Introdução
Desde os primórdios do mundo tem existido um equilíbrio dinâmico e adaptável de nosso corpo com o meio ambiente.
Com isso, os níveis energéticos para nossa sobrevivência sempre estiveram assegurados graças a um fino mecanismo de regulação hipotalâmica, que consegue equilibrar, em depósitos gordurosos subcutâneos e viscerais, o gasto energético diário em relação à entrada, dando-lhe também outra função de igual ou maior importância através do tempo: a de proteção ao frio.
Este equilíbrio manteve-se correto até que o homem ocidental, através da manipulação dos elementos circundantes, como é o seu meio ambiente, produziu um importante processo de desadaptação deste equilíbrio, obtendo como conseqüência o aparecimento de quadros patológicos, tanto no ambiente como em si próprio.
Essas trocas no ser humano hoje se classificam dentro das enfermidades crônicas não transmissíveis.
A obesidade tem sido um fator predisposto e desencadeante da maioria destes problemas, sendo recentemente considerada uma patologia por si mesma. Este efeito confunde a comunidade científica, que por muitos anos resumiu o problema de obesidade a uma situação de apenas tipo nutricional.
Por conseqüência, as investigações nesse campo não evoluíram, dando origem a uma variada gama de curas ineficazes.
Na sociedade atual, o problema de obesidade teve tal crescimento que chegou a limites superiores a 50% nos adultos norte-americanos. Este número repete-se também no Chile. Hoje, define-se obesidade como excesso de gordura corporal que causa danos à saúde.
Esta definição envolve dois conceitos:
• O excesso de gordura: centraliza o problema num estrato corporal definido.
• Danos à saúde: conceito de enfermidade. Para poder entender melhor este conceito, podemos agrupar as causas em grupos.
Causas próprias do indivíduo
• Genética: já foi constatada a influência deste aspecto na perpetuação da obesidade. Se os pais são normais, a probabilidade que o filho fique obeso é de 10%; se um deles é obeso, a probabilidade aumenta para 40%; já se ambos são obesos, as chances de nascer uma criança obesa é de 80%.
• Metabólicas: atualmente, esta causa é bastante relevante, sobretudo quando o sedentarismo aparece como fator comum a maioria das pessoas. O funcionamento do metabolismo explica, por exemplo, o comportamento diferente em relação à alimentação entre duas pessoas de igual sexo, idade e contextura.
Ao ingerir quantidades caloricamente iguais de comida, o peso de uma delas aumenta e o da outra não, devido à velocidade com que o organismo manipula os elementos.
• Endócrinológicas: apenas 2% das causas da obesidade são desta origem, sendo o Bócio Hipotiróideo seu melhor representante.
• Psicológicas: é indubitável que este fator influi grandemente nos problemas de obesidade, como provocador de altas ingestões calóricas em resposta aos problemas de ansiedade.
• Psiquiátricas: 3% dos casos em obesidade apresentam bulimia ou anorexia em sua história. Todo paciente bulímico ou anoréxico deve ser tratado somente por especialistas, pois dentro da patologia psiquiátrica eles são considerados de alto risco.
De acordo com a localização da gordura
• Obesidade andróide: este tipo de obesidade atinge mais os homens, geralmente adultos, cuja disposição na camada de gordura é de preferência víscero-abdominal. Algumas mulheres também desenvolvem a obesidade andróide.
• Obesidade ginóide: é característica das mulheres com localização da camada gordurosa na zona glútea, o que é conferido por fator genético preferencial.
• Obesidade mista: apresenta as duas características. Para alguns autores ainda existe uma quarta caracterização: ela corresponde à distribuição abdominal pura e é chamada de obesidade abdominal.
De acordo com o tipo celular
• Obesidade Hipertrófica: refere-se ao tipo da obesidade na qual o número de células adiposas está aumentando. Freqüentemente aparece em conjunto com a obesidade da infância.
• Obesidade Hiperplásica: é aquela que o tamanho de cada célula está aumentando. É observada na obesidade do adulto.
Diagnóstico
Uma boa história clínica, aliada à tecnologia atual, facilita o diagnóstico da obesidade. Isso permite um resultado quantitativo indireto bastante próximo da quantidade de gordura que cada pessoa possui, chamado índice de massa corporal.
Outro método é a bioimpedância elétrica, que se baseia na condução de uma corrente elétrica de baixa intensidade pelo corpo do indivíduo, que realiza a avaliação corporal completa, fornecendo os resultados de bioresintência, gordura percentual, massa gorda, massa magra, água corporal e metabolismo basal, como também as recomendações ideais de gordura percentual, peso corporal e peso a perder ou ganhar.
Tratamentos Estéticos
Em todo tratamento para reduzir gordura, recomenda-se usar uma fonte de calor para acelerar o processo lipolítico através da termogênese.
Os produtos usados deverão conter princípios ativos que atuem na lipólise, isto é, que acelerem a cascata lipolítica, estimulando o AMP cíclico.
Mafalda Dominguez |