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DERMATITE
DE CONTATO NAS MÃOS E NOS PÉS
As
Mãos e os Pés são áreas especiais, com anatomia
e funções únicas.
MÃOS
– Efetoras das principais habilidades humanas, entrando
em contato com todo tipo de substâncias e sujeitas a traumatismos.
PÉS
– ponto de apoio do corpo; úmidos e sujeitos a traumas,
contato com o solo e com calçados.
DERMATITE
DE CONTATO
A
dermatite de contato é uma alteração inflamatória
da pele desencadeada pelo contato com alguma substância externa
ao organismo. Manifesta-se por vermelhidão, inchaço, vesículas
e secreção quando é aguda (Fig. 1); crostas e secreção
quando é subaguda (Fig. 2); e espessamento e endurecimento da pele
quando é crônica (Fig. 3). É normalmente acompanhada
por coceira, que pode ser de leve a muito intensa.
Pode ser causada por irritação primária ou por sensibilização
(alérgica).

Figura 1 – Dermatite de contato aguda

Figura 2 – Dermatite de contato subaguda

Figura 3 – dermatite de contato crônica
Dermatite de contato por irritação primária
É causada por agentes com propriedades de provocar danos na pele
por suas características cáusticas, sem a influência
de fatores imunológicos. Estas substâncias provocam a dermatite
em todas as pessoas, com maior ou menor intensidade, apenas nas áreas
do contato.
Pode ser aguda ou crônica, dependendo da potência da substância
irritante.
AGUDA:
as lesões surgem logo após o contato com o irritante. São
geralmente causadas por ácidos ou bases fortes.
Os sintomas clínicos mais característicos são dor,
ardor, calor local, vermelhidão e formação de vesículas
ou bolhas (Fig. 1 e 4).
CRÔNICA:
as lesões surgem após contato prolongado com irritantes
mais fracos, que causam danos cumulativos à pele. São geralmente
causadas por sabões, detergentes, ácidos fracos e bases
fracas.
Os sintomas clínicos mais característicos são vermelhidão,
ressecamento, fissuras e espessamento da pele (Fig. 3 e 5).

Figura 4 – Dermatite de contato irritativa aguda
Figura 5 – Dermatite de contato irritativa crônica
Dermatite de contato por sensibilização (alérgica)
É causada devido ao aparecimento de sensibilidade da pele a uma
substância que esteve em contato com ela. Esta reação
não se manifesta da mesma maneira e nem com a mesma intensidade
em todas as pessoas que entram em contato com uma determinada substância;
e não ocorre apenas na área onde ocorreu o contato, podendo
surgir em diversas áreas do corpo. Não ocorre no primeiro
contato com a substância, pois necessita ser reconhecida pelo organismo
(fase de reconhecimento) para em um outro contato causar a dermatite (fase
de reação alérgica).
FASE
DE RECONHECIMENTO: nesta fase inicial a substância fica
em contato com a pele por mais de 18 horas, sem causar dermatite. O organismo
reconhece este agente como uma substância agressora (alérgeno)
e começa a produzir defesas (células imunológicas)
contra ela. Após 2 a 3 semanas, as células de defesa já
estão prontas na circulação sangüínea
e na pele, ou seja, a pessoa está sensibilizada. Ainda não
são observadas lesões na pele.
FASE
DE REAÇÃO ALÉRGICA: ocorre quando a pessoa
previamente sensibilizada entra novamente em contato com aquele alérgeno.
O organismo reconhece a substância e em 24 a 48 horas promove a
reação alérgica, que se manifesta em várias
regiões do corpo, além daquela aonde houve o contato. Inicialmente
ocorre apenas vermelhidão, que pode evoluir com inchaço,
calor local, vesículas, bolhas, secreção, crostas
e espessamento da pele, associados à coceira. Nos próximos
contatos a reação vai se tornando cada vez mais intensa
e com aparecimento cada vez mais rápido (Fig. 6, 7 e 8).
Figura 6 - Dermatite de contato alérgica
Figura 7 – Dermatite de contato alérgica
DIAGNÓSTICO
DA DERMATITE DE CONTATO
O
diagnóstico, que nem sempre é fácil, é feito
pela história clínica (profissão, hobbies, contato
com substâncias químicas), localização das
lesões, aspectos clínicos, exame histopatológico
(biopsia) e teste de contato (para as dermatites alérgicas).
Dependendo
da localização ou da profissão, existem substâncias
que causam dermatite de contato mais freqüentemente:
NAS MÃOS: as mais diversas substâncias,
com predominância para os materiais utilizados na profissão,
sabões e detergentes. Cosméticos, esmaltes (Fig. 8 e 9),
perfumes, medicamentos, tintas, vernizes, cimento, gasolina, anéis,
luvas, pastas de couro, moedas, direção do automóvel,
tintas de jornais e canetas. Todo objeto que possa ser tocado, manejado,
segurado ou usado.
NOS PÉS: Medicamentos para micoses e sudorese,
anti-sépticos, esmalte de unhas, plantas. Plástico, borracha
(Fig. 5), couro, colas e corantes dos calçados (Fig. 10) e meias
de náilon ou tecidos tingidos.
TRABALHADORES DE INSTITUTOS DE BELEZA: Xampus, preparados para ondulação
dos cabelos, laquês, fixadores, loções capilares,
esmaltes de unhas (Fig. 8) e seus removedores, cremes, propilenoglicol,
bálsamo do Peru, acetona, perfumes, batons, óleos essenciais,
águas de colônia e desodorantes.
MEDICINA, ENFERMAGEM E OCUPAÇÕES AUXILIARES:
bórax, desinfetantes como o fenol, lisol, formol, iodo, mercúrio,
álcool, detergentes, sabonetes, anestésicos locais, antibióticos,
látex das luvas.

