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    Coordenação de Vigilância das Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar - COVEH
    Coordenação: Rejane Maria de Souza Alves
    Telefone: (61) 3315-3310 / 3315-3321
    E-mail: coveh@saude.gov.br


    Histórico da Doença

    O botulismo é uma intoxicação aguda causada pela toxina produzida pelo Clostridium Botulinum. É adquirida, principalmente, ao ingerir alimentos contaminados com toxina botulínica. No entanto, existem outras duas formas de transmissão: botulismo por ferimentos e botulismo intestinal, onde a produção de toxina ocorre, respectivamente, em ferimento e em intestino de crianças menores de um ano e de adultos com doenças intestinais.

    O primeiro quadro clínico de botulismo pelo homem foi descrito, em 1820, pelo médico alemão Justino Kerner. Depois de ter analisado 230 casos, geralmente associados à ingestão de salsichas, Kerner deu o nome da intoxicação de botulismo, inspirado na palavra original do latim botulus, que significa chouriço, salsicha.

    Em 1896, na pequena cidade belga de Ellezeller, a intoxicação de 23 músicos, após ingestão de um presunto cru, motivou novos estudos. O pesquisador Emile Pierre Marie de Ghent desenvolveu meios de cultivo e crescimento do microorganismo, o qual denominou Bacillus Botulinum. Outro pesquisador, Van Ermengen, descreveu os detalhes básicos sobre a doença que provoca paralisia neuromuscular e a definiu como uma intoxicação e não uma infecção. Outras descobertas posteriores levaram à designação atual do bacilo Clostridium Botulinum.

    Atualmente, a doença está relacionada as más condições industriais e de armazenamento dos alimentos que destroem ou inibem microorganismos (bactérias e fungos) concorrentes do bacilo e tornam o ambiente favorável para que a toxina botulínica desenvolva-se sem competição.


    O que é?

    O botulismo é uma doença que causa neuroparalisia grave e que pode levar à morte por paralisia da musculatura respiratória. Sua ocorrência no Brasil está relacionada à contaminação alimentar. Apresenta altas taxas de letalidade e deve ser considerada uma emergência médica e de saúde pública.


    Qual o microorganismo envolvido?

    A toxina do bacilo (bactéria) Clostridium Botulinum, que pode ser adquirida pela ingestão de alimentos contaminados ou, mais raramente, por contaminação de ferimentos (Botulismo por Ferimentos) ou pela produção de toxina no intestino de crianças menores de um ano e adultos com doenças intestinais (Botulismo Intestinal). Os alimentos mais comumente envolvidos são: conservas vegetais, principalmente as artesanais (palmito, picles, pequi); produtos cárneos cozidos, curados e defumados de forma artesanal (salsicha, presunto, carne frita conservada em gordura - "carne de lata"); pescados defumados, salgados e fermentados; queijos e pastas de queijos e raramente em alimentos enlatados industrializados.


    Quais os sintomas?

    A doença pode manifestar-se pelos seguintes sinais e sintomas: dor de cabeça; vertigem, tontura; sonolência; visão turva; visão dupla; diarréia; náuseas; vômitos; dificuldade para respirar; paralisia descendente da musculatura respiratória, braços e pernas; comprometimento de nervos cranianos, prisão de ventre e infecções respiratórias. É importante lembrar que nem todos os sinais e sintomas ocorrem simultaneamente. Às vezes os pacientes só apresentam os menos graves, dificultando o diagnóstico da doença.


    Como se transmite?
    No caso de botulismo alimentar, a transmissão ocorre pela ingestão de alimentos contaminados pelo bacilo e que, por estarem mal preparados ou conservados, passam a produzir a toxina botulínica. O botulismo ainda pode propagar-se pela contaminação de ferimentos, em que os esporos do C. Botulinum penetram nas lesões da pele e produzem toxinas, que são absorvidas pela corrente sangüínea. O mesmo mecanismo ocorre no botulismo intestinal, em que crianças menores de um ano e adultos com doenças intestinais ingerem o bacilo, que pode produzir toxina no intestino, sendo absorvida.


    Como tratar?

    O êxito do tratamento depende do diagnóstico precoce da doença e das condições do local onde será realizado. A recuperação do paciente é mais rápida quando adequadamente tratado na Unidade de Terapia Intensiva - UTI.


    Como se prevenir?

    Os cuidados com o consumo, distribuição e comercialização de alimentos é a principal medida de prevenção.
    - Evitar ingerir alimentos em conserva que estiverem em latas estufadas, vidros embaçados, embalagens danificadas ou com alterações no cheiro e no aspecto;

    - Ferver ou cozinhar os alimentos por 15 minutos antes de serem consumidos (produtos industrializados e conservas caseiras que não ofereçam segurança);

    - Não se deve conservar os alimentos em uma temperatura acima de 15ºC.

    Fonte: http://portal.saude.gov.br/portal/svs/visualizar_texto.cfm?idtxt=21674

     

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