|

Nos
meses de dezembro a fevereiro, os hemocentros do Brasil tendem a sofrer
baixa nos seus estoques de sangue. Um dos motivos é o aumento do
número de acidentes de trânsito, em função
do crescimento do tráfego de veículos nas estradas no período
das férias. Outra razão para o afastamento dos doadores
no final do ano é a grande quantidade de festas que acontecem nessa
época. Muita gente deixa de doar sangue, acreditando que pode ficar
debilitada.
O
Ministério da Saúde esclarece que doar sangue não
dói, é rápido, fácil, e, principalmente, não
debilita e não prejudica a saúde. Em cada doação
são retirados, em média, 450 mililitros de sangue. "Uma
pessoa adulta tem, em seu corpo, em torno de cinco litros de sangue. A
quantidade retirada não afeta a saúde do doador e a recuperação
é imediata após o ato", informa a coordenadora do Programa
de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde, Eliana
Cardoso Vieira. Ela lembra que, em alguns casos, os doadores podem sofrer
mal-estar e tremores durante e após o momento da doação.
Esses sintomas, conhecidos como a síndrome vaso-vagal, são
de natureza psicológica e podem acontecer em muitos voluntários
que se sentem ansiosos. "A pessoa não está acostumada
a ver uma grande quantidade de sangue, por esse motivo pode se sentir
mal. Passado algum tempo da doação, o voluntário
volta ao normal", explica Eliana Cardoso.
Para
doar sangue, o voluntário deve procurar o hemocentro mais próximo.
Antes de doar, o candidato passa por uma entrevista médica. Esse
procedimento serve como controle de qualidade do sangue coletado. "O
doador deve estar com a saúde em ordem, caso contrário o
sangue não será aproveitado", explica Eliana Cardoso.
Após a coleta do sangue, realizam-se exames para detectar o tipo
do sangue e doenças como aids, sífilis, doença de
Chagas, hepatites B e C. Caso o resultado da sorologia seja positivo para
alguma dessas doenças, o doador é convocado a coletar uma
nova amostra para confirmação e, em seguida, é encaminhado
para um serviço de saúde. Normalmente, após a doação
o voluntário recebe um lanche e as instruções que
deve seguir após o procedimento.
Durante
o ano, o Ministério da Saúde promove duas campanhas nacionais
de doação de sangue. A primeira acontece na semana de 14
de junho, com o Dia Internacional do Doador de Sangue. A segunda, em 25
de novembro, com o Dia Nacional do Doador Voluntário de Sangue.
Essas datas servem para conscientizar a população sobre
a importância e os critérios para doação de
sangue. O governo federal promove as campanhas em parceria com todas as
secretarias estaduais e municipais de saúde. "As campanhas
desempenham um papel importante em todo país. O brasileiro não
possui uma cultura de doador de sangue. Em geral, durante as campanhas,
o número de visitas aos hemocentros aumenta consideravelmente",
observa Eliana Cardoso.
Além
de campanhas, o Ministério de Saúde, por meio da Política
Nacional de Sangue e Hemoderivados, desenvolve sistemas de informações
para avaliar constantemente a capacitação de profissionais
que trabalham com os doadores e pesquisar novidades científicas
sobre coletas e transfusões. A Política também tem
como meta investir na qualidade do sangue disponível. Existem hoje
1.750 unidades hemoterápicas (laboratórios, hemocentros,
bancos de sangue) credenciadas no Cadastro Nacional de Estabelecimentos
de Saúde (CNES). Deste total, 150 são hemocentros que integram
a rede pública de saúde.
Perfil
do doador - No Brasil, 1,8% da população doa sangue. De
acordo com parâmetros da Organização Mundial da Saúde
(OMS), para manter os estoques regulares é necessário que
3% a 5% da população faça isso regularmente. Do total
de material coletado, 49% vêm de doações espontâneas
e o restante de reposição. Pelo perfil do doador, 46% deles
são jovens entre 18 e 29 anos e mais de 35%, mulheres. "Ao
constatar esses dados, iniciamos uma campanha chamada Clube 25. O objetivo
é fidelizar os doadores dessa faixa etária", afirma
Eliana Cardoso. Em 2005, o Sistema Único de Saúde (SUS)
registrou 3,25 milhões de doações de sangue, número
6% maior que o apurado no ano anterior, quando ocorreram 3,04 milhões
de doações.
Serviço:
Para mais informações sobre doação de sangue,
ligar gratuitamente para o Disque Saúde: 0800-611997.
Fonte:
http://portal.saude.gov.br/portal/saude/visualizar_texto.cfm?idtxt=25472
|