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A
coluna cervical é o elo flexível entre a plataforma sensorial
do crânio (visão, audição, olfato) e o tronco.
Entre suas principais funções estão o suporte e a
movimentação da cabeça, bem como a proteção
das estruturas do sistema nervoso e vascular.
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A coluna combina força (tubo ósseo
vertebral) e movimentação, que é realizada
por meio de um complexo sistema articular (discos, ligamentos intervertebrais
e articulações interapofisárias posteriores).
O principio fundamental de seu funcionamento
deve-se ao equilíbrio entre a força muscular e sua
flexibilidade, e qualquer disfunção desse equilíbrio
provoca dor. Realiza 600 movimentos por hora ou um a cada seis segundos.
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CERVICOBRAQUIALGIA
Ocorre nas protrusões postero-laterais ou foraminais do disco intervertebral.
A cervicalgia é devido à irritação do plexo
sensitivo raquidiano, enquanto a braquialgia (radiculopatia) por contato,
ou compressão da raiz nervosa pelo disco comprometido ou pelo osteófito.
As estenoses foraminais exercem ações mecânicas sobre
as raízes (tração e compressão) e biológicas
(distúrbios vasculares, edema, isquemia e irritação
química), promovendo manifestações clínicas
diversas.
A
hiperextensão do pescoço aumenta a estenose, podendo desencadear
a dor.
CERVICALGIA
1- A cervicalgia é uma síndrome caracterizada por dor e
rigidez transitória na região da coluna cervical, na maioria
das vezes auto limitada. Acomete 12 a 34% de uma população
adulta em alguma fase da vida, tendo maior incidência no sexo feminino.
2-
Está relacionada com a postura inadequada, tarefas repetitivas,
falta de entrosamento de equipes de trabalho e alta demanda de produtividade.
Trabalhadores de baixa escolaridade e serviços pesados e manuais.
Esses pacientes apresentam menor absenteísmo no trabalho que os
portadores de doenças lombares.
3- Os sintomas geralmente são causados por um espasmo muscular
e/ou tração de suas raízes nervosas, sendo que o
déficit neurológico é constatado em menos de 1% dos
casos.
A
presença de dor crônica, geralmente, é associada à
lesão do chicote e manifestações psicossomáticas
(depressão), enquanto a dor postural de natureza discutível
é reconhecida somente na flexão extrema e prolongada do
pescoço.
CLASSIFICAÇÃO
Existem dores ligadas à estrutura da coluna e outras devido a afecções
na vizinhança da coluna, manifestações clínicas
na coluna. A identificação das mesmas é essencial
para instituir o tratamento adequado. Entre as dores devidas a afecções
da estrutura da coluna cervical destacamos:
- Degenerativas (artrose, ossificação ligamentar idiopática);
- Mecânico-posturais (posturas viciosas, seqüelas neurológicas);
- Traumáticas (hérnias discais, lesão do "chicote"
e fraturas);
- Infecciosas (bacterianas, micóticas);
- Malformações congênitas;
- Inflamatórias (artrite reumatóide do adulto, artrite reumatóide
juvenil, espondilite anquilosante), metabólicas (osteoporose),
neoplásicas (metástases ósseas, mieloma múltiplo)
e ainda afecções no interior da duramater (meningioma, neurinoma
, abcesso, meningite).
Entre
as dores na coluna cervical, temos: disfunção da articulação
temporomandibular, inflamação dos gânglios, tireoidite,
faringite, carcinoma de laringe, traqueíte, aneurisma dissecante
da aorta, inflamação da carótida, infarto do miocárdio,
angina pectoris e a pericardite.
AFECÇÕES DEGENERATIVAS E TRAUMÁTICAS
O disco intervertebral é constituído pelo núcleo
pulposo (gel) e o anel fibroso, tendo como funções amortecer
impactos, receber e distribuir pressões.
