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    Prof. Luiz Bernardo Leonelli
    Psicólogo graduado pela USP - Universidade de São Paulo,
    com especialização em neuropsicologia e acupuntura.

    DO-IN

    Parte 1 - Localização dos Meridianos

    O exterior reflete o interior

    Este é um dos postulados mais fascinantes da Medicina Tradicional Chinesa – MTC, com aplicações importantes, tanto no diagnóstico e tratamento dos distúrbios, como na manutenção da saúde como um todo.

    Por exemplo, através da análise de certos sinais como marcas de expressão, rugas e sintomas de oleosidade, espinhas, coloração, erupções do rosto e na pele em geral, os terapeutas antigos constatavam a disfunção de órgãos internos –Zang-Fu e, por outro lado, pela aplicação da acupuntura e afins estimulavam pontos específicos na própria pele para corrigir os desequilíbrios destes mesmos órgãos.

    Se “as aparências enganam aos que odeiam e aos que amam”, como diriam Tunai e Sérgio Natureza em belíssima música, cantada por Elis Regina, em nossa observação: A aparência revela a essência. Para as concepções holísticas, entre as quais a MTC, há uma reciprocidade entre a Superfície (pele - músculos) e a Profundidade (órgãos e ossos) do organismo, assim como entre Mente e Corpo, emoções como a raiva e a paixão, vivenciadas de forma exacerbada e repetitiva por longo tempo afetam, respectivamente, o fígado e o coração, que podem determinar, por sua vez, várias contraturas musculares na face e no corpo, particularmente condicionando marcas de expressão na região dos olhos, entre as sobrancelhas, assim como coloração avermelhada, caracterizada por rubor facial crônico.

    Ao longo de milhares de anos, os chineses foram coletando correspondências entre o exterior e o interior do corpo, definindo a existência dos “JING-LUO”, termo freqüentemente traduzido como canais e colaterais ou meridianos, constituindo-se em redes ordenadas de segmentos energéticos que transportam o QI (energia) e XUE (sangue), e conectam todas as partes do corpo, com as funções de integrar e normalizar as relações entre essas, nutrir o organismo e proporcionar sua unidade psicossomática.

    Apesar de invisíveis, os meridianos são considerados como mecanismo físico com trajeto definido por pontos cutâneos sensíveis, que formam conjuntos distintos correspondentes aos órgãos internos – ZANG-FU.

    Segundo a MTC, abrangendo, de certa forma, as funções orgânicas e os fenômenos patológicos dos sistemas nervoso, vascular e de regulação humoral dos nervos.

    Quando determinados pontos são estimulados, seja pela punção das agulhas, massagem ou exercícios como alongamentos dos membros e do corpo, pode-se perceber sensação de calor e formigamento, entre outras, que seguem direções pré-determinadas.

    Pela observação, os chineses descobriram que boa parte dessas correm verticalmente pelo corpo, tal e qual as linhas imaginárias que cortam o globo terrestre no sentido longitudinal. Com efeito, o ideograma representativo de “JING-LUO” – canais ou meridianos é o mesmo empregado desde a remota Antigüidade para designar em astronomia chinesa as linhas de longitude de norte-sul.

    Entre todos os canais energéticos, 12 são classificados como “JINGMAI” ou meridianos principais porque fazem no organismo a conexão energética que inclui a coordenação de todas as atividades do corpo. No ocidente, estes recebem o nome de acordo com os órgãos ou funções específicas correspondentes. É importante discriminar seus caminhos, pois quando ocorrem desequilíbrios internos, alguns pontos e meridianos podem tornar-se dolorosos ou apresentar afecções dermatológicas diversas, assim, como estímulos sobre os mesmos são benefícios para regulariza-los psicossomaticamente, como veremos adiante na prática de alongamento dos meridianos.

    Trajeto dos meridianos, com representações dos dois lados do corpo:

    Canais:

         
    Pulmão:
    começa ao nível do primeiro espaço intercostal, sobre ao ombro e desce pelo braço até a extremidade do polegar.

      Intestino Grosso:
    a partir da extremidade do dedo indicador, estende-se pelo braço subindo pelo pescoço e pelo rosto e termina no sulco nasolabial.

      Estômago: inicia-se entre a borda infra-orbital e o globo ocular, continua pela face, desce pelo tronco e pela perna até o pé, onde segue até a extremidade do segundo dedo.  


         
    Baço-pâncreas:
    começa no grande artelho (polegar do pé), sobe pela perna, atravessa a frente do corpo e termina na linha medial da axila.

      Coração:
    a partir do centro da região axilar, desce pelo braço internamente e, pela mão, segue até a extremidade do dedo mínimo
      Intestino Delgado: começa na extremidade do dedo mínimo, estende-se pelo braço, atravessa as costas e sobe pela nuca em direção ao ouvido.  


         

    Bexiga: inicia-se no ângulo interno do olho, passa por cima da cabeça, desce pela nuca, pelo lado da coluna vertebral, continua pela perna e termina na última articulação do quinto pododáctilo (dedo mínimo do pé).

     

    Rim:
    começa na parte média da região plantar do pé, sobe pela perna, pela frente do corpo e termina na depressão da borda inferior da clavícula.


      Pericárdio ou circulação-sexo:
    a partir da região do mamilo, no quarto espaço intercostal, estende-se pelo braço até a ponta do dedo médio.



     


         

    Triplo-aquecedor: começa no dedo anular, sobe pelo braço, ombro e pescoço e termina na depressão da extremidade externa da sobrancelha.

     

    Vesícula Biliar: inicia-se no ângulo externo do ângulo com percurso sinuoso pela cabeça e desce pelo corpo lateralmente até a parte inferior do quarto pododáctilo.


      Fígado: a partir do hálux (polegar do pé) segue pela perna e vai até o centro do corpo, terminando abaixo do mamilo no sexto espaço intercostal.



     
     
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