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    Dr. Luiz Roberto Terzian
    Consultório: Clínica Projeto Corpo
    Rua Barão de Campos Gerais, 763
    Real Parque (Morumbi)
    Tel.: (11) 3758-9762



    DERMATITE DE CONTATO NAS MÃOS E NOS PÉS

    As Mãos e os Pés são áreas especiais, com anatomia e funções únicas.

    MÃOS – Efetoras das principais habilidades humanas, entrando em contato com todo tipo de substâncias e sujeitas a traumatismos.

    PÉS – ponto de apoio do corpo; úmidos e sujeitos a traumas, contato com o solo e com calçados.

    DERMATITE DE CONTATO

    A dermatite de contato é uma alteração inflamatória da pele desencadeada pelo contato com alguma substância externa ao organismo. Manifesta-se por vermelhidão, inchaço, vesículas e secreção quando é aguda (Fig. 1); crostas e secreção quando é subaguda (Fig. 2); e espessamento e endurecimento da pele quando é crônica (Fig. 3). É normalmente acompanhada por coceira, que pode ser de leve a muito intensa.
    Pode ser causada por irritação primária ou por sensibilização (alérgica).

    Figura 1 – Dermatite de contato aguda

    Figura 2 – Dermatite de contato subaguda

    Figura 3 – dermatite de contato crônica

    Dermatite de contato por irritação primária
    É causada por agentes com propriedades de provocar danos na pele por suas características cáusticas, sem a influência de fatores imunológicos. Estas substâncias provocam a dermatite em todas as pessoas, com maior ou menor intensidade, apenas nas áreas do contato.
    Pode ser aguda ou crônica, dependendo da potência da substância irritante.
    AGUDA: as lesões surgem logo após o contato com o irritante. São geralmente causadas por ácidos ou bases fortes.
    Os sintomas clínicos mais característicos são dor, ardor, calor local, vermelhidão e formação de vesículas ou bolhas (Fig. 1 e 4).

    CRÔNICA: as lesões surgem após contato prolongado com irritantes mais fracos, que causam danos cumulativos à pele. São geralmente causadas por sabões, detergentes, ácidos fracos e bases fracas.
    Os sintomas clínicos mais característicos são vermelhidão, ressecamento, fissuras e espessamento da pele (Fig. 3 e 5).

    Figura 4 – Dermatite de contato irritativa aguda

    Figura 5 – Dermatite de contato irritativa crônica


    Dermatite de contato por sensibilização (alérgica)
    É causada devido ao aparecimento de sensibilidade da pele a uma substância que esteve em contato com ela. Esta reação não se manifesta da mesma maneira e nem com a mesma intensidade em todas as pessoas que entram em contato com uma determinada substância; e não ocorre apenas na área onde ocorreu o contato, podendo surgir em diversas áreas do corpo. Não ocorre no primeiro contato com a substância, pois necessita ser reconhecida pelo organismo (fase de reconhecimento) para em um outro contato causar a dermatite (fase de reação alérgica).

    FASE DE RECONHECIMENTO: nesta fase inicial a substância fica em contato com a pele por mais de 18 horas, sem causar dermatite. O organismo reconhece este agente como uma substância agressora (alérgeno) e começa a produzir defesas (células imunológicas) contra ela. Após 2 a 3 semanas, as células de defesa já estão prontas na circulação sangüínea e na pele, ou seja, a pessoa está sensibilizada. Ainda não são observadas lesões na pele.

    FASE DE REAÇÃO ALÉRGICA: ocorre quando a pessoa previamente sensibilizada entra novamente em contato com aquele alérgeno. O organismo reconhece a substância e em 24 a 48 horas promove a reação alérgica, que se manifesta em várias regiões do corpo, além daquela aonde houve o contato. Inicialmente ocorre apenas vermelhidão, que pode evoluir com inchaço, calor local, vesículas, bolhas, secreção, crostas e espessamento da pele, associados à coceira. Nos próximos contatos a reação vai se tornando cada vez mais intensa e com aparecimento cada vez mais rápido (Fig. 6, 7 e 8).

