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O
Aparelho Ungueal e Suas Doenças
O
conhecimento da anatomia da unha é fundamental para entender seu
funcionamento e suas doenças. Neste artigo falaremos da anatomia
das unhas e das principais doenças que as afetam, fundamentais
para quem trabalha no cuidado delas.
O aparelho ungueal é muito mais que apenas a unha, funciona como
um sistema do organismo, com características especiais. É
formado por várias estruturas (Fig 1 e Fig 2):
1-
Raiz Ungueal: é quem forma a lâmina ungueal (unha),
está na região superior e inferior da base da lâmina,
pode ser vista nos primeiros dedos, como um semi-círculo branco,
a lúnula;
2- Dobra proximal: é a borda de pele que está
na base da lâmina ungueal;
3- Dobras laterais: são as bordas de pele nas
laterais das unhas;
4- Borda livre: é a parte distal da lâmina
ungueal, ou seja, a que cortamos;
5- Leito ungueal: é a pele que está colada
à lâmina ungueal, também participa da formação
da lâmina;
6- Lâmina ungueal: mais chamada de unha, é
uma placa de queratina dura, aderida ao leito ungueal e formada por ele
e pela matriz ungueal. Recobre a extremidade posterior da última
falange dos dedos;
7- Eponíquio: é a chamada cutícula,
porção de pele aderida à lâmina ungueal na
sua porção proximal, que serve para proteger a raiz contra
a entrada de umidade, substâncias químicas e agentes infecciosos.

Figura
1 – Incidência macroscópica da unha do polegar mostrando
aspectos normais.
Doenças do aparelho ungueal:
O
aparelho ungueal pode ser acometido por diversas doenças. Seu conhecimento
é muito importante para saber o que estará sendo alterado
na unha, se pode ser transmissível à profissional e a outras
clientes e o que se pode fazer para ajudar a pessoa que tem este problema.
1-
Unhas Frágeis: ocorre desidratação da lâmina
ungueal ou alteração da sua formação, ficando
quebradiça e mais maleável. As principais causas são
doenças internas, como alterações metabólicas
e hormonais e dermatite de contato (Fig. 3).
O que fazer: encaminhar ao dermatologista, que vai procurar identificar
a causa e tratá-la, controlando a doença e permitindo que
as unhas se fortaleçam.

Figura 3: 1- Unha normal; 2- Unha frágil.
2- Dermatite de contato: é uma alergia que ocorre
na lâmina ungueal e na pele ao redor dela, podendo ocasionar irritação,
vermelhidão, inchaço e dor. Pode ser causada por
diversas substâncias, como esmaltes e removedores de esmaltes com
acetona, sabões, detergentes e produtos de limpeza (Fig 4).
O que fazer: Evitar contato com as substâncias alergênicas
ou irritantes, muita vezes o médico solicita um teste específico
para tentar identificar qual a substância que está causando
a dermatite.

Figura 4 - Dermatite de contato nas unhas.
3- Psoríase: é uma doença herdada
geneticamente. Nela ocorre a formação de lesões escamosas
em qualquer região do corpo. As lesões apresentam fases
de piora e melhora, podendo acometer toda a pele nos casos mais graves.
Em alguns casos a doença manifesta-se apenas nas unhas. As unhas
ficam deformadas, com depressões na superfície da lâmina,
podendo ocorrer o descolamento entre a lâmina e o leito ungueal,
com formação de escamas sob a unha. A região entre
a parte doente da unha e a parte sem doença dá a impressão
de ter uma mancha de óleo (Fig. 5).
O que fazer: Encaminhar ao dermatologista, pois o tratamento desta doença
não é simples. Ela pode se parecer com onicomicose e ter
tratamento inadequado, o que piora o problema. A manipulação
da unha também costuma piorar a doença. Logo, se desconfiar
de psoríase, não mexa na unha. Não é transmissível.

Figura 5 - Psoríase acometendo a unha e o dedo. Note que parece
haver uma mancha de óleo sob a unha.
4-
Unha encravada: as unhas encravadas ocorrem quando a borda lateral
da unha penetra na dobra lateral da pele e provoca uma inflamação
no local. Isto é causado pelo uso de calçados inadequados,
problemas ortopédicos ou alterações no aparelho ungueal.
A inflamação se forma porque a unha, ao penetrar na pele,
age como um corpo estranho, onde o organismo tenta destruí-lo pela
inflamação. É comum ocorrer infecção
no local, agravando o problema. Pode ocorrer também a formação
de um granuloma, tecido friável e sangrante, chamado popularmente
de carne esponjosa (Fig. 6).
O que fazer: Se o local estiver inflamado, infectado, com secreção
ou muito dolorido, não mexer. O dermatologista fará uma
cirurgia para remover o excesso de unha ou o excesso de pele, destruindo
a raiz na região operada para evitar que o problema volte a ocorrer.
Nos casos muito iniciais, onde apenas uma pequena espícula de unha
está começando a penetrar na pele da borda lateral, sem
inflamação ou dor, pode ser tentada sua remoção
delicadamente, sem ferir a pele. Na dúvida, não manipular
a região.

