HPV, O Papiloma Vírus Humano
De caráter predominantemente de transmissão sexual (mais de 90% dos casos), mas também podendo ser transmitido por roupas (toalhas, lençóis, colchões e biquínis), sabonetes, etc., a infecção pelo HPV está se tornando uma preocupação mundial devido ao número crescente de casos, talvez pela maior procura dos pacientes aos serviços de saúde e pelos meios de investigação diagnóstica cada vez mais precisos.
Antigamente chamado popularmente de "crista de galo" (devido a sua forma), o condiloma culminado é a forma clínica mais exuberante deste DNA vírus, pois se apresenta como verrugas (forma de pequenos brotos de couve-flor), que podem atingir os genitais; região perineal, perianal, virilhas e mais dificilmente o canal vaginal, o colo do útero ou o canal retal (masculino ou feminino).
Sintomas como irritação do pênis ou vulva de caráter freqüente, principalmente após as relações sexuais e lesões pruriginosas associadas ou não a lesões tipo alérgicas ou pequenas vesículas ou brotoejas precisam ser analisadas e diagnosticadas com critério.
A infecção oral pelo HPV também pode ser encontrada principalmente com a prática constante do sexo oral em pacientes contaminados.
Todavia, a maioria dos pacientes, principalmente os homens, não tem lesões visíveis, sendo investigados apenas quando os sintomas surgem em suas parceiras ou parceiros sexuais e na consulta dos mesmos é aconselhado o controle clínico do parceiro.
Porém, trabalhos científicos mostram que mais de 70% dos homens, parceiros de mulheres portadoras de HPV mostram algum tipo de lesão peniana quando submetidos a exames de peniscopia (exame do pênis sob lente de aumento) ou testes específicos para o HPV.
Apesar da característica benigna da maioria das infecções pelo HPV, a preocupação maior dos médicos é a relação direta de algumas famílias do vírus (cerca de 90 subtipos já foram identificados), com o aparecimento de lesões cancerosas do colo uterino, da vulva e ultimamente relacionados ao câncer anal e peniano.
HPV na vulva |
HPV no pênis |
Estudos recentes mostram que o DNA do HPV é encontrado entre 95% e 100% dos tumores epiteliais do colo uterino, sendo que em 1996 a OMS considerou o HPV subtipos 16 e 18 como os agentes etiológicos do carcinoma escamoso do colo.
Como dito anteriormente, nas últimas duas décadas a investigação e diagnóstico do HPV tomaram um grande impulso com a descoberta de novos métodos laboratoriais, como reações imuno-histoquimicas, a microscopia eletrônica e a hibridação molecular. O exame mais utilizado é a Captura Híbrida (DNA-HPV), atualmente o único aprovado pela OMS e FDA, exame este que tem a capacidade de medir a carga viral infectante. É o exame mais fiel apresentando nos estudos internacionais até 91% de sensibilidade.
Outro método é a citologia (coloração e estudo das células vaginais), porém menos sensível que os testes DNA-HPV, esperando-se para a avaliação citológica até 30% de falsos-negativos.
Associados, os dois métodos podem chegar até 99% de acerto diagnóstico.
TRATAMENTO
Nas lesões microscópicas o tratamento é feito com soluções e cremes citostáticos (que impedem o crescimento do vírus). Nas lesões maiores, visíveis ou verrucosas são utilizadas substâncias cáusticas exatamente sobre a lesão com proteção da pele sadia com lavagem com água corrente até no máximo 4 horas da aplicação.
São também utilizadas terapias ablativas, como crioterapia, cirurgia a laser, bisturis de alta-freqüência ou interferon intra-lesional.
O controle citológico, assim como colposcopia, vulvoscopia, peniscopia e a captura hibrida se farão necessários até a cada 3 meses, dependendo do caso até por 2 anos.
Orientações ao paciente e parceiro sexual são imprescindíveis no que tange à higiene sexual apurada, bem como o uso de preservativos nas relações sexuais durante e após o tratamento.
Como toda infecção, deverá ser avaliada a capacidade imunológica e atuar, se necessário, do ponto de vista clínico e medicamentoso na melhora da resistência do paciente.
Fonte das Imagens: http://www.gineco.com.br
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