Este é um dos postulados mais fascinantes da Medicina Tradicional Chinesa – MTC, com aplicações importantes, tanto no diagnóstico e tratamento dos distúrbios, como na manutenção da saúde como um todo.
Por exemplo, através da análise de certos sinais como marcas de expressão, rugas e sintomas de oleosidade, espinhas, coloração, erupções do rosto e na pele em geral, os terapeutas antigos constatavam a disfunção de órgãos internos –Zang-Fu e, por outro lado, pela aplicação da acupuntura e afins estimulavam pontos específicos na própria pele para corrigir os desequilíbrios destes mesmos órgãos.
Se “as aparências enganam aos que odeiam e aos que amam”, como diriam Tunai e Sérgio Natureza em belíssima música, cantada por Elis Regina, em nossa observação: A aparência revela a essência. Para as concepções holísticas, entre as quais a MTC, há uma reciprocidade entre a Superfície (pele - músculos) e a Profundidade (órgãos e ossos) do organismo, assim como entre Mente e Corpo, emoções como a raiva e a paixão, vivenciadas de forma exacerbada e repetitiva por longo tempo afetam, respectivamente, o fígado e o coração, que podem determinar, por sua vez, várias contraturas musculares na face e no corpo, particularmente condicionando marcas de expressão na região dos olhos, entre as sobrancelhas, assim como coloração avermelhada, caracterizada por rubor facial crônico.
Ao longo de milhares de anos, os chineses foram coletando correspondências entre o exterior e o interior do corpo, definindo a existência dos “JING-LUO”, termo freqüentemente traduzido como canais e colaterais ou meridianos, constituindo-se em redes ordenadas de segmentos energéticos que transportam o QI (energia) e XUE (sangue), e conectam todas as partes do corpo, com as funções de integrar e normalizar as relações entre essas, nutrir o organismo e proporcionar sua unidade psicossomática.
Apesar de invisíveis, os meridianos são considerados como mecanismo físico com trajeto definido por pontos cutâneos sensíveis, que formam conjuntos distintos correspondentes aos órgãos internos – ZANG-FU.
Segundo a MTC, abrangendo, de certa forma, as funções orgânicas e os fenômenos patológicos dos sistemas nervoso, vascular e de regulação humoral dos nervos.
Quando determinados pontos são estimulados, seja pela punção das agulhas, massagem ou exercícios como alongamentos dos membros e do corpo, pode-se perceber sensação de calor e formigamento, entre outras, que seguem direções pré-determinadas.
Pela observação, os chineses descobriram que boa parte dessas correm verticalmente pelo corpo, tal e qual as linhas imaginárias que cortam o globo terrestre no sentido longitudinal. Com efeito, o ideograma representativo de “JING-LUO” – canais ou meridianos é o mesmo empregado desde a remota Antigüidade para designar em astronomia chinesa as linhas de longitude de norte-sul.
Entre todos os canais energéticos, 12 são classificados como “JINGMAI” ou meridianos principais porque fazem no organismo a conexão energética que inclui a coordenação de todas as atividades do corpo. No ocidente, estes recebem o nome de acordo com os órgãos ou funções específicas correspondentes. É importante discriminar seus caminhos, pois quando ocorrem desequilíbrios internos, alguns pontos e meridianos podem tornar-se dolorosos ou apresentar afecções dermatológicas diversas, assim, como estímulos sobre os mesmos são benefícios para regulariza-los psicossomaticamente, como veremos adiante na prática de alongamento dos meridianos.
Trajeto dos meridianos, com representações dos dois lados do corpo:
Canais:
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