Figura 6 – Unha encravada.
5
- Infecções: Diversos tipos de infecções
podem afetar o aparelho ungueal. Muito cuidado, pois todas elas podem
ser transmissíveis, tanto para outras clientes quanto para as profissionais.
A-)
Bacterianas: são as infecções mais comuns.
Ocorrem mais freqüentemente na pele ao redor da lâmina ungueal,
sendo chamadas de paroníquias. São acompanhadas por inflamação,
inchaço, vermelhidão e dor, podendo deformar a unha. Quando
afeta a matriz, a deformação da lâmina pode ser permanente.
A Paroníquia é facilitada pela remoção da
cutícula, que é uma proteção natural contra
a entrada de bactérias na dobra ungueal (Fig. 7 e 8).
O que fazer: encaminhar ao médico para tratamento o quanto antes,
a fim de evitar lesão na matriz. Não remover a cutícula
para não agravar a doença.


Figuras 7 e 8 - Paroníquia (infecção periungueal)0
b-)
Virais: as verrugas são as principais infecções
virais do aparelho ungueal. Podem acometer a raiz e causar danos permanentes
à lâmina ungueal.
O que fazer: encaminhar para tratamento médico, pois se manipuladas
inadequadamente podem proliferar-se, acometendo toda a região peri
e sub-ungueal.
c-)
Fúngicas: A infecção fúngica da lâmina
ungueal é chamada de onicomicose. É muito freqüente
e seu tratamento é caro e demorado. Pode causar descolamento e
destruição da lâmina, alteração da cor
(esverdeada, acastanhada, esbranquiçada), odor e dor. Também
pode ocasionar danos irreversíveis se acometer a raiz. Geralmente
começa na borda lateral ou distal (livre) da lâmina e cresce
em direção à raiz (Fig 10 e 11).
O que fazer: O tratamento deste problema envolve o médico dermatologista,
que solicita exames para detecção e identificação
do fungo e medica tanto com tópicos (esmaltes) quanto com comprimidos,
muitas vezes associados. A manicure e o podólogo ajudam muito no
tratamento, pois podem fazer o lixamento da lâmina e a aplicação
do esmalte semanalmente, além de acompanhar o uso da medicação
oral (perguntar se a cliente está tomando direito o medicamento)
e a evolução da doença (verificar se está
melhorando como deveria). Sobre o esmalte terapêutico pode ser colocado
o colorido, porém nunca “esconder” a micose da cliente
sem estar tratando, pois assim você não estará ajudando
e sim piorando a doença.

Figura 10 – Onicomicose com destruição quase total
da lâmina ungueal.

Figura 11 – Onicomicose na borda livre e lateral, com alteração
da cor da lâmina ungueal.
6-
Tumores: Diversos tumores malignos podem afetar o aparelho ungueal,
com chances de metástases e morte do paciente se o diagnóstico
e o tratamento forem tardios. Os tumores mais comuns nesta região
são:
a-)
Carcinoma Espinocelular: originário da camada espinhosa
da pele, forma lesões espessadas, sangrantes, indolores, ásperas
e avermelhadas. Podem parecer com verrugas ou infecções
(Fig 12).
O que fazer: qualquer suspeita de um tumor, encaminhar o mais rápido
possível ao dermatologista, que fará o diagnóstico
pelo aspecto e pela biopsia da pele.

Figura 12 - Carcinoma espinocelular do aparelho ungueal, lesão
verrucosa, irregular, mal delimitada, destruindo o aparelho ungueal.
b-) Melanoma: é o câncer de pele mais agressivo,
com alto índice de mortalidade se não for diagnosticado
e tratado no início. Na maioria das vezes é uma lesão
enegrecida ou acastanhada, irregular, com diferentes cores; ou se apresenta
como uma faixa escura na lâmina ungueal, larga, irregular, com surgimento
ou mudança recentes. Pode sangrar e é indolor (Fig 13 e
14).
O que fazer: qualquer mancha ou pinta ou faixa escura no aparelho ungueal
deve ser examinada o quanto antes pelo dermatologista, pois isto pode
salvar o dedo e a vida da cliente.

Figura 13 – Melanoma já avançado, acometendo o aparelho
ungueal. Note as áreas enegrecidas que caracterizam este tumor.
– Melanoma em faixa, acometendo o aparelho ungueal. Note as diferenças
de tons, a mancha invadindo a pele e a espessura da faixa escura.
Conclusões:
Muitos profissionais trabalham com o cuidado das unhas, sendo as manicures
e os podólogos os que têm maior contato com elas. O que diferencia
um bom profissional dos demais é o algo mais, que inclui o conhecimento
da estrutura (anatomia) da parte do corpo com a qual trabalham e o conhecimento
das principais alterações que ocorrem nesta região.
Isto vai permitir não apenas realizar seu trabalho, mas também
ser um agente de saúde, identificando possíveis doenças
e encaminhando o cliente a um profissional adequado para tratá-lo.
Os profissionais que tiverem este conhecimento e bom senso, sem dúvida,
vão se destacar e poder ajudar mais seus clientes que, muitas vezes,
não sabem que têm um problema e muito menos que ele pode
ser grave e pôr sua vida em risco.
Estes foram os principais objetivos deste artigo: oferecer informações,
agregar valores ao seu atendimento e torná-lo (a) um agente divulgador
de saúde.
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