    Figura 6 - Dermatite de contato alérgica

    Figura 7 – Dermatite de contato alérgica

    DIAGNÓSTICO DA DERMATITE DE CONTATO

    O diagnóstico, que nem sempre é fácil, é feito pela história clínica (profissão, hobbies, contato com substâncias químicas), localização das lesões, aspectos clínicos, exame histopatológico (biopsia) e teste de contato (para as dermatites alérgicas).

    Dependendo da localização ou da profissão, existem substâncias que causam dermatite de contato mais freqüentemente:
    NAS MÃOS: as mais diversas substâncias, com predominância para os materiais utilizados na profissão, sabões e detergentes. Cosméticos, esmaltes (Fig. 8 e 9), perfumes, medicamentos, tintas, vernizes, cimento, gasolina, anéis, luvas, pastas de couro, moedas, direção do automóvel, tintas de jornais e canetas. Todo objeto que possa ser tocado, manejado, segurado ou usado.
    NOS PÉS: Medicamentos para micoses e sudorese, anti-sépticos, esmalte de unhas, plantas. Plástico, borracha (Fig. 5), couro, colas e corantes dos calçados (Fig. 10) e meias de náilon ou tecidos tingidos.
    TRABALHADORES DE INSTITUTOS DE BELEZA: Xampus, preparados para ondulação dos cabelos, laquês, fixadores, loções capilares, esmaltes de unhas (Fig. 8) e seus removedores, cremes, propilenoglicol, bálsamo do Peru, acetona, perfumes, batons, óleos essenciais, águas de colônia e desodorantes.
    MEDICINA, ENFERMAGEM E OCUPAÇÕES AUXILIARES: bórax, desinfetantes como o fenol, lisol, formol, iodo, mercúrio, álcool, detergentes, sabonetes, anestésicos locais, antibióticos, látex das luvas.

    Figuras 8 e 9 – Dermatite de contato alérgica por esmalte de unhas

    Figura 10 – Dermatite de contato por calçado

    TRATAMENTO DA DERMATITE DE CONTATO

    O tratamento, que pode ser tópico ou sistêmico, vai depender da intensidade, duração, causas, localização e tipos de lesões da dermatite.
    O afastamento da substância causadora da lesão é a medida mais importante para o sucesso do tratamento, pois se voltar a ter o contato ocorrerá recidiva das lesões, que se tornarão crônicas e ainda mais difíceis de tratar. O problema é que nem sempre é fácil descobrir qual é a substância causadora, pois, como vimos, os pés e as mãos entram em contato com inúmeros agentes que podem causar dermatite de contato.
    TÓPICO:
    Na fase aguda utilizamos compressas com soluções anti-sépticas e secativas, como permanganato 1:15000 e solução de Burrow 1:40.
    Nas fases subagudas e crônicas, corticosteróides em soluções, cremes, pomadas ou infiltrações; de diferentes potências, dependendo do tipo, localização e intensidade da dermatite. Se houver infecção bacteriana ou fúngica associada, um tratamento específico deve ser ministrado.
    SISTÊMICO:
    Corticosteróides, antibióticos e antihistamínicos.

    CONCLUSÃO:

    A dermatite de contato é uma das doenças mais freqüentes das mãos e dos pés, podendo ser causada por inúmeros agentes de uso profissional, residencial ou em atividades de lazer.
    Pode ser alérgica ou irritativa e precisa ser diagnosticada com acurácia para que possa ser tratada e para identificar e afastar o quanto antes o seu agente causador.
    Os profissionais que trabalham cuidando das mãos e dos pés devem estar sempre atentos, pois são normalmente os primeiros a notar os sinais da dermatite de contato. Ao perceber esta doença devem orientar seus clientes e encaminhá-los ao dermatologista para o tratamento específico desta doença.

    OBS: Algumas das imagens utilizadas foram retiradas de sites da internet. Quero deixar registrado meu agradecimento aos colegas que as disponibilizaram.

    Dúvidas e esclarecimentos:

    betoterzian@uol.com.br

     

    Nota da Editora: O Dr. Luiz Roberto Terzian é Médico Dermatologista (CRM: 82118), Coordenador Científico do I e II Congressos Brasileiros de Manicures, Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica, Membro da American Academy of Dermatology, Colaborador do grupo de cirurgia dermatológica da UNIFESP-EPM e Pós-Graduando do HC-FMUSP/SP.

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