolver a doença.
Um perfeito equilíbrio entre os dois fatores é desejável no tratamento. Este tipo de varizes é muito freqüente, e são utilizadas em seu tratamento as técnicas estéticas e funcionais, para que a doença seja corrigida e ao mesmo tempo um resultado estético seja também obtido.
Por esta característica dupla, este tipo de condição necessita uma atenção própria por parte do médico, e assim é classificada em um grupo a parte.
Tipo - 3 IVFA:
As Varizes que são um problema de saúde (funcional) sem que o paciente tenha preocupações estéticas e que ainda não apresentaram complicações.
Chamamos de Tipo 3 ou IVFA - Insuficiência Venosa Funcional Assintomática, todas as situações onde se apresentem varizes, sem que a questão estética esteja envolvida.
Neste caso a doença (funcional) está presente, sem que o paciente esteja preocupado com a aparência (estética). Em alguns casos as varizes podem atingir grandes dimensões antes de apresentar complicações.
O tratamento, neste caso é voltado mais para as questões funcionais da doença venosa, embora os cuidados com manchas e cicatrizes sempre sejam tomados pelos médicos mais cuidadosos.
Tipo – 4 IVFS:
As varizes que são um problema de saúde (funcional) e que já apresentam complicações.
Chamamos de Tipo 4 ou IVFS - Insuficiência Venosa Funcional Sintomática, todas as situações onde se apresentem varizes, sem que a questão estética esteja envolvida, e já aconteceram complicações.
As complicações mais freqüentes são as Tromboflebites, as Úlceras de perna, as Hiperpigmentações, o Eczema Venoso, as Hemorragias, a Fibrose, a Dermatite Ocre, as Infecções e o quadro de Dor, e a temível, Embolia de Pulmão.
Neste caso a doença (funcional) está presente, sem que o paciente esteja preocupado com a aparência (estética). Geralmente são pacientes onde o problema está presente há longo tempo, sem tratamento, e que já apresentam complicações.
Neste caso, o médico deve se concentrar mais na questão da doença, que é muito grave podendo causar sérias restrições para o paciente.
Os diversos tipos seguem um grau de evolução, não significando que um grau necessariamente passará ao outro.
As varizes sempre pioram, mas cada paciente terá sua história, e não significa, embora seja possível, que o tipo 1 vá
virar tipo 4.
A doença é crônica e sempre deve ser acompanhada por seu cirurgião vascular de confiança que saberá escolher as melhores alternativas de tratamento. |