Plantas são usadas a centenas de anos pela civilização. Data-se desde os tempos de ‘Ebers’ e Hipócrates. Utilizadas como meio de tratamentos de doenças, possuem efeito imediato pelo organismo seja por qual seja seu método de utilização. Na prática, utilizamo-las de vários modos, seja para uso estético ou terapêutico é sempre bom estarmos conhecendo um pouco mais sobre esta medicina fantástica deixada por Deus.
Citei as formas mais comuns de utilização e preparação das plantas:
1. CATAPLASMAS
Preparações para uso externo, de consistência mole e compostas de pós ou farinhas diluídas em água, cozimentos, infusões, vinho ou leite. São preparados a quente ou, muito raramente, a frio.
É obtido por diversas formas:
1. Amassar as ervas frescas e bem limpas e aplicá-las diretamente sobre a parte afetada ou envolvidas em um pano fino ou gaze;
2. Reduzi-las em pó, misturá-las em água, chá ou outras preparações e aplicá-las envoltas em pano fino sobre as partes afetadas;
3. Pode-se ainda, utilizar farinha de mandioca ou fubá de milho e água, geralmente quente, com a planta fresca ou seca triturada.
2. CONTUSÃO
Consiste em colocar a substância dentro de um gral e fazer com que atue sobre ela a mão ou pilão perpendicularmente, com bastante força, para destruir a coesão das moléculas. A sustância deve obter a consistência de pó ou pasta.
3. DECOCÇÃO
É a fervura da substância, para dissolvê-la pela ação prolongada da água e do calor. Utilizada, sobretudo no caso das sementes de cereais, a decocção pode ser leve ou branda, carregada ou concentrada, conforme sua duração (de apenas alguns minutos a várias horas) e a saturação do líquido empregado.
4. INALAÇÃO
Na inalação é utilizada a combinação de vapor de água com sustâncias voláteis das plantas aromáticas. Para direcionar o vapor é utilizado um cone de papelão colocado sobre com a base maior voltada para o recipiente e a base menor voltada para cima. Normalmente esse processo é recomendado para problemas respiratórios.
5. INFUSÃO
Esse processo é indicado particularmente para as plantas aromáticas. A substância é colocada numa vasilha, que depois recebe água fervente e posteriormente é tampada. Após descansar por um certo tempo, a mistura é coada. O tempo de infusão varia de 10 a 15 minutos (para folhas ou flores) a várias horas (no caso de raízes).
6. FILTRAÇÃO
Seu objetivo é separar o líquido (solução, sumo, tisanas, tinturas, azeites, xarope) de certas partículas que se encontram em suspensão. Quando não se exige uma perfeita transparência do líquido, substitui-se a filtração pela coadura. Para a primeira utiliza-se papel de filtro e na segunda, emprega-se tecidos de lã, pedaços de algodão.
7. MACERAÇÃO
Neste processo, a substância vegetal é deixada em contato com o veículo (líquido usado para dissolver o princípio ativo, como por exemplo: álcool, óleo, água ou outro líquido extrator), em temperatura ambiente. O período de maceração depende do material a ser utilizado. Folhas, flores e outras partes tenras são picadas e ficam macerando por 10 a 12 horas, enquanto partes mais duras ficam macerando por 18 a 24 horas. Embora lenta, a maceração é um método excelente para obter o princípio ativo em toda sua integridade.
8. SUCOS
É um processo para ser utilizado imediatamente. Na preparação são utilizados frutos moles e maduros espremidos em pano ou folhas, flores e sementes triturados em liquidificador ou pilão. Nesses sucos podem ser adicionados água ou não.
9. VINHOS
São preparações que resultam da ação dissolvente do vinho sobre as substâncias vegetais. O vinho utilizado deve ser puro, com alto teor alcoólico; tinto para dissolver princípios tônicos ou adstringentes e brancos quando se deseja obter um produto diurético. O método para se obter vinhos medicinais é muito simples: adiciona-se 5g de uma ou mais ervas secas, bem limpos e picados para cada 100ml de vinho e macera-se em recipiente bem tampado e em local escuro, por um período de 10 a 15 dias, sendo agitado uma ou duas vezes diariamente. Depois de filtrado, o produto deve ser conservado em local arejado.
10. TINTURAS
A preparação de tinturas a partir de substâncias é um processo minucioso e delicado que consiste em misturar partes de plantas secas e dividas em álcool de pureza absoluta, onde o contato deverá ser mais ou menos prolongado para permitir uma melhor extração dos princípios ativos (8 a 15 dias).
Para obter as tinturas deve-se:
1. plantas frescas - utilizar a proporção de 50% em peso de plantas em relação ao álcool a 92ºGL, em volume, isto é, 500g de planta fresca em 1000 ml de álcool;
2. plantas secas - usar a proporção de 25% em peso de plantas secas em relação à mistura álcool-água, na proporção de sete partes de álcool a 92ºGL e três partes de água destilada ou fervida, em volume, ou seja, 250g de plantas secas em 700ml de álcool a 92ºGL e 300 ml de água.