A
partir da 3ª década da vida, ocorrem modificações
bioquímicas no disco devido a vários fatores (perda de sua
capacidade em distribuir cargas), que facilitam fissurações
no anel, favorecendo a insinuação do gel entre as fibras,
causando como conseqüência protrusão e/ou hérnia
discal. Também ocorre a formação de osteófitos
(bicos de papagaio) ao longo do corpo vertebral, nas articulações
zigoapofiseais, lâminas e ainda espessamento do ligamento amarelo.
Seu
quadro clínico é variável, dependendo do local em
que foram acometidas as estruturas nervosas e vasculares decorrente das
alterações osteodiscoarticulares.
Suas principais localizações e significado clínico
dependem do local onde os processos patológicos ocorrem.
CERVICOBRAQUIALGIA
Ocorre
nas protrusões postero-laterais ou foraminais do disco intervertebral.
A cervicalgia é devido à irritação do plexo
sensitivo raquidiano, enquanto a braquialgia (radiculopatia) por contato
ou compressão da raiz nervosa pelo disco comprometido ou pelo osteófito.
As
estenoses foraminais exercem ações mecânicas
sobre as raízes (tração e compressão)
e biológicas (distúrbios vasculares, edema, isquemia
e irritação química), promovendo manifestações
clínicas diversas.
A
hiperextensão do pescoço aumenta a estenose, podendo
desencadear a dor.
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QUADRO
CLÍNICO
A
Cervicalgia é, regra geral, insidiosa, por vezes súbita
e geralmente relacionada a movimentos bruscos do pescoço. Melhora
em repouso e piora ao movimento, aumento da pressão liquórica
e dígito pressão das apófises espinhosas. Podemos
observar espasmo muscular e pontos de gatilho.
A
radiculopatia caracteriza-se por fenômenos sensitivos e motores.
Os fenômenos sensitivos manifestam-se devido à irradiação
para o membro superior e/ou tórax, com ou sem parestesias. Os fenômenos
motores apresentam-se como fraqueza e alterações de reflexos.
O
comprometimento da raiz, regra geral, é unilateral, segundo a distribuição
do dermátomo correspondente, sendo as principais C5 (nível
C4/C5), C6 (nível C5/C6), C7 (nível C6/C7) e C8 (nível
C7/D1).
DIAGNÓSTICO
O
diagnóstico depende da história de antecedentes pessoais
e familiares, exame clínico geral, exame reumatológico,
neurológico e a seguir, segundo o raciocínio médico,
são solicitados exames subsidiários.
EXAMES
SUBSIDIÁRIOS
1. RX Simples
Está indicado para indivíduos com mais de 50 anos, com manifestações
neurológicas e falhas no tratamento clínico. As posições
a serem solicitadas são: frente, perfil (neutra, flexão,
extensão), oblíquas esquerda/direita.
Podem ser observadas reduções do espaço discal e
osteófitos, porém sua relevância é discutível,
sendo que na maioria dos casos não se observa correlação
entre imagem e sintomas. A dor radicular com radiografias simples pouco
significativas pode sugerir hérnia de disco.
2.
Tomografia Computadorizada
Está indicada no estudo de doenças ósseas, sendo
imagens que revelam espondilose e osteófitos nas articulações
zigoapofisárias. É útil para a medida do canal vertebral
e o forame de conjugação. Observam-se imagens patológicas
em pacientes assintomáticos.
3. Ressonância Magnética
Opção preferencial para detecção de patologias
de partes moles, tais como hérnia de disco e tumores. Estudo realizado
em 100 pacientes com doenças na laringe, sem queixas clínicas
relacionados à coluna cervical, evidenciaram 20% de lesão
discal em pacientes entre 45-54 anos e 57% com mais de 64 anos.
4.
Mapeamento Ósseo com TC 99MC
É útil para a pesquisa de metástases ósseas
(pulmão, mama, próstata, tireóide, rim) e nas infecções
e inflamações do disco (discite).
5.
Reações da fase aguda
Velocidade de hemossedimentação: acelera-se em processos
inflamatórios, infecciosos e neoplásicos e a proteína
C reativa (PCR), que se eleva nas mesmas condições.
