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A
pele fica exposta a fatores do meio ambiente como vento, calor, frio,
radiações solares, água do mar ou da piscina, entre
outros. Muitos destes fatores prejudicam a pele, provocando seu ressecamento,
formação de manchas, infecções, infestações,
descamações, queimaduras, irritações e alterações
celulares. O ressecamento da pele será tanto mais intenso quanto
maiores forem os danos sofridos pela pele.
A HIDRATAÇÃO NATURAL DA PELE
A hidratação natural da pele é feita pela camada
mais superficial da pele, chamada camada córnea. Esta camada é
formada por células mortas, compostas por uma proteína chamada
queratina, coladas umas sobre as outras, bem aderidas. Entre estas células,
justaposto a elas, existe um cimento que é chamado de barreira
hidro-lipídica (fig. 1).
A camada córnea é impermeável à água,
ou seja, é responsável por impedir que o organismo perca
água para o ambiente ou que fique encharcado quando submerso na
água.
A barreira hidro-lipídica, como o nome já diz, é
formada por gorduras (lipídeos) e água, dispostas em camadas.
As camadas de gordura são responsáveis por represar a água
e não deixar que ela evapore, enquanto as camadas de água
impedem que a gordura perca sua estrutura e saia do seu lugar. Este mecanismo
é responsável pela hidratação da pele.
A água é quem dá a hidratação à
pele, porém a gordura é quem segura a água na pele,
promovendo a hidratação.
O uso de sabões, as esfoliações, a exposição
ao sol, ao vento e a água removem a gordura e algumas células
da camada córnea, causando o ressecamento da pele. Nesta situação,
a pele fica áspera e opaca, perde sua elasticidade, fica mais frágil,
apresenta descamações e pode coçar.
DOENÇAS
COM ESPESSAMENTOS PALMARES E PLANTARES
Existem diversas doenças que causam o espessamento das mãos
e dos pés, chamadas de queratodermias (ou hiperqueratoses) palmo-plantares.
Nestas doenças existe alteração na camada córnea,
que fica espessada e amarelada. Estas doenças podem ser genéticas
ou adquiridas e a hiperqueratose pode ser localizada ou difusa.
Nas doenças genéticas, o problema ocorre desde a infância
e as mãos e os pés são completa ou parcialmente acometidos
de maneira simétrica. Ocorre espessamento da pele, formação
de sulcos e fissuras, estrias espessadas, pontos mais endurecidos e vermelhidão
em graus variáveis de intensidade (fig. 2, 3, 4 e 7). Pode ocorrer
também acometimento do dorso das mãos e dos pés.
Nas hiperqueratoses adquiridas, o surgimento é tardio. Geralmente
o acometimento das mãos e dos pés não é simétrico.
Ocorrem devido a:
- Contato com substâncias químicas irritantes;
- Pressões mecânicas constantes (fig. 5 e 6);
- Fatores físicos como queimaduras, exposição ao
frio, irradiações;
- Infecções por fungos, vírus ou bactérias;
- Reações alérgicas;
- Medicamentos;
- Problemas circulatórios e neurológicos;
- Problemas ortopédicos;
- Doenças da pele como psoríase, líquen plano, diabetes,
neurodermatite, entre outras;
- Radiações solares;
- Menopausa.
Estas doenças devem ser diagnosticadas pelo dermatologista, que
indicará o tratamento específico para cada uma delas. O
tratamento nem sempre é fácil, ele envolve o uso de hidratantes
potentes, queratolíticos, medicamentos locais e sistêmicos
e pequenas cirurgias.
HIDRATANTES
Quando a pele está ressecada, podemos utilizar diversos produtos
para tentar hidratá-la, porém nenhum será tão
perfeito como o mecanismo natural de hidratação.
Os hidratantes geralmente contêm gorduras que ficam na superfície
da pele e têm como objetivo evitar a perda de água através
dela e hidratá-la. Alguns produtos possuem substâncias capazes
de atrair água para si e procuram segurar a água na pele
quando aplicados nela. Os hidratantes mais modernos procuram repor a barreira
lipídica da camada córnea, restaurando sua função.
Há diversas opções de hidratantes no mercado, cada
um útil para um tipo de pele e uma intensidade de ressecamento.
Eles devem ser utilizados apenas quando necessários e, em muitas
situações, devem ser prescritos pelo dermatologista, que
saberá o hidratante mais indicado para a pele de cada pessoa. CUIDADO,
em algumas hiperqueratoses palmo-plantares o hidratante além de
não melhorar poderá piorar ainda mais o problema.
Figura
1 – Anatomia e camadas da pele e detalhe da camada córnea
Figura 2 - Hiperqueratose plantar difusa (congênita)

Figuras
3 e 4 - Hiperqueratose plantar focal pontuada (congênita)
Figura 5 - Hiperqueratose adquirida nas áreas
de apoio.
Figura 6 - Espessamento e ressecamento com fissuras no
calcanhar.
Figura 7 - Hiperqueratose pontuada palmar
Obs: Agradeço aos colegas que disponibilizaram as fotos nos livros
de dermatologia e sites da internet.
Nota
da Editora: O Dr. Luiz Roberto Terzian é médico dermatologista,
residente em dermatologia pela UNIFESP-EPM, possui título de especialista
pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, é mestre em medicina
(dermatologia) pelo HC-FMSUP, professor voluntário do grupo de
cirurgia dermatológica da UNIFESP-EPM, coordenador do Congresso
Brasileiro de Manicures e membro da SBD, SBCD, AAD, EADV.
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