Após a obtenção da tintura, filtra-se e o resíduo é espremido em uma prensa, para extrair o líquido que ainda esteja presente. As tinturas alcoólicas conservam os princípios ativos por muitos anos e são utilizadas em pequena quantidade para uso interno (puras ou diluídas) e externamente em maiores quantidades (puras ou diluídas).
11. TISANAS
Nome genérico dado às soluções, macerações, infusões e decocções preparadas com plantas medicinais. Quando a elas se agregam xaropes, tinturas, extratos ou outros ingredientes, as tisanas são chamadas de poções.
12. TORREFAÇÃO
Este processo possui dois objetivos: retirar a água de certas substâncias e submetê-las a um princípio de decomposição que modifica algumas de suas propriedades. O agente no processo da torrefação utilizado é o fogo. O café após a torrefação torna-se aromático, o ruibarbo perde suas qualidades laxantes e o ópio seu princípio viscoso.
13. UNGÜENTO E POMADAS
Tratamento imediato, podendo ser guardada por tempo determinado. É preparado através da mistura do suco, tintura ou chá da planta medicinal com vaselina ou lanolina. As pomadas e os ungüentos permanecem mais tempo sobre a pele, devem ser usados a frio e renovados duas ou três vezes ao dia.
14. XAROPE
Preparação de uso mais prolongado, usado principalmente para doenças da garganta, pulmão e brônquios. Para prepará-lo é necessário dissolver açúcar em água e aquecer até a obtenção de ponto de fio e depois acrescentar a tintura do vegetal na preparação.
EFEITOS DAS PLANTAS
1. Abortivo: provoca a eliminação do feto;
2. Adsorvente: elimina os gases acumulados;
3. Anticatarral: Inibe a formação de catarro;
4. Antiespasmódico: evita ou alivia as cólicas e os espasmos (contrações musculares dolorosas);
5. Antiflatulento: elimina os gases intestinais;
6. Anti-reumático: combate o reumatismo e seus sintomas;
7. Antitussígeno: inibe a tosse;
8. Carminativo: elimina gases acumulados e favorece a digestão, diminuindo o inchaço abdominal, a flatulência e as dores;
9. Catártico: o mesmo que laxante ou purgativo;
10. Colagogo: favorece a eliminação do conteúdo das vias biliares;
11. Colerético: contrai a vesícula biliar para a eliminação de seu conteúdo;
12. Diaforético: provoca suor;
13. Diurético: faz urinar mais, auxilia a eliminação de líquidos pelos rins;
14. Drástico: purgante enérgico;
15. Emenagogo: estimula a menstruação (não é o mesmo que abortivo);
16. Emético: provoca vômito.
17. Emoliente: suaviza, amolece uma inflamação;
18. Estomacal: ajuda a digestão no estômago;
19. Estomáquico: favorece as funções digestivas; tonificante do estômago;
20. Expectorante: elimina a mucosidade do aparelho respiratório;
21. Febrífugo: abaixa a febre;
22. Galactogogo: aumenta a secreção do leite;23.Hemostático: estanca as hemorragias;
24. Laxante: purgante de efeito brando, que induz a evacuação de fezes moles, não causando dor nem irritação intestinal;
25. Mucolítico: bloqueia a produção de muco; pode ser anticatarral;
26. Obstipante: prende os intestinos;
27. Sudorífico: o mesmo que diaforético.
CUIDADOS NO USO DAS PLANTAS
Muitas vezes escutamos as pessoas recomendarem o uso de plantas medicinais dizendo: "Se bem não fizer, mal também não fará”. Infelizmente não é isso que ocorre, porque o uso inadequado de plantas pode muitas vezes não realizar o efeito desejado.
O uso de plantas, quando efetuado com critérios, só tem a contribuir para a saúde de quem o pratica. Esses critérios se referem à identificação da doença ou do sintoma apresentado, conhecimento e seleção correta da planta a ser utilizada e uma adequada preparação.
As plantas devem ser adquiridas, preferencialmente, por pessoas ou firmas idôneas que possam dar garantia da qualidade e da identificação correta. O ideal seria que as pessoas e instituições que fazem uso das plantas mantivessem o cultivo das espécies mais utilizadas.
Vale ressaltar também o quão importante é a preparação das ervas, misturas, formulações devem ser feitas por profissionais qualificados e que tenham formação especifica para tal. Saber e conhecer não significa poder fazer, lembrarmos sempre que trabalhamos com vidas, e para isto temos que ter tal discernimento.
Um abraço e muito sucesso!!!
Gustavo Galves |