6.
Eletroneuromiografia
Teste solicitado para comprovar uma radiculopatia e/ou informações
diagnósticas e prognósticas. Determina, em algumas situações,
o nível da raiz comprometida que apresenta anormalidades anatômicas
ou funcionais. Não é específica, pois em vários
pacientes submetidos à cirurgia não ocorreu correlação
entre o seu resultado e o nível observado durante o procedimento.
É útil quando a clínica e a imagem não permitem
localização do nível da compressão e também
para o diagnóstico diferencial com a síndrome do túnel
do carpo, na diferenciação entre processos do sistema nervoso
periférico e central, além de possibilitar a caracterização
entre um processo crônico e agudo.
CRITÉRIO DIAGNÓSTICO
Para
o diagnóstico, faz-se necessária uma história clínica
compatível, confirmação radiológica e concordância
clínico-radiológica. O diagnóstico diferencial deve
ser realizado com síndrome do desfiladeiro da subclávia,
Pancoast (câncer do ápice do pulmão), síndrome
do túnel do carpo e a periartrite do ombro.
TRATAMENTO
O
tratamento, na grande maioria dos casos, é clínico, e entre
os mesmos são utilizados medicamentos, como analgésicos,
antiinflamatórios não hormonais, antiinflamatórios
hormonais (corticoesteróides), e antidepressivos tricíclicos
(amitriptilina e nortriptilina).
O
colar cervical tem indicações específicas, pois reduz
o espasmo do músculo eretor. Deve ser utilizado por períodos
curtos de 2 a 3 horas, por 2 semanas, no máximo. Quanto à
fisioterapia, modalidades como ultra-som, bolsas de calor e frio, massagens
e exercícios. Também em casos específicos, a manipulação
manual ou sob anestesias é indicada. Infiltrações
com corticoesteróides nas articulações zigoapofisárias,
com melhora de até 50-70%, e remissões por até 3
anos.
Quando
a dor persiste com pouca melhora após 4 a 6 semanas, é denominada
de cervicalgia refratária ao tratamento e quando houver correlação
clínico-radiológica pode ser realizada infiltração
epidural com corticosteróide em número máximo de
3 aplicações e neurotomia percutânea por radiofreqüência
na artrose da articulação zigoapofisária.
O tratamento cirúrgico é indicado, na grande minoria dos
casos, nas situações de falha do tratamento clínico
bem conduzido por um mínimo de 2 meses, persistência e/ou
progressão do déficit neurológico e crises repetitivas
de cervicobraquialgia.
CERVICALGIA CRÔNICA
ASPECTOS GERAIS
A síndrome da dor crônica é observada naqueles pacientes
com falta de condicionamento físico, atrofia, rigidez e espasmo
muscular, postura inadequada e com história clínica não
convincente.
Regra
geral, são indivíduos com problemas familiares, que podem
apresentar depressão, ansiedade, hostilidade e disfunção
sexual. Na sua vida diária, mostram dificuldades no trabalho e
medo exagerado de atividade física. Por vezes, estão envolvidos
em benefícios previdenciários e problemas trabalhistas,
visando ganhos secundários.
TRATAMENTO
O tratamento consiste principalmente na conscientização
e apoio psicológico ao paciente. O repouso deve ser de curta duração,
sendo estimulado o retorno precoce às atividades.
Entre
os medicamentos a serem utilizados, analgésicos não narcóticos
e antiinflamatórios não hormonais. Não utilizar os
corticoesteróides. Antidepressivos tricíclicos, como a amitriptilina
e a nortriptlina, diazepínicos, e relaxantes musculares, como o
clonazepan, podem ser úteis.
Medidas
de relaxamento como massagens, exercícios de alongamento, banhos
quentes, hidroterapia e acupuntura, podem ser utilizados, porém
sempre devemos estimular o condicionamento físico. Apoio psicológico
pode ser útil.
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