Figuras 8 e 9 – Dermatite de contato alérgica por esmalte
de unhas

Figura 10 – Dermatite de contato por calçado
TRATAMENTO DA DERMATITE DE CONTATO
O
tratamento, que pode ser tópico ou sistêmico, vai depender
da intensidade, duração, causas, localização
e tipos de lesões da dermatite.
O afastamento da substância causadora da lesão é a
medida mais importante para o sucesso do tratamento, pois se voltar a
ter o contato ocorrerá recidiva das lesões, que se tornarão
crônicas e ainda mais difíceis de tratar. O problema é
que nem sempre é fácil descobrir qual é a substância
causadora, pois, como vimos, os pés e as mãos entram em
contato com inúmeros agentes que podem causar dermatite de contato.
TÓPICO:
Na fase aguda utilizamos compressas com soluções anti-sépticas
e secativas, como permanganato 1:15000 e solução de Burrow
1:40.
Nas fases subagudas e crônicas, corticosteróides em soluções,
cremes, pomadas ou infiltrações; de diferentes potências,
dependendo do tipo, localização e intensidade da dermatite.
Se houver infecção bacteriana ou fúngica associada,
um tratamento específico deve ser ministrado.
SISTÊMICO:
Corticosteróides, antibióticos e antihistamínicos.
CONCLUSÃO:
A dermatite de contato é uma das doenças mais freqüentes
das mãos e dos pés, podendo ser causada por inúmeros
agentes de uso profissional, residencial ou em atividades de lazer.
Pode ser alérgica ou irritativa e precisa ser diagnosticada com
acurácia para que possa ser tratada e para identificar e afastar
o quanto antes o seu agente causador.
Os profissionais que trabalham cuidando das mãos e dos pés
devem estar sempre atentos, pois são normalmente os primeiros a
notar os sinais da dermatite de contato. Ao perceber esta doença
devem orientar seus clientes e encaminhá-los ao dermatologista
para o tratamento específico desta doença.
OBS:
Algumas das imagens utilizadas foram retiradas de sites da internet. Quero
deixar registrado meu agradecimento aos colegas que as disponibilizaram.
Dúvidas
e esclarecimentos:
betoterzian@uol.com.br
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