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    Coordenação de Vigilância das Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar - COVEH
    Coordenação: Rejane Maria de Souza Alves
    Telefone: (61) 3315-3310 / 3315-3321
    E-mail: coveh@saude.gov.br


    Histórico da Doença

    A meningite é uma doença grave e que acomete principalmente crianças, por isso, é alvo de preocupações tanto para a população quanto para as autoridades de saúde.
    A meningite meningocócica, dentre os diferentes tipos de meningite, é considerada a mais importante em virtude de sua gravidade e potencial de transmissão.

    De acordo com a literatura, este agravo surgiu em princípios do século XIX como resultado de mutações de bactérias comensais existentes na nasofaringe dos humanos. Foi primeiramente estudada por Vieusseux, em Genebra na Suíça, durante um surto ocorrido em 1806. A bactéria responsável pela doença foi identificada e descrita pela primeira vez em 1884 por Marchiafava e Celli na Itália; mas somente em 1887 foi cultivada recebendo a denominação de Neisseria meningitidis por Weichselbaum. Durante o século XIX, as epidemias foram freqüentes na Europa e em fevereiro de 1906 foram identificados os primeiros casos da doença em São Paulo.


    O que é?

    Inflamação das meninges (membranas que revestem o cérebro)


    Qual o microrganismo envolvido?

    Pode ser causada por agentes infecciosos (ex: bactérias, vírus, fungos e outros) e não infecciosos (ex: traumatismo).

    Para a saúde pública, os principais agentes infecciosos são as bactérias e os vírus.


    Quais os sintomas?


    Os principais sinais e sintomas são: febre alta que começa abruptamente; dor de cabeça intensa e contínua; vômitos em jato; náuseas; rigidez dos músculos da nuca, ombros e das costas; falta de apetite; dores musculares e agitação física e mental. Podem surgir manchas vermelhas na pele. Em crianças menores de um ano, os sintomas mais comuns são: moleira tensa ou elevada, irritabilidade; inquietação com choro agudo; rigidez corporal com ou sem convulsões.


    Como se transmite?

    Contato de pessoa a pessoa, por via respiratória, através de gotículas e secreções do nariz e garganta.


    Como tratar?

    Na suspeita de meningite, o paciente deve imediatamente procurar assistência médica. Após a avaliação médica e análise preliminar de amostras clínicas do paciente, caso seja confirmada a suspeita diagnóstica o paciente ficará internado e o tratamento será realizado com antibióticos específicos.


    Como  prevenir?

    Existem vacinas para prevenir alguns tipos de meningite. Dentre estas, estão disponíveis no calendário de vacinação da criança as seguintes vacinas: BCG (previne meningite tuberculosa) e Tetravalente que protege contra a meningite por Haemophilus influenzae tipo b além de doenças como a Coqueluche, a Difteria e o Tétano. As vacinas contra a meningite meningocócica estão disponíveis para controle de surtos.

    Para alguns tipos de meningite (doença meningocócica e meningite por Haemophilus influenzae) existe a possibilidade de prevenir novos casos da doença entre pessoas que tiveram contato prolongado com indivíduo doente até duas semanas antes do adoecimento através da administração de antibiótico profilático específico.
    O diagnóstico e o tratamento precoces são formas de prevenir complicações da doença. 
    Outras formas de prevenção incluem: evitar aglomerações, manter os ambientes ventilados e a higiene ambiental e corporal.

    Informações para profissionais

    Características Clínicas e Epidemiológicas


    As infecções causadas pelas bactérias Neisseria meningitidis, Haemophilus influenzae e Streptococcus pneumoniae podem limitar-se à nasofaringe ou evoluir para doenças invasivas, tais como: meningite, septicemia, pneumonia e outras. Em geral, o quadro clínico da meningite bacteriana é grave e caracteriza-se por febre, cefaléia intensa, náusea, vômito, rigidez de nuca, prostração e confusão mental. A presença de alguns sinais clínicos pode sugerir a suspeita etiológica. É o caso da infecção pela Neisseria meningitidis que, em alguns casos, pode apresentar-se com quadros de meningococcemia com ou sem meningite caracterizada por exantema petequial ("rash") principalmente nas extremidades do corpo. Diferentemente das demais meningites bacterianas, as meningites tuberculosa e fúngica podem apresentar uma evolução mais lenta, de semanas ou meses, tornando difícil a suspeita diagnóstica.

    Em relação à meningite viral, o quadro clínico é semelhante ao das demais meningites agudas. Entretanto, ao exame físico, chama a atenção o bom estado geral e presença de sinais de irritação meníngea. Quando se trata de Enterovírus é importante destacar que os sinais e sintomas inespecíficos que mais antecedem e/ou acompanham o quadro da meningite são: manifestações gastrointestinais (vômitos, anorexia e diarréia), respiratórias (tosse, faringite) e ainda mialgia e erupção cutânea.


