A descoberta, ou a concepçăo da Metafísica, é atribuída a Platăo, filósofo grego nascido em Atenas e que viveu no período de 428/427 a.C. (antes de Cristo) a 347 a.C. (tendo vivido, portanto, por aproximadamente oitenta anos), embora outros filósofos tivessem esboçado anteriormente alguns conceitos nessa direçăo, sem, contudo, aprofundá-los.
Seu nome verdadeiro era Aristócles e, segundo diversos estudiosos, ficou conhecido como "Platăo" pelo fato de ter ombros largos, pois "platos" significa largueza. Bem jovem, possivelmente aos vinte anos, entrou em contato com Sócrates, citado como "o mais sábio e o mais justo dos homens", e tornou-se seu discípulo.
Quando Platăo estava com uns vinte e nove anos, Sócrates foi condenado, por motivos políticos, a beber o veneno cicuta, que o levaria ŕ morte. Entretanto, tudo aquilo que aprendera e que vivenciara com Sócrates estava fortemente gravado dentro de si, e Platăo prosseguiu em busca de respostas, desenvolvendo uma filosofia que năo se limitava a explicar e a compreender a vida por meio de causas físicas ou mecânicas, mas ia além, afirmando que aquilo que vemos como causa, na verdade é conseqüęncia de um poder maior - ainda que invisível - facilmente percebido e compreendido pela nossa inteligęncia e pela nossa intuiçăo, chegando, por esse modo, ŕ filosofia espiritualista - e ŕ Metafísica.
Nas palavras de Carlos Antonio Fragoso Guimarăes, "Platăo foi o responsável pela formulaçăo de uma nova cięncia, ou, para ser mais exato, de uma nova maneira de pensar e perceber o mundo."
Apesar de as idéias filosóficas e políticas de Platăo terem exercido profunda influęncia no pensamento ocidental, o passar dos séculos, para esta Humanidade deslumbrada pelos avanços materiais, dividida em lutas ideológicas, condicionada aos mandos e desmandos dos detentores do poder, ocupada com as agruras da sobrevivęncia e com a satisfaçăo imediata das necessidades físicas, foi confinando esses conhecimentos - como tantos outros - aos limites da cultura escolar mais avançada, distanciando-os, dessa forma, da grande maioria das pessoas.
Tendo em vista que o nosso objetivo, aqui, năo é o estudo da Metafísica Clássica, aos leitores que se interessarem por uma maior compreensăo nesse campo, recomendamos o excelente trabalho de Carlos A.F.Guimarăes, "O Espiritualismo Ocidental". |
A palavra "Metafísica" significa "além do físico, do material" (meta: além, e física: matéria).
Assim, é compreensível que esse nome tenha sido dado a um "movimento de pensamento" que se difunde no Brasil, mais intensamente em Săo Paulo, há uns trinta anos, e que afirma e comprova que năo somos seres passivos frente a um destino aleatório - cruel ou risonho, mas tăo indecifrável quanto indeterminado - e sim agentes constantemente ativos, mesmo que nem sempre conscientes, de tudo aquilo que nos acontece de agradável ou desagradável.
Ao que sabemos, (já que năo estăo disponíveis, até o momento, registros precisos), a princípio ele teria sido inspirado numa linha de pensamento proveniente da Metafísica - o Mentalismo, que começou a tomar força nos Estados Unidos por volta de 1900, sendo lá bastante conhecido e praticado, especialmente na Califórnia, estado americano que se destaca pelo grande fluxo de idéias inovadoras que se refletem nas artes, nas cięncias, nos costumes e na elevaçăo da qualidade de vida.
Chegando até nós, porém, essas idéias teriam encontrado terreno fértil, aliando-se a profundos conhecimentos espiritualistas já atualizados, assimilados e experimentados por boa parte das pessoas que aqui se interessam em conhecer a vida de um jeito mais claro e mais significativo.
Nascia, entăo, essa Metafísica que vem despertando a atençăo tanto de estudiosos quanto daqueles menos habituados a estudar, uma vez que, além de ser tema de livros, palestras, cursos e grupos de estudo, é veiculada democraticamente por emissoras de rádio AM e FM, estando agora acessível também aos internautas.
Alguns metafísicos respeitados falam da possibilidade, ou da necessidade, de se encontrar um outro nome que transmita melhor o significado dessa Metafísica de hoje, desvinculando-a da filosofia clássica. De qualquer forma, o termo que prevalece até agora é esse, e é assim que uma outra maneira de pensar e de sentir a vida está se popularizando.
Do nosso ponto de vista pessoal, ela bem pode ter sua raiz na Metafísica Clássica, tendo incorporado, contudo, a contribuiçăo valiosa e enriquecedora de conhecimentos posteriores, entre os quais os estudos da Psicologia e as constataçőes acerca da espiritualidade, que fizeram com que passássemos a considerar fenômenos antes tachados de místicos ou sobrenaturais como sendo expressőes de uma natureza ainda pouco estudada e pouco levada em conta pelas chamadas cięncias acadęmicas.
Por esse ângulo, tratá-la como "Metafísica atual", para nós, está satisfatório. Sem nenhuma conotaçăo religiosa ou doutrinária, as idéias metafísicas independem de qualquer opçăo de religiosidade.
Entretanto, aqueles que as abraçam caracterizam-se, em especial, pelo cultivo de uma espiritualidade cada vez mais livre e mais independente.A Metafísica atual năo apresenta mestres ou líderes. Ainda assim, alguns nomes se destacam pelo valor da contribuiçăo que vęm prestando ao desenvolvimento e ao aprofundamento dessa nova visăo.
Entre eles, um dos mais expressivos e atuantes é Luiz Antonio Gasparetto, autor de grande número de livros publicados em sucessivas ediçőes, conhecido internacionalmente por seu trabalho mediúnico e um dos principais comunicadores metafísicos da atualidade.
Ainda segundo o que sabemos, foi Gasparetto quem iniciou a popularizaçăo desses conceitos entre nós, aqui no Brasil, depois de ter entrado em contato com eles e de ter sentido seus efeitos durante o tempo em que viveu na Califórnia, buscando complementar estudos na área da Psicologia.
Desde entăo, ele vem ampliando e aprofundando essa visăo metafísica por meio dos próprios conhecimentos científicos e também da sua apurada sensibilidade espiritual e mediúnica.
Aliás, a Metafísica atual apresenta essas duas características importantes: aqueles que se dedicam a estudá-la e a praticá-la profunda e verdadeiramente, somam a ela a contribuiçăo dos seus próprios conhecimentos e experięncias pessoais, conforme sua área de pesquisa e atuaçăo; o outro fato importante que a caracteriza é a fácil assimilaçăo popular.
Em linguagem simples, ela toca o coraçăo das pessoas e movimenta a sua inteligęncia, levando ao seu conhecimento essa "outra maneira de pensar e de sentir a vida", ou levando, em outras palavras, a proposta do desenvolvimento contínuo e gradual da conscięncia.
Estimulando o nosso poder de discernimento e a nossa responsabilidade diante da vida, independentemente de "classes" sociais (culturais ou econômicas), possibilita a efetiva transformaçăo individual e social que, sabemos, só pode ocorrer de dentro pra fora de cada um de nós, em benefício do bem coletivo.
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