Descrição da Doença:
Agente etiológico:
É um vírus DNA, hepatovírus da família hepadnaviridae,denominado vírus da hepatite B (HBV).
Histórico da Doença:
No século XX, nas décadas de 30 e 40, várias publicações relataram a ocorrência de icterícia após vacinação contra febre amarela, também produzida com a utilização de plasma humano.
Durante a II Guerra Mundial foram relatados casos de icterícia associados ao enorme número de transfusões sangüíneas. Nos anos 70, quando o vírus que causava a hepatite soro homóloga já havia sido identificado e denominado vírus da hepatite B (HBV), surgiram os primeiros relatos que levantavam a hipótese de sua contaminação por meio de transmissão sexual ocorrida em heterossexuais ou homossexuais masculinos, portadores de doença sexualmente transmissível. As primeiras medidas preventivas voltadas para a transmissão parenteral, incluindo a transfusão de sangue, foram tomadas e, em 1978, após publicação do Decreto 12.479, de 18 de outubro.
Ficou determinada a realização de sorologia para hepatite B nos hemocentros, além das sorologias para sífilis e doença de Chagas.
Situação da doença no Brasil:
O Brasil é classificado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um país com elevada prevalênciapara as hepatites B e Delta (D), particularmente na região da Amazônia Legal.
O vírus B (HBV), em alguns estudos do final da década de 80 e início dos 90, sugeriam um gradiente de aumento da freqüência da região sul em direção à região Norte. Assim, considerava-se que ocorriam três padrões de distribuição da hepatite B: alta endemicidade, com prevalência superior a 7%, presente na região Amazônica, sul do Espírito Santo e oeste dos estados do Paraná e Santa Catarina; endemicidade intermediária, com prevalência entre 2 e 7%, nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste e baixa endemicidade, com prevalência abaixo de 2% na região Sul do país.
Em algumas regiões do estado do Amazonas, com a implementação de campanhas de vacinação contra hepatite B, desde 1989, e a implantação da vacina em menores de 1 ano e em menores de 15 anos nos anos de 1991 e 1996, respectivamente, este padrão vem se modificando como atestamestudos mais recentes.
O Ministério da Saúde, em convênio com a Universidade Estadual de Pernambuco, vem desenvolvendo um estudo soro-epidemiológico de base populacional para as hepatites A, B e C nas capitais brasileiras. Na região Norte, para os portadores de HBV também será investigado o HDV.
Nas regiões Nordeste e Centro-Oeste, e Distrito Federal, onde o inquérito já foi concluído, foi encontrada baixa prevalência de portadores do HBV (variando entre 0,11 a 0,74%). Em 2007, iniciou as atividades de campo das regiões Sul e Sudeste.
Informações Gerais – O que todos devem saber:
1. O que é?
Doença infecciosa viral, contagiosa, conhecida anteriormente como hepatite soro-homóloga.
2. Qual o microrganismo envolvido?
O agente etiológico é o vírus da hepatite B, um vírus DNA, hepatovírus da família hepadnaviridae, podendo apresentar-se como infecção assintomática ou sintomática.
3. Quais os sintomas?
Hepatite B aguda: A evolução de uma hepatite B aguda consiste de três fases:
• Prodrômica ou pré-ictérica: Com aparecimento de febre, astenia, dores musculares ou articulares e sintomas digestivos, tais como anorexia, náuseas e vômitos, perversão do paladar, às vezes cefaléia, repulsa ao cigarro. A evolução é de mais ou menos 4 semanas. Eventualmente esta fase pode não acontecer, surgindo a icterícia como o primeiro sinal.
• Ictérica: abrandamento dos sintomas digestivos e surgimento da icterícia que pode ser de intensidade variável, sendo, às vezes, precedida de colúria. A hipocolia pode surgir por prazos curtos, 7 a 10 dias, e às vezes se acompanha de prurido.
• Convalescença: Desaparece a icterícia e retorna a sensação de bem-estar. A recuperação completa ocorre após algumas semanas, mas a astenia pode persistir por vários meses. Uma média de 90 a 95% dos pacientes adultos acometidos pode evoluir para a cura.
Hepatite B crônica: Quando a reação inflamatória do fígado nos casos agudos sintomáticos ou assintomáticos persiste por mais de seis meses, considera-se que a infecção evoluiu para a forma crônica. Os sintomas, quando presentes, são inespecíficos, predominando fadiga, mal-estar geral e sintomas digestivos. Somente 20% a 40% dos casos têm história prévia de hepatite aguda sintomática.
Em uma parcela dos casos crônicos, após anos de evolução, pode aparecer cirrose, com surgimento de icterícia, edema, ascite, varizes de esôfago e alterações hematológicas. A hepatite B crônica pode também evoluir para hepatocarcinoma sem passar pelo estágio de cirrose.
4. Como se transmite?
Por via parenteral, percutânea, transmissão sexual e vertical (mãe-filho).
5. Como tratar?
Hepatite aguda: Acompanhamento ambulatorial, com tratamento sintomático, repouso relativo, dieta conforme a aceitação do paciente. Hepatite crônica: Conforme diretriz clínico-terapêutica definida por meio de portaria do Ministério da Saúde (Portarias 860 de novembro de 2002).
6. Como se prevenir?
Educação e divulgação do problema são fundamentais para prevenir a hepatite B. Além destas ações a cadeia de transmissão da doença é interrompida a partir de:
• controle efetivo de bancos de sangue através da triagem sorológica;
• vacinação contra hepatite B, disponível no SUS, conforme padronização do Programa Nacional de Imunizações (PNI).
• uso de imunoglobulina humana Anti-Vírus da hepatite B disponível no SUS , conforme padronização do Programa Nacional de Imunizações (PNI).
• uso de equipamentos de proteção individual pelos profissionais da área da saúde;
• não compartilhamento de alicates de unha, lâminas de barbear, escovas de dente, equipamentos para uso de drogas;
• uso de preservativos.
Informações Técnicas
1. Aspectos epidemiológicos
Tempo:
Nos últimos 5 anos, a média de casos notificados confirmados de hepatite B foi de 14.000/ano.
Lugar:
Na região Norte, trabalhos recentes mostram que na região de Lábrea, no Amazonas, a taxa de portadores do HBV passou de 15,3%, em 1988, para 3,7%, em 1998. Na região de Ipixuna, no mesmo estado, esta queda foi de 18 para 7%.
No Acre, estudo de base populacional em 12 de seus 24 municípios apresentou taxa de HBsAg de 3,4%. Outros trabalhos também classificam a região Norte como de baixa ou moderada endemicidade, permanecendo com alta endemicidade a região sudeste do Pará.
Na região Sul, a região oeste de Santa Catarina apresenta prevalência moderada e o oeste do Paraná, alta endemicidade. A região Sudeste como um todo apresenta baixa endemicidade, com exceção do sul do Espírito Santo e do nordeste de Minas Gerais, onde ainda são encontradas altas prevalências.
A região Centro-Oeste é de baixa endemicidade, com exceção do norte do Mato-Grosso, com prevalência moderada. O Nordeste como um todo está em situação de baixa endemicidade.Pessoa: A distribuição por faixa etária da hepatite B revelou uma concentração de casos na faixa etária de 20 a 39 anos, seguida pela faixa etária de 40 a 59 anos.
Esta maior concentração de casos em adultos jovens pode estar ocorrendo pelas características de transmissão da hepatite B e também pelas medidas de prevenção adotadas, principalmente após 2001 com a implantação da vacinação para todas as pessoas menores de 20 anos.
Reservatório:
O homem é o único reservatório com importância epidemiológica. Os outros reservatórios apresentamimportância como modelos experimentais para o HBV como a marmota, o esquilo e o pato de Pequim.
Notificação de casos suspeitos:
De acordo com a Portaria SVS/MS Nº 5 de 21 de fevereiro de 2006, Anexo I, todo caso de hepatite B é de notificação obrigatória às autoridades locais de saúde. Deve-se realizar a investigação epidemiológica em até 48 horas após a notificação, avaliando a necessidade de adoção de medidas de controle pertinentes.
A investigação deverá ser encerradaaté 180 dias após a notificação. A unidade de saúde notificadora deve utilizar a ficha de notificação/investigação do Sistema de Informação de Agravos de Notificação – Sinan encaminhando-a para ser processada, conforme o fluxo estabelecido pela Secretaria Municipal de Saúde.
Aspectos clínicos Sinais e sintomas
A hepatite B pode ou não apresentar sintomas. Quando presentes, os sintomas podem variar entre os seguintes:
mal-estar, cefaléia (dor de cabeça), febre baixa, anorexia (falta de apetite), astenia (cansaço), fadiga, artralgia (dor nas articulações), náuseas, vômitos,prurido (coceira), desconforto abdominal na região do fígado e aversão a alguns alimentos e cigarro.
A icterícia geralmente inicia-se quando a febre desaparece e pode ser precedida por colúria (urina escura) e hipocolia fecal (descoloração das fezes). A hepatomegalia (aumento do fígado) ou a hepatoesplenomegalia (aumento do fígado e do baço).
Período de incubação Varia de 30 a 180 dias (média de 70 dias).Período de transmissibilidade Duas a três semanas antes dos primeiros sintomas, até o desaparecimento destes (forma aguda) ou enquanto persistir o antígeno de superfície do vírus B - HBsAg (forma crônica e portador).
Modo de transmissão Por via parenteral, percutânea, transmissão sexual e vertical (mãe-filho).
Tratamento Hepatite aguda: Acompanhamento ambulatorial, com tratamento sintomático, re¬pouso relativo, dieta conforme a aceitação do paciente.
Hepatite Crônica: Conforme diretriz clínico-terapêutica definida por meio de portaria do Ministério da Saúde (Portaria 860 de novembro de 2002).
Diagnóstico Diferencial:
Na abordagem inicial das doenças que cursam com icterícia, as hepatites virais devem ser sempre lembradas, tendo como diagnóstico diferencial a leptospirose, febre amarela, malária, dengue, septicemia (infecção generaliza), citomegalovirose, mononucleose, doenças hemolíticas, obstruções biliares, uso abusivo de álcool, uso de alguns medicamentos e de substâncias químicas.
Aspectos laboratoriais
Método Diagnóstico:
A suspeita diagnóstica pode ser guiada por dados clínicos e/ou epidemiológicos. A confirmação diagnóstica é laboratorial e realiza-se por meio dos marcadores sorológicos de triagem do HBV, que são HBsAg e anti-HBc.
Vacinação:
É realizada em três doses, com inter¬valo de um mês entre a primeira e a segunda dose e de seis meses entre a primeira e a terceira dose (0, 1 e 6 meses).
1. Faixas etárias específicas:
• menores de um ano de idade, a partir do nascimento, preferencialmente nas primeiras 12 horas após o parto;
• crianças e adolescentes entre um a 19 anos de idade.
2. Para todas as faixas etárias:
• vítimas de abuso sexual;
• vítimas de acidentes com material biológico positivo ou fortemente suspeito de • infecção por VHB;
• comunicantes sexuais de portadores de HBV;
• profissionais de saúde;
• hepatopatias crônicas e portadores de hepatite C;
• doadores de sangue;
• transplantados de órgãos sólidos ou de medula óssea;
• doadores de órgãos sólidos ou de medula óssea;
• potenciais receptores de múltiplas transfusões de sangue ou politransfundidos;
• nefropatias crônicas/dialisados/síndrome nefrótica;
• convívio domiciliar contínuo com pessoas portadoras de HBV;
• asplenia anatômica ou funcional e doenças relacionadas;
• fibrose cística (mucoviscidose);
• doença de depósito;
• imunodeprimidos;populações indígenas;
• usuários de drogas injetáveis e inaláveis;
• pessoas reclusas (presídios, hospitais psiquiátricos,instituições de menores, forças armadas, etc);
• carcereiros de delegacias e penitenciárias;homens que fazem sexo com homens;
• profssionais do sexo;
• profssionais de saúde;
• coletadores de lixo hospitalar e domiciliar;
• bombeiros, policiais militares, civis e rodoviários profissionais envolvidos em atividade de resgate.
Imunoglobulina humana anti-hepatite B (IGHAHB)
Indicação conforme Programa nacional de Imunizações (PNI):
para indivíduos suscetíveis:
• prevenção da infecção perinatal pelo vírus da hepatite B;
• vítimas de acidentes com material biológico positivo ou fortemente suspeito de infecção por HBV;
• comunicantes sexuais de casos agudos de hepatite B;
• vítimas de abuso sexual;
• imunodeprimido após exposição de risco, mesmo que previamente vacinados.
Publicações para Download:
Guia de Vigilância Epidemiológica da Secretaria deVigilância em Saúde
A, B, C, D, E de Hepatites para Comunicadores -
Hepatites Virais: o Brasil está atento -
Programa Nacional para a Prevenção e Controle das Hepatites Virais
Casos da Doença no Brasil
Tabela de casos confirmados de Hepatite B. Brasil, Grandes Regiões e Unidades Federadas. 1996-2006
Gráfico de Casos confirmados de hepatite B. Brasil e GrandesRegiões, 1996-2005
Tabela de Casos confirmados de Hepatite B. Brasil, Grandes Regiões e Unidades Federadas de residência por ano de notificação.1996-2008.
Óbitos causados pela doença no Brasil
Tabela de óbitos de Hepatite B. Brasil, Grandes Regiões e Unidades Federadas. 2000-2007
Gráfico de óbitos de Hepatite B. Brasil e Grandes Regiões |