    Agente Etiológico


    1. Neisseria meningitidis (meningococo) - responsável pela Doença meningocócica

    Bactéria gram-negativa com característica morfológica esférica (cocos) disposta em pares. Possui diversos sorogrupos, de acordo com o antígeno polissacarídeo da cápsula, sendo que os mais freqüentes são os sorogrupos A, B, C, W135 e Y. Também são classificados em sorotipos e subtipos de acordo com os antígenos protéicos da parede externa do meningococo.


    2. Streptococcus pneumoniae (pneumococo) - responsável pela meningite por pneumococo

    Bactéria gram-positiva com característica morfológica esférica (cocos), disposta em cachos. É alfa-hemolítico e não agrupável possui mais de 90 sorotipos capsulares.


    3. Haemophilus influenzae (hemófilo) - responsável pela meningite por Haemophilus influenzae

    Bactéria gram-negativa que pode ser classificada em 6 sorotipos (a, b, c, d, e, f), a partir da diferença antigênica da cápsula polissacarídica. O H. influenzae desprovido de cápsula, se encontra nas vias respiratórias de forma saprófita, podendo causar infecções assintomáticas ou doenças não invasivas, tais como: bronquite e sinusites, tanto em crianças como em adultos. A forma capsulada, particularmente a do tipo b, antes da introdução da vacina Hib, era responsável por 95% das doenças invasivas.


    4. Mycobacterium tuberculosis (bacilo de Koch) - responsável pela meningite tuberculosa

    Bacilo não formador de esporos, sem flagelos e que não produz toxinas. É uma espécie aeróbica estrita, ou seja, que necessita de oxigênio para crescer e se multiplicar. Tem a forma de bastonete, medindo de 1 a 4 micra. Quando corado pelo método de Ziehl-Neelsen, fixa a fucsina, não se descorando após tratado pelos álcoois (álcool-ácido resistente).


    5. Enterovírus

    Nesta família destacam-se os seguintes vírus: Echovírus, Coxackie e Poliovírus.


    Modo de Transmissão

    A transmissão é de pessoa para pessoa, através das vias respiratórias por gotículas e secreções do nariz e da garganta.

    Há necessidade de contato intimo (residente da mesma casa, colega de alojamento, namorado) ou contato direto com as secreções do paciente.

    Destaca-se que em relação à Neisseria meningitidis, Haemophilus influenzae e Streptococcus pneumoniae é possível haver indivíduos portadores da bactéria sem apresentar sintomas (portador assintomático). Desta forma, o portador assintomático pode ser uma importante fonte de transmissão.

    A transmissão fecal-oral é de grande importância na transmissão de infecções por enterovírus.


    Período de Incubação

    Varia conforme o agente etiológico.

    De modo geral, para a maioria das meningites varia de 2 a 10 dias, com média de 3 a 4 dias.

    Para a meningite tuberculosa são considerados os primeiros seis meses após a infecção.


    Período de Transmissibilidade

    Varia conforme o agente etiológico.

    Em relação às meningites com potencial de transmissão destaca-se que há risco de transmissão enquanto existir a presença do agente infeccioso na mucosa nasal e faringe. O agente deixa de ser transmitido após o período de 24 horas do início de tratamento eficaz com antibióticos.


    Diagnóstico Diferencial

    É realizado com as doenças febris hemorrágicas, outras meningites bacterianas ou meningoencefalites, encefalites, febre purpúrica brasileira e septicemias.


    Diagnóstico Laboratorial

    Para a confirmação laboratorial faz-se necessária a coleta de espécimes clínicos do paciente; particularmente o líquido céfalo-raquidiano (líquor) e sangue. No caso de suspeita viral recomenda-se também a coleta de amostras de fezes.

    As técnicas laboratoriais usadas são: Cultura; Contraimunoeletroforese (CIE); Aglutinação pelo Látex e identificação de genes específicos em reação de cadeia polimerase (PCR).

    Ressalta-se que a técnica de PCR para o diagnóstico de meningites bacterianas ainda não está validada e por isso não é utilizada na rotina diagnóstica.


    Tratamento

    Na suspeita de meningite, o paciente deve imediatamente procurar assistência médica. Após a avaliação médica e análise preliminar de amostras clínicas do paciente, caso seja confirmada a suspeita diagnóstica o paciente ficará internado e o tratamento será realizado com antibióticos específicos.


    Vigilância Epidemiológica

    O objetivo do sistema de vigilância de Meningite no país é monitorar a situação epidemiológica da doença no país, orientar a utilização de medidas de prevenção e controle e avaliar a efetividade destas. Além disso, avaliar o desempenho operacional do sistema de vigilância, produzir e disseminar informações epidemiológicas.


    Notificação

    A meningite é uma doença de notificação obrigatória (conforme portaria 2.325/GM - 08/12/2003). O serviço de saúde que presta o primeiro atendimento ao caso suspeito é o responsável pela notificação e pelo preenchimento da Ficha de Notificação de casos suspeitos de meningite. A notificação deve ser feita para a Secretaria Municipal de Saúde, seja através de telefone, fax, e-mail etc; que por sua vez realizará a investigação completa dos casos suspeitos.


    Fonte: http://portal.saude.gov.br/portal/svs/visualizar_texto.cfm?idtxt=